28/07/2017

Grandes Nomes

Joseph Pulitzer: O revolucionário do jornalismo

A formatação do modelo de negócio adotado pelos meios de comunicação em todo o mundo e a consolidação da imprensa como um quarto poder são definições que sem o faro empreendedor de Joseph Pulitzer provavelmente não existiriam. Pulitzer foi um dos jornalistas mais inovadores de todos os tempos, introduzindo uma série de medidas que impactaram na maneira como o jornalismo é feito até hoje.

 Nascido na cidade de Mako, na Hungria, em 10 de abril de 1847, Joseph Pulitzer cresceu em uma família abastada. Seu pai era um mercador de grãos húngaro e judeu, enquanto sua mãe tinha origem alemã e era católica. Seu irmão mais novo, Albert, inclusive, chegou a ser preparado para ser padre, mas nunca exerceu a profissão. Pelas boas condições financeiras dos Pulitzer, Joseph foi educado em escolas privadas e também por tutores particulares.

Quando jovem, Joseph Pulitzer desejava seguir a carreira militar. No entanto, por sua saúde frágil e seus problemas de visão, acabou sendo rechaçado pelo exercito austríaco. Com isso, mudou-se para os Estados Unidos, com o objetivo de lutar na Guerra de Secessão. Após o conflito, instalou-se em Saint Louis, em 1868. Trabalho em atividades diversas até receber um convite para fazer parte da equipe de um jornal de língua alemã, o Westliche Post. Incansável, trabalhava desde às 10h da manhã até as 2h da madrugada, tinha o hábito de escrever compulsivamente e ia aonde fosse necessário para conseguir as informações para as suas matérias.

Em 1872, com um Westliche Post à beira da falência, Pulitzer assumiu o controle do negócio e a publicação ganhou vitalidade. Seis anos depois, adquiriu o outro jornal da cidade, o St. Louis Dispatch por 2,7 mil dólares. Pulitzer resolveu fundir os dois veículos, criando assim o St. Louis Post-Dispatch. Começava sua incursão como um bem-sucedido empresário da mídia.

Em uma época em que as publicações costumavam ter cunho político-partidário, Pulitzer resolveu mudar essa situação. O seu jornal investia em um jornalismo investigativo e os editoriais eram implacáveis com a corrupção do governo, com os ricos que sonegavam impostos e os apostadores. Curiosamente, Pulitzer chegou a fazer algumas tentativas para entrar na política. Chegou a ser eleito para a Assembleia do Estado de Missouri, em 1869, e para a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, em 1885. Porém, renunciou depois de poucos meses no cargo, por não se sentir realizado.

Pulitzer tinha como meta tornar-se uma espécie de porta-voz do homem comum através das páginas do jornal. Dessa maneira, mudou a forma como os conteúdos eram publicados, classificando-os por temas e priorizando matérias de interesse público. O motivo dessa transformação era simples: quanto mais as pessoas se interessassem pelas matérias publicadas, mais publicidade o jornal conseguiria vender. A tática foi bem-sucedida, já que o St. Louis Post-Dispatch manteve um aumento contínuo em sua tiragem.

Sua intensa rotina de trabalho estava debilitando ainda mais a sua saúde, mas nem mesmo a piora do problema de visão o fez diminuir o ritmo. Em 1883, Pulitzer, acompanhado de sua esposa, foi a Nova Iorque para pegar um navio rumo a Europa. A ideia era passar férias e se distanciar da rotina na redação, cumprindo uma recomendação médica. No entanto, ao invés de embarcar, aproveitou para conhecer Jay Gould, dirigente do jornal The New York World, e negociou a aquisição do jornal, que se encontrava em uma situação financeira delicada.

 Pulitzer revolucionou o The World, aplicando as mesmas técnicas que utilizava no St. Louis Post-Dispatch. O jornal incorporou críticas à corrupção do setor público e às más práticas do setor privado, além de inserir colunas com um toque sensacionalista e ilustrações. A publicação ainda fez uma forte campanha para o levantamento de fundos públicos para a construção de um pedestal na entrada do cais de Nova Iorque para que pudesse abrigar a Estátua da Liberdade, que até então estava na França à espera de envio.

 A fórmula funcionou tão bem que a tiragem do The World se expandiu rapidamente até atingir os 600 mil exemplares diários, tornando-se a maior entre todos os jornais dos Estados Unidos. O sucesso de Pulitzer fez com que os concorrentes contra-atacassem. O empresário Charles Anderson Dana, publisher do The Sun, também de Nova Iorque, começou a fazer uma série de ataques pessoais a Pulitzer em sua publicação. O Sun chegou a publicar uma matéria intitulada “O judeu que negou sua raça e religião”, no intuito de que a comunidade judaica deixasse de ler o jornal de Pulitzer.

Aos 43 anos de idade, com a saúde já debilitada, praticamente cego e com uma sensibilidade a ruídos, Pulitzer se afastou da edição do The World. A situação o levou a uma profunda depressão, já que durante boa parte de sua vida havia se dedicado ao jornalismo. Ele tentou buscar a cura para suas doenças em diferentes lugares do mundo, mas não a encontrou. Nas duas décadas seguintes, dedicou-se a defender valores que considerava fundamentais, como a liberdade de imprensa. Na medida do possível, procurou manter-se na gestão dos seus jornais. Para garantir a confidencialidade de suas conversas relativas aos negócios criou uma série de códigos, que preenchiam um livro com mais de 20 mil nomes e termos.

Por volta de 1900, Pulitzer foi o responsável indireto pela criação de um dos formatos de jornal mais conhecidos no mundo, o tabloide. Ele contratou um jovem jornalista inglês chamado Alfred Harmsworth para desenvolver uma edição especial, na virada do século. Harmsworth teve total autonomia para trabalhar na publicação e, assim, decidiu reduzir o formato para algo mais aproximado a um livro. Essa formatação viria a ser copiada por um sem-fim de jornais em todo o mundo.

O The World se consolidou como uma publicação de destaque, aquecendo o debate público sobre os temas do momento nos Estados Unidos. Reportagens do jornal influenciaram a criação de uma série de legislações antitruste e na indústria de seguros. Em 1909, a publicação expôs o pagamento ilegal de 40 milhões de dólares feito pelo governo estadunidense à companhia responsável pela construção do Canal do Panamá. As reportagens despertaram a fúria do então presidente Theodore Roosevelt e do banqueiro J.P. Morgan, entre outros, que pediram retratação na justiça. A corte decidiu favoravelmente a Pulitzer e o jornalista foi aplaudido pelos presentes no tribunal.

Por anos, um dos principais objetivos de Pulitzer era criar um espaço dedicado à formação de profissionais da imprensa. Para isso, em 1892, procurou o presidente da Universidade de Columbia, Seth Low, e manifestou sua intenção em financiar a criação da primeira escola de jornalismo no mundo. A proposta foi negada pela universidade naquele momento, mas o empresário e jornalista não desistiria da iniciativa. Em 1902, com a ascensão de Nicholas Murray Butler à presidência da instituição, Pulitzer fez uma nova tentativa. Dessa vez, a ideia foi aceita. Além da faculdade, a ideia era instituir um prêmio que reconhecesse a excelência do trabalho jornalístico. Assim, deixou 2 milhões de dólares à universidade em testamento, o que permitiu, em 1913, a inauguração da Columbia University Graduate School of Journalism, uma das mais importantes escolas de jornalismo do mundo até hoje. A faculdade, entretanto, acabou não sendo a primeira. Esse posto foi ocupado pela Universidade de Missouri, também nos Estados Unidos.

Joseph Pulitzer faleceu em 1912 e, portanto, não viu a criação da faculdade e tampouco a do prêmio que leva o seu nome e que se consolidou como a principal distinção do jornalismo mundial. O Prêmio Pulitzer foi criado em 1917 e tem em sua comissão julgadora acadêmicos e executivos da imprensa. Além do jornalismo, também premia os destaques da literatura e da música. Os vencedores recebem um certificado e 10 mil dólares. Já o vencedor da categoria Serviço Público em Jornalismo recebe, além dessas recompensas, uma medalha de ouro.

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