17/01/2018

Galeria

Propaganda do Estado Novo

Há 80 anos, o Brasil começava a viver um período de ditadura. No dia 10 de novembro de 1937, o presidente Getúlio Vargas anunciou o Estado Novo. Alegando a existência de um plano comunista para a tomada do poder (o chamado Plano Cohen) Vargas fechou o Congresso Nacional e impôs ao país uma nova Constituição, de tendência fascista. Vargas impôs a censura aos meios de comunicação, reprimiu a atividade política, perseguiu e prendeu inimigos políticos, adotou medidas econômicas nacionalizantes e deu continuidade a sua política trabalhista.

Na comunicação, a ação mais marcante foi a criação, em 1939, do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP),com o objetivo de difundir a ideologia do Estado Novo junto às camadas populares. Mas sua origem remonta a um período anterior. Em 1931 foi criado o Departamento Oficial de Publicidade, e em 1934 o Departamento de Propaganda e Difusão Cultural (DPDC). Já no Estado Novo, no início de 1938, o DPDC transformou-se no Departamento Nacional de Propaganda (DNP), que finalmente deu lugar ao DIP.

O DIP foi uma das estruturas fundamentais para a manutenção da ditadura varguista, sendo que a propaganda nacionalista desenvolvida por ele foi responsável por difundir a imagem do progresso e do desenvolvimento associados diretamente à figura de Vargas. A valorização da imagem do líder é uma das características dos regimes fascistas, assim como dos governantes populistas.Cabia ao DIP coordenar, orientar e centralizar a propaganda interna e externa, fazer censura ao teatro, cinema e funções esportivas e recreativas, organizar manifestações cívicas, festas patrióticas, exposições, concertos, conferências, e dirigir a radiodifusão oficial do governo. Essa estrutura altamente centralizada permitia ao governo exercer o controle da informação, assegurando-lhe o domínio da vida cultural do país.

Na imprensa, a uniformização das notícias era garantida pela Agência Nacional, que as distribuía gratuitamente ou como matéria subvencionada, dificultando o trabalho das empresas particulares. A Agência Nacional praticamente monopolizava o noticiário, fornecendo cerca de 60% das matérias publicadas na imprensa, destacando a organização do Estado e os valores nacionalistas.

No rádio, o programa oficial “Hora do Brasil” era transmitido para todo o território nacional. Outra realização do DIP foi o “Cinejornal Brasileiro”, de exibição obrigatória antes das sessões de cinema, que fazia a crônica cotidiana da política nacional.

Entre 1939 e 1942 o DIP esteve sob a direção de Lourival Fontes, que já dirigira o DPDC e o DNP. Seus sucessores foram o major Coelho dos Reis, de agosto de 1942 até julho de 1943, e o capitão Amilcar Dutra de Menezes, que atuou até a extinção do DIP, em maio de 1945.Estado Novo 2

Recomendados