17/01/2018

Opinião

Alberto Meneghetti: O Sorriso da Mona Lisa

Olhe ao seu redor, ao caminhar na rua, dentro da lotação, no ônibus, no metrô.Me dei conta que, provavelmente,umas 90% das pessoas estejam atentas ao seu smartphone, já que este onipresente mini-computador contém, hoje, toda a informação necessária para seu dia-dia e acesso direto a seus familiares e conhecidos. Para o final de 2017, o número projetado pela FGV de smartphones no País é de 208 milhões de aparelhos. E também, podem acreditar que uns 90% destas pessoas estejam dando uma conferida no seu WhatsApp, ferramenta de comunicação número 1 preferida pelos usuários, pelo menos aqui no Brasil.

E, dias atrás, eu comecei a reparar as expressões de meio-sorriso – à la Mona Lisa – que a maioria dos usuários faz, sem perceber, ao receber e enviar mensagem pelo aplicativo. E concluí queesta interatividade digital,com as pessoas que mais curtimos,certamente melhora as relações sociais, traz uma recompensa emocional, aumenta a auto-estimae ameniza um pouco o isolamento urbano e o cada-um-por-si característico das grandes cidades à qual somos todos submetidos.

Claro que isso é olhar o copo meio cheio da dependência exagerada que todos temos desta traquitana, que é uma verdadeira extensão do nosso braço. Pesquisa global realizada pela A10 Networks, empresa de serviços de aplicações seguras, entrevistou 2 mil pessoas no mundo entre profissionais de negócios e TI em dez economias, incluindo o Brasil, e descobriu que as pessoas já não conseguem viver mais sem seus aplicativos.

Nesta pesquisa, 58% dos brasileiros afirmaram acreditar que aplicativos são igualmente importantes ou tão importantes como água, comida e abrigo. Além disso, os participantes do estudo declararam que preferem perder as calças e as chaves do carro do que perder seus smartphones. Pode?

Vejamos: Temos ali nossa imensa rede de contatos, pessoais e profissionais, alcançáveis instantaneamente, seja por voz, video ou mensagens, temos nossos bancos virtuais que possibilitam efetuar qualquer operação bancária imaginável, acessamos nossos GPS ambulantes que não nos deixam perdidos no mais longínquo lugar do mundo, reservamos passagens e hotéis em segundos, conferimos o tempo e podemos visualizar nossa casa através de câmeras de segurança online. Além de poder jogar games de todos tipos, como o viciante CandyCrush.

Afinal, são 5 milhões de apps disponíveis para resolver qualquer parada.

Mas temos também o lado ruim deste negócio: O uso excessivo de smartphones pode levar à depressão, estresse e insônia, de acordo com o professor de Psicologia Organizacional e Saúde da Universidade de Lancaster, Cary Cooper. Segundo ele, os aparelhos oferecem uma saída passiva onde o usuário não precisa interagir com o mundo ou enfrentar os problemas.

A conclusão é que aparelhos eletrônicos e a própria internet não são bons nem maus, depende do uso que fazemos deles. Queremos todos um uso mais consciente das tecnologias conectadas.

Qualquer produto que precise de um manual para funcionar está mal feito.”

 ElonMusk, CEO da Tesla e SpaceX

Dica de NETFLIX:

Mindhunter: Uma série brilhante sobre a FBI e, diferenciada, porque tem pouquíssimas cenas de violência, nem sangue e tiros durante as dez horas de série.O roteiro acompanha dois agentes do FBI focados em estudar Ciência Comportamental, no final dos anos 70. Uma edição de som primorosa, recheada com hits setentistas e efeitos sonoros que povoam cada um dos ambientes da série. Estudos de casos famosos de serial-killers, como Charles Manson, David “Filho de Sam” Berkowitz e outros são apresentados e dissecados, mostrando o modus-operandi destes notórios malucos.

Achei a série interessante demais porque Mindhunternão está preocupada em mostrar as mortes, a preparação ou o ritual do assassino, mas sim mergulhar no aspecto psicológico e tentar entender a razão que os transformou em pessoas perigosas para a sociedade.

#ficaadica

Games para adultos

 Um termo que está ficando comum nas áreas de marketing das empresas é “gamificação” (derivada de gamification, do inglês), que significa utilizar mecânicas e dinâmicas de jogos para engajar pessoas, estimular e trazer aprendizado, além de motivar ações comportamentos. Nesta época, em que uma marca, por mais famosa que seja, não consegue mais engajar o público, pensar nesta estratégia de “games para adutos”, pode ser uma ótima opção.

No conceito da gamificação, a lógica é pensar em mecânicas que permitam o incentivo das atividades: rankings, conquistas, recompensas.

Quando o Waze premia seus usuários fiéis com badges (conquistas),o McDonald’s se utiliza do jogo Monopoly para dar prêmios instantâneos e a Gerdau passa a disponibilizar, em todas as suas unidades industriais do mundo, uma atividade em realidade virtual, é uma aposta na gamificação.Um caminho sem volta.

Cannes Lions 2018

O mercado chiou e Cannes mudou. Na edição deste ano, a terceira consecutiva que a Revista Advertising cobriu, muitas foram as vozes do mercado que se levantaram contra a heterogeneidade do Festival, que se tornou grande demais, caótico demais. Enfim, depois da quase debandada dos grandes grupos, que se manifestaram publicamente sobre contra o formato atual, o Grupo Ascential, dono da marca, resolveu reformatá-lo, deixando-o mais enxuto e mais difícil a caça aos Leões. Mas a melhor mudança, a meu ver, foi a que definiu que trabalhos de cunho social serão julgados separadamente, e entregues separadamente, totalmente destacados dos demais trabalhos. A intenção é valorizar mais os trabalhos que fazem diferença nos negócios das empresas. E isso é o que vale, afinal de contas.

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