24/09/2017

Galeria

O Bebê-Diabo do Notícias Populares

Fala-se muito hoje de notícias falsas, mas a prática não apenas é antiga como chegou a ser incentivada por alguns veículos. No Brasil, o caso mais célebre foi o do Bebê-Diabo, noticiado pelo extinto jornal Notícias Populares, de São Paulo.

Em maio de 1975, um boato começou a circular na Grande São Paulo que, em um hospital de São Bernardo do Campo, havia nascido o “filho do diabo”. O Notícias Populares enviou o repórter Marco Antônio Montadon foi enviado ao local, e descobriu que o tal “anticristo” nada mais era do que uma criança que havia nascido com um prolongamento no cóccix e duas pequenas protuberâncias na cabeça, que foram extraídos por cirurgia. Ele decidiu escrever apenas uma crônica de horror sobre o caso, acreditando que a notícia do nascimento de um bebê com uma deformidade não teria nenhuma relevância.

Porém, no dia seguinte, a manchete “Nasceu o diabo em São Paulo” dava título à crônica e o assunto tomou um rumo desproporcional. A história virou uma bola de neve, e o Notícias Populares bateu recordes de vendas, chegando a atingir 200 mil exemplares.

Com o sucesso da história, o jornal decidiu fazer uma série de “cascatas” fantasiosas sobre o caso. As notícias seguintes relataram de tudo, que o Bebê-Diabo infernizava as pessoas subindo em seus telhados, que pedia sangue, tocava campainhas e que até chamou um táxi no meio da noite dizendo que o destino final seria o Inferno.

O caso ficou na primeira página por 27 dias, e algumas das manchetes que foram divulgadas ao longo dos dias foram: “Bebê-Diabo inferniza padre do ABC”, “Procissão expulsará o Bebê-Diabo”, “Viu o Bebê-Diabo e ficou louca”, “Mais 7 viram o Bebê-Diabo”, “Bebê-Diabo foge para o Nordeste”, entre outras. Enquanto isso, as pessoas ligavam para a redação jurando que tinham visto o Bebê-Diabo e informando seu paradeiro.

Somente em junho o caso começou a perder destaque. Por fim, em julho de 1975, o jornal aos poucos parou de publicar notícias do Bebê-Diabo. Uma das últimas manchetes do “Notícias Populares” sobre o caso alegava que Zé do Caixão iria caçar a criatura no Nordeste. Após quase um mês de sucesso comercial e fracasso moral, a redação decidiu assassinar o assunto. Mas, com isso, conseguiram criar uma lenda urbana que sobreviveu por muito tempo na memória da população da Grande São Paulo, e um dos maiores marcos negativos na história do jornalismo brasileiro.

Diabo 1 Diabo 2

Recomendados