24/09/2017

Galeria

A capa da The New Yorker de fevereiro critica os primeiros atos de Donald Trump

Esta é uma capa que, mesmo antes de impressa, já nasceu clássica. Preparada para a semana de 13 a 20 de fevereiro de 2017, quebrou uma tradição. Em seu aniversário, a New Yorker costuma homenagear o personagem de cartola criado há quase um século pelo editor de arte Rea Irvin, cuja pena também esboçou o logotipo ainda hoje utilizado. Nos 92 anos da publicação, em vez de uma referência ao cavalheiro de cartola observando uma borboleta através de um monóculo, que ilustrou o número 1 da revista, a inspiração é sombria. Optou-se pela Estátua da Liberdade com uma chama em extinção,em alusão ao governo de Donald Trump, em especial às medidas de restrição à imigração.

“Sob circunstâncias mais comuns”o personagem símbolo seria homenageado, explicou Françoise Mouly, editora de arte desde 1993, que “vazou” o layout. Desta vez, o comando da revista considerou mais apropriada a imagem escura e pouco acolhedora concebida por John W. Tomac, com o título de Liberty’s Flameout (“A extinção da Liberdade”).

“A Estátua da Liberdade e sua tocha brilhante eram a visão que costumava acolher os novos imigrantes. E, ao mesmo tempo, era o símbolo dos valores americanos. Agora parece que estamos apagando a luz”, observou o ilustrador, autor de trabalhos para The Wall Street Journal, Washington Post, Boston Globe, Village Voice, Runner’s World e ESPN.

Expressão da principal cidade de um estado onde Hillary fez quase 60% dos votos, a revista está na fileira dos veículos em choque com o novo presidente americano. A trégua inicial durou pouco, e a relação entre a Casa Branca e a imprensa se deteriorou.”Cada manhã, o sincero desejo de ‘dar-lhe uma chance’ morre um pouco mais”, escreveu o editor, David Remnick.

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