17/01/2018

Galeria

A Pessoa do Ano da revista Time

É tradicional nos meios jornalísticos que, com a chegada de dezembro, sejam feitas retrospectivas, matérias ou programas que lembram os fatos importantes transcorridos durante o ano. Um dos veículos que começou essa tradição foi a revista Time.

Em 1927 – ou seja, há 90 anos – a revista passou a publicar uma edição que dá destaque a quem os editores consideram ter sido a pessoa mais importante no ano que transcorreu. Mas essa tradição começou como uma solução para resolver um embaraço. Em maio daquele ano, o aviador Charles Lindbergh realizou o primeiro voo sem paradas entre Nova York e Paris, atravessando o Oceano Atlântico. Com o feito, Lindbergh se tornou uma celebridade, mas a Time deixou de fazer uma matéria de capa sobre ele, perdendo espaço para os concorrentes. No fim do ano, os editores decidiram fazer uma matéria principal chamando Lindbergh de “O Homem do Ano”, a fim de remediar o erro anterior.

O termo “Pessoa do Ano” passou a ser adotado apenas em 1999. Até então, usava-se “Homem” ou “Mulher do Ano”, conforme o sexo do escolhido. Mas nem sempre o título foi dado para indivíduos. Pares de pessoas, como casais e oponentes políticos, grupos (como soldados, cientistas, pacificadores e outros) e até mesmo o computador (“Máquina do Ano”, em 1982) e a “Terra Ameaçada (“Planeta do Ano”, em 1988) já foram selecionados para a edição especial. Uma decisão criticada foi a escolha de “Você” para a edição de 2006, representando a maioria das pessoas com o avanço da era da informação, com o uso da Internet.

A designação como Pessoa do Ano é geralmente considerada uma honra, devido à escolhas anteriores de indivíduos admiráveis. No entanto, a Time também já selecionou várias figuras controversas pelo impacto que causaram no mundo, como Adolf Hitler (1938), Joseph Stalin (1939 e 1942) e o Aiatolá Khomeini (1979).

Como consequência da reação negativa do público pela escolha de Khomeini como Homem do Ano em 1979, desde então a Time tem evitado escolher figuras que são controversas nos Estados Unidos. Um exemplo foi em 2001, quando o prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, foi a Pessoa do Ano após os ataques de 11 de Setembro às torres do World Trade Center. Na mesma edição foi publicado um artigo que mencionava a decisão anterior da Time de selecionar o Aitatolá Khomeini em 1979, e a recusa de escolher Adolf Hitler como a “Pessoa do Século” em 1999. O artigo deixava implícito que o terrorista Osama bin Laden, mentor dos ataques, era um candidato mais forte ao título do que Giuliani, assim como Hitler era um nome mais forte do que Albert Einstein, que foi o escolhido como Pessoa do Século.

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