28/07/2017

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O povo tomou as ruas vestido de preto, acelerando o sepultamento da Era Collor

Fernando Collor chegou à presidência da República em 1989, ao derrotar Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da primeira eleição direta desde a de Jânio Quadros, em 1960. O Brasil vinha de 21 anos de ditadura militar, mais cinco do governo José Sarney que, além de escolhido de forma indireta pelo Congresso, seria um inofensivo vice, caso uma bactéria não tivesse mudado a história do País ao matar Tancredo Neves antes da posse. Collor tornou-se inquilino do Palácio do Planalto aos 40 anos – o mais jovem a assumir o cargo – graças a um discurso independente e agressivo. Carioca de nascimento, vinha do governo de Alagoas, onde se tornara conhecido como “caçador de marajás” em função da luta contra os salários exorbitantes da alta burocracia.

Muitos consideram que a revista Veja contribuiu, voluntariamente ou não, para transformar o até então desconhecido Collor, candidato pelo nanico PRN (Partido da Reconstrução Nacional), em uma celebridade política capaz de seduzir milhões de eleitores. Mas, quem assopra, também morde, e a capa mais icônica acabou sendo a da edição extra sobre queda de Collor, publicada em 30 de setembro de 1992, dia seguinte a sua renúncia – que não o livrou do impeachment –, com um título tão singelo, quanto significativo: “Caiu!”. Chefe de um bando que assaltou os cofres públicos, acossado pela imprensa e sem apoio político, apelou para que o povo fosse às ruas de verde e amarelo para defendê-lo da “tentativa de golpe”. O povo tomou as ruas, mas vestido de preto, acelerando o sepultamento da Era Collor.

O PT, que encorpou o coro contra Collor, é quem se vê acuado desta vez. O enredo é semelhante, embora os valores desviados agora sejam imensamente maiores. Uma diferença fundamental é que a presidente Dilma Rousseff tem o que Collor não tinha: um Estado aparelhado, um partido bem estruturado e militantes com fervor religioso. Mesmo assim, pode ter o mesmo destino do agora aliado. Caso isso aconteça, Veja só terá de mudar o retrato e os nomes dos personagens, pois o resto todo se encaixa.

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