Vale dos Vinhedos aprova 21 novos vinhos

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O ano termina como um dos mais significativos para a vitivinicultura gaúcha, isso porque dos 21 vinhos avaliados em 2018 como candidatos a receber a Denominação de Origem (DO) Vale dos Vinhedos, única em vinhos no Brasil, todos foram aprovados. Desde a criação da DO, em 2012, é a primeira vez em que isso acontece.

“Este resultado se reflete na taça: teremos produtos de excelente qualidade em breve no mercado”, salienta Daniel de Paris, presidente do Conselho Regulador da DO Vale dos Vinhedos, no encerramento da sessão de degustação da safra de 2018. Entre os aprovados estão vinhos tintos, brancos e espumantes.

Para Jorge Tonietto, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho e que lidera pesquisa relacionadas às indicações geográficas de vinho tinto, as degustações ao longo destes últimos anos evidenciaram que os produtores conseguiram consolidar um padrão de qualidade elevado dos vinhos, que expressam as características do terroir do Vale dos Vinhedos. “O advento das indicações geográficas de vinhos no Brasil mostra que o país inovou de forma original e diferenciada em relação aos países produtores de vinho do novo mundo”.

Jorge Tonietto, da Embrapa Uva e vinho – Foto/divulgação

Os produtos que receberão a DO da safra 2018 vieram de nove vinícolas: Pizzato Vinhas e Vinhos, Peculiare Vinhos Únicos, Terragnolo Vinhos Finos, Casa Valduga, Vinícola Dom Cândido, Vinhos Larentis, Vinícola Almaúnica, Miolo Wine Group e Vinhos Don Laurindo.

De acordo com Tonietto, antes dos testes sensoriais, os vinhos passam por uma série de etapas, todas obrigatórias, como a comprovação da origem da uva, a qualidade da fruta e o atendimento do uso de variedades autorizadas, por exemplo. Os requisitos estão todos previstos no regulamento de uso da Denominação de Origem Vale dos Vinhedos.

O processo se inicia com o envio, pela vinícola associada, do formulário de declaração da safra, com os dados atualizados. Depois, a instituição deve comprovar, por documentação, a procedência da uva – a rastreabilidade deve mostrar que a fruta foi colhida no Vale dos Vinhedos.

São recolhidas amostras dos vinhos inscritos, com as garrafas identificadas apenas por códigos. As amostras são encaminhadas para os laboratórios da Embrapa Uva e Vinho, onde são realizadas as análises físico-químicas, e, ainda, para o Laboratório de Referência Enológica do Estado do Rio Grande do Sul (Laren-RS), onde são avaliados os isótopos estáveis de carbono. Só depois é que se realiza a avaliação sensorial dos vinhos.
Destaque: Vinícola Miolo