Como criar código EAN para produtos? Entenda o processo
Se você está começando a vender produtos, provavelmente já se deparou com uma sequência de números acompanhada de barras pretas e brancas nas embalagens. Esse identificador é conhecido popularmente como código EAN e desempenha um papel importante na identificação de mercadorias, no controle de estoque e nas operações comerciais.
Mas afinal, como criar código EAN para produtos? É possível gerar um código gratuitamente? Precisa cadastrar a empresa em algum lugar? E como funciona o processo para vender em supermercados, lojas físicas e marketplaces?
Essas dúvidas são comuns entre pequenos empreendedores, fabricantes e pessoas que estão criando sua própria marca.
O processo envolve algumas etapas, desde a identificação correta de cada produto até a geração da imagem do código de barras. Para comercializar mercadorias em canais que exigem identificação padronizada, também pode ser necessário obter uma numeração oficial por meio da GS1 Brasil.
Neste artigo, você vai entender como funciona o código EAN, descobrir a diferença entre gerar um código de barras e obter uma identificação oficial e aprender o passo a passo para cadastrar seus produtos corretamente.

1. O que é código EAN e para que serve?
O EAN, sigla de European Article Number, é uma identificação numérica utilizada no comércio para reconhecer produtos. Embora esse nome continue bastante popular, atualmente a identificação está integrada ao sistema internacional de padrões GS1.
No Brasil, um dos formatos mais conhecidos é o EAN-13, composto por 13 dígitos. Ele representa um número de identificação de produto, geralmente um GTIN-13, em uma simbologia de código de barras que pode ser lida por scanners.
O código aparece em embalagens de alimentos, bebidas, cosméticos, produtos de limpeza, roupas e inúmeros outros itens.
Sua principal função é permitir que diferentes sistemas reconheçam uma mercadoria de maneira padronizada.
Quando um operador passa um produto pelo leitor de código de barras, por exemplo, o sistema pode identificar o item e consultar informações previamente cadastradas, como descrição, preço e quantidade disponível.
Entre as principais aplicações do código EAN estão:
- Identificação de produtos em lojas físicas.
- Cadastro de mercadorias em marketplaces.
- Controle e organização de estoque.
- Registro de vendas em sistemas comerciais.
- Integração entre fornecedores e varejistas.
- Automatização de processos logísticos.
- Redução de erros na identificação de itens.
É importante entender que o código de barras não armazena diretamente todas as informações comerciais. Ele representa um identificador que permite consultar os dados associados ao produto em um sistema.
Por isso, criar a numeração é apenas uma parte do processo.
2. Qual é a diferença entre EAN, GTIN e código de barras?
Antes de aprender a criar um código EAN, vale esclarecer três termos que frequentemente são utilizados como se fossem a mesma coisa.
O GTIN, sigla de Global Trade Item Number, é o número global de identificação de um item comercial.
O EAN-13 é uma das simbologias utilizadas para representar esse identificador em barras.
Já o código de barras é a representação gráfica formada por barras e espaços que podem ser interpretados por um leitor.
Na prática, o mercado costuma chamar o conjunto de código EAN, mas existe uma diferença técnica entre esses conceitos.
Veja uma comparação:
| Termo | Significado |
| GTIN | Número padronizado que identifica um item comercial. |
| EAN-13 | Simbologia de barras utilizada para representar 13 dígitos. |
| Código de barras | Representação gráfica que permite a leitura automática. |
| GS1 | Organização responsável pelos padrões globais de identificação. |
Também existem diferentes estruturas de GTIN, como GTIN-8, GTIN-12, GTIN-13 e GTIN-14, utilizadas conforme a aplicação.
O GTIN-13 é muito comum em produtos destinados ao varejo brasileiro.
Outra informação importante: os primeiros dígitos de um GTIN atribuído pela GS1 Brasil frequentemente começam com 789 ou 790. Entretanto, esses prefixos não indicam necessariamente que o produto foi fabricado no Brasil.
Eles estão relacionados à organização GS1 responsável pela atribuição do prefixo, e não à origem industrial da mercadoria.
3. Como criar código EAN para produtos passo a passo?
Para obter um código EAN oficial, o procedimento mais indicado é realizar o cadastro por meio da GS1 Brasil, entidade responsável pela atribuição dos identificadores GS1 no país.
Esse processo permite que sua empresa obtenha números padronizados e organize os produtos em uma base de dados.
Confira as principais etapas.
Passo 1: cadastre sua empresa na GS1 Brasil
O primeiro passo é solicitar a associação à GS1 Brasil.
Durante o cadastro, será necessário fornecer informações sobre o negócio, como CNPJ, razão social, atividade exercida e dados de contato.
Também podem ser solicitados documentos relacionados à empresa, conforme sua natureza jurídica e as condições de associação.
É importante informar corretamente os dados, pois eles serão utilizados para vincular a identificação dos produtos ao responsável pela marca.
Passo 2: escolha o plano adequado
Após iniciar o cadastro, verifique as condições de associação disponíveis.
A GS1 Brasil possui critérios de cobrança que consideram características da empresa, incluindo seu faturamento e a quantidade de identificadores necessária.
O empreendedor deve avaliar quantos produtos pretende cadastrar, considerando também as variações de cada mercadoria.
Uma empresa que comercializa apenas três produtos terá necessidades diferentes de outra que trabalha com centenas de itens.
Além disso, é importante considerar possíveis lançamentos futuros para evitar dificuldades na expansão do catálogo.
Passo 3: obtenha a numeração oficial
Depois de cumprir os requisitos de associação, a empresa recebe acesso aos recursos necessários para atribuir identificadores aos seus produtos.
Conforme a modalidade contratada, poderá receber um prefixo de empresa GS1 e utilizar a numeração disponível para gerar seus GTINs.
Esses identificadores devem ser administrados corretamente, evitando duplicidades.
O empreendedor não deve inventar sequências numéricas ou utilizar identificadores de outras empresas para cadastrar mercadorias próprias.
Passo 4: cadastre os produtos
Com o acesso liberado, utilize o Cadastro Nacional de Produtos da GS1 Brasil.
Nessa etapa, você deverá informar as características de cada mercadoria.
Os dados podem incluir nome, marca, descrição, peso, dimensões, quantidade e outras informações técnicas.
É importante que o cadastro corresponda ao produto efetivamente comercializado.
Se você vende um shampoo de 300 ml, por exemplo, não deve utilizar a mesma identificação para uma embalagem de 500 ml.
O mesmo cuidado vale para produtos com diferentes sabores, tamanhos e outras características que exigem identificação individual.
Passo 5: gere o código de barras EAN-13
Depois de atribuir o GTIN ao produto, será possível gerar sua representação gráfica.
O Cadastro Nacional de Produtos oferece recursos para gerar códigos de barras e etiquetas.
Para produtos de varejo identificados por GTIN-13, normalmente será utilizada a simbologia EAN-13.
A imagem poderá ser aplicada à embalagem ou impressa em uma etiqueta, respeitando os requisitos técnicos de leitura.
Passo 6: teste o código antes de comercializar
A última etapa é verificar se o código pode ser lido corretamente.
Faça testes utilizando um leitor compatível e confirme se a sequência identificada corresponde ao GTIN cadastrado.
Também confira se o sistema comercial apresenta as informações corretas do produto.
Esse cuidado ajuda a evitar problemas no caixa, falhas de estoque e dificuldades no recebimento de mercadorias.
4. É possível gerar código EAN gratuitamente?
Sim, é possível gerar gratuitamente uma imagem de código de barras EAN-13 utilizando ferramentas disponíveis na internet.
Entretanto, existe uma diferença fundamental entre gerar um código EAN gratuito e obter um GTIN oficial.
Um gerador online pode transformar uma sequência de 13 dígitos em barras. Isso não significa que a numeração seja exclusiva, esteja registrada ou pertença à sua empresa.
Imagine que você escolha uma sequência aleatória e utilize um site para gerar sua representação gráfica.
O resultado pode ser uma imagem perfeitamente legível por um scanner. Mesmo assim, esse número pode já pertencer a outro produto ou não estar registrado corretamente.
Portanto, o código não deve ser utilizado como identificação oficial apenas porque passou em um teste de leitura.
Para quem deseja vender produtos de marca própria em canais que exigem GTIN padronizado, a orientação é obter a numeração por meio da GS1.
Por outro lado, empresas que precisam apenas organizar o estoque internamente podem utilizar identificadores próprios, como SKUs.
Nesse caso, não é necessário que o código interno seja um GTIN. É possível utilizar outras simbologias, como Code 128, desde que sejam compatíveis com os sistemas e leitores utilizados.
Como calcular o dígito verificador do EAN-13?
O último número do EAN-13 é chamado de dígito verificador.
Ele é calculado matematicamente a partir dos 12 dígitos anteriores e ajuda a identificar determinados erros de leitura ou digitação.
O cálculo utiliza pesos alternados de 1 e 3.
Para encontrar o dígito, siga estas etapas:
- Separe os 12 primeiros números.
- Some os dígitos das posições ímpares.
- Some os dígitos das posições pares e multiplique o resultado por 3.
- Some os dois resultados.
- Encontre o número necessário para completar o próximo múltiplo de 10.
Por exemplo, considere a sequência fictícia 789012345678.
A soma ponderada dos 12 dígitos resulta em 116. O próximo múltiplo de 10 é 120.
A diferença é 4, portanto o dígito verificador será 4.
O código completo seria 7890123456784.
Esse exemplo demonstra apenas o cálculo matemático. Não significa que o número esteja disponível ou possa ser utilizado comercialmente.
Na prática, os sistemas apropriados realizam o cálculo automaticamente.
5. Quanto custa criar um código EAN?
O custo para obter códigos EAN oficiais depende das condições de associação à GS1 Brasil.
A entidade trabalha com taxas de filiação e manutenção anual, cujos valores podem variar conforme o enquadramento da empresa e o plano escolhido.
Por isso, não existe um preço único que possa ser aplicado a todos os negócios.
Antes de iniciar o cadastro, verifique as condições comerciais atualizadas e considere quantos produtos precisarão de identificação.
Também é importante diferenciar três tipos de custo:
- Obtenção da numeração: despesas relacionadas à associação e ao acesso aos identificadores oficiais.
- Geração da imagem: criação da representação gráfica do GTIN, que pode ser feita por ferramentas disponibilizadas aos associados.
- Impressão: gastos com etiquetas, embalagens, equipamentos ou serviços gráficos.
Uma empresa que imprime seus códigos diretamente nas embalagens pode ter despesas diferentes de um pequeno empreendedor que utiliza etiquetas adesivas.
O planejamento deve considerar o volume de produtos e a forma de comercialização.
6. Preciso de um código EAN diferente para cada produto?
Sim. Cada item comercial que exige identificação própria deve receber um GTIN adequado.
Essa regra é especialmente importante para empresas que trabalham com diferentes tamanhos, cores, sabores e quantidades.
Imagine uma marca de camisetas que comercializa o mesmo modelo em três tamanhos: P, M e G.
Cada tamanho corresponde a uma variação comercial diferente e precisa de identificação própria.
O mesmo acontece com uma empresa que vende café em embalagens de 250 g e 500 g.
Embora o produto seja semelhante, as apresentações são diferentes.
Veja alguns exemplos:
| Produto | Identificação |
| Camiseta preta P | GTIN próprio |
| Camiseta preta M | Outro GTIN |
| Camiseta preta G | Outro GTIN |
| Café tradicional 250 g | GTIN próprio |
| Café tradicional 500 g | Outro GTIN |
Também é necessário avaliar mudanças na formulação, quantidade e apresentação do produto conforme as regras de gerenciamento de GTIN da GS1.
Entretanto, nem toda alteração exige automaticamente um novo número. Mudanças que não afetam a identificação comercial podem permitir a manutenção do GTIN existente.
Outro cuidado importante envolve os kits.
Quando vários produtos são comercializados como um conjunto específico, esse conjunto pode precisar de identificação própria, diferente daquela utilizada nos itens vendidos individualmente.
7. Código EAN é obrigatório para vender produtos?
A obrigatoriedade depende do tipo de produto, das exigências fiscais aplicáveis e do canal de comercialização.
Nem toda mercadoria vendida no Brasil precisa obrigatoriamente apresentar um código EAN.
Entretanto, supermercados, distribuidores e marketplaces podem exigir uma identificação padronizada para cadastrar determinados produtos.
Nas operações fiscais, também existem regras relacionadas ao preenchimento e à validação do GTIN em documentos eletrônicos, conforme o enquadramento da mercadoria e as normas vigentes.
Por isso, não é correto afirmar que todos os produtos precisam de EAN ou que qualquer mercadoria pode ser comercializada sem identificação.
Preciso de EAN para vender no Mercado Livre, Amazon e Shopee?
Marketplaces utilizam identificadores de produtos para organizar catálogos e relacionar anúncios a mercadorias específicas.
O Mercado Livre, a Amazon e a Shopee podem solicitar GTIN em determinadas categorias ou situações.
As regras, entretanto, variam conforme a plataforma e o tipo de produto.
Alguns itens podem ter procedimentos específicos para mercadorias sem GTIN, como determinados produtos artesanais, personalizados ou de marca própria.
Antes de anunciar, confira as exigências aplicáveis à categoria.
Se você está revendendo uma mercadoria de outra marca, normalmente deve utilizar o GTIN original do fabricante, quando existente e exigido.
Não é necessário criar uma nova identificação apenas porque o produto será anunciado por outra loja.
Já quem fabrica ou comercializa produtos de marca própria deve avaliar a necessidade de atribuir seus próprios GTINs.
8. Quais erros evitar ao criar código EAN para produtos?
Mesmo depois de entender como gerar um código EAN, alguns cuidados são essenciais para evitar problemas no cadastro e na comercialização.
Um dos erros mais comuns é confundir um número matematicamente válido com um identificador oficialmente atribuído.
Também existem problemas relacionados à impressão e à organização dos dados.
Confira os principais erros:
Utilizar números aleatórios: uma sequência de 13 dígitos não se torna um GTIN oficial apenas porque possui o dígito verificador correto.
Reutilizar códigos indevidamente: produtos diferentes não devem compartilhar a mesma identificação quando as regras exigem números distintos.
Comprar códigos sem verificar a procedência: números oferecidos por terceiros podem apresentar problemas de titularidade, duplicidade ou aceitação comercial.
Imprimir barras muito pequenas: a redução excessiva pode dificultar a leitura pelos equipamentos.
Utilizar cores inadequadas: combinações com pouco contraste podem prejudicar a identificação automática.
Cadastrar informações incorretas: diferenças entre descrição, quantidade, embalagem e GTIN podem gerar inconsistências.
Ignorar os testes de leitura: antes de produzir grandes quantidades de embalagens, verifique se o código funciona corretamente.
Outro cuidado importante é manter um controle atualizado dos identificadores atribuídos.
Uma planilha ou sistema de gestão pode ajudar a relacionar cada GTIN ao produto correspondente, evitando confusões quando a empresa ampliar seu catálogo.
Para quem está começando, o caminho mais organizado é definir quais mercadorias precisam de identificação, obter a numeração adequada e cadastrar cada item com atenção.
Depois disso, basta gerar as imagens dos códigos de barras, conferir a qualidade da impressão e manter as informações dos produtos atualizadas nos sistemas comerciais.



