21/10/2017

Grandes Nomes

Robert Capa – Um fotógrafo no front

Robert Capa tornou-se um dos maiores nomes da história da fotografia, principalmente, por estar presente em todos os conflitos bélicos relevantes da primeira metade do século XX, como a Guerra Civil Espanhola, a Segunda Guerra Sino-Japonesa, a Segunda Guerra Mundial (Londres, Itália, Dia D, libertação de Paris, Norte da África), a guerra árabe-israelense de 1948 e a Guerra da Indochina. Era na frente de batalha que ele se sentia em casa.

De origem judaica, nascido Endre Ernő Friedmann em Budapeste, em 22 de outubro de 1913, ainda na escola secundária foi fichado pela polícia vomo marxista e, em 1930, exilou-se em Berlim, onde estudou Ciências Políticas e trabalhou na maior agência de notícias alemã da época, a Dephot. No ano seguinte, destacou-se pela primeira vez no ramo que o consagraria ao fotografar Leon Trótski, durante congresso do partido em Copenhague. Mas o nazismo começava a tomar corpo na Alemanha, e aquele não era um ambiente saudável para um jovem judeu, ainda mais com simpatias pelo socialismo. Um ano antes de os nazistas ascenderem ao poder, mudou-se para Viena e, depois, para Paris.

Seu apelido na terra natal era “tubarão”, ou, “cápa” (lê-se “tsápa”) em húngaro. Com a aplicação de um “Robert” à frente da velha alcunha, nascia Robert Capa, um nome com sonoridade americana, bem mais fácil de memorizar e adequado para assinar as fotos que o levariam à fama, algo em que ele já acreditava. Mesmo assim, nada como dar uma forcinha ao destino. Além da coragem, da ousadia e do talento como fotógrafo, Capa revelou-se tambémbom estrategista de marketing. Com a namorada Gerda Taro, colega de profissão, Robert Capa se lança como um lendário fotógrafo americano, que logo se consagraria e revelaria a verdadeira origem.  Em 1936, Capa e Gerda partem para cobrir a Guerra Civil Espanhola, onde ela perderia a vida no ano seguinte. Ali ele fez sua foto mais famosa, “A Morte de um Miliciano”, até hoje envolta em polêmica.

Dois anos mais tarde Capa já atravessara o mundo para cobrir a guerra entre a China e o Japão. Voltou à Espanha em 1940 e dali rumou para os Estados Unidos, onde iniciou sua trajetória na Life, revista que sempre concedeu especial destaque à fotografia. Esteve na Inglaterra, na Itália, na Argélia, e retornou à Londres para participar do ato decisivo da Segunda Guerra Mundial, o desembarque das tropas aliadas na Normandia, conhecido como Dia D, em 6 de junho de 1944.

Encerrado o conflito mundial, em 1947 Capa ajudou a fundar a agência Magnum, tendo como parceiros David Seymour, George Rodger e o mestre dos mestres Henri Cartier-Bresson. A organização da empresa recebeu sua atenção por alguns anos, mas o chamado do front era irresistível. Robert Capa morreu na Indochina em 1954, no local onde vivera seus maiores momentos: o campo de batalha. Em 25 de maio, pisou em uma mina terrestre na província de Thai-Binh, no Vietnã. Seu corpo foi encontrado com as pernas dilaceradas. A câmera permanecia em suas mãos.

Capa - Dia D

Robert Capa desembarcou com as tropas aliadas na Normandia durante a Operação Overlord, desencadeada em 6 de junho de 1944, que se tornaria conhecido como o Dia D. Com a invasão da França ocupada a partir do Canal da Mancha, os aliados travaram a batalha decisiva para derrotar as forças nazistas de Adolf Hitler e por fim à Segunda Guerra Mundial.

 

Morte de Federico Borrell, 1936 - Robert Capa - ICP Museum

A foto “Morte de um Miliciano” ou “O Soldado Caído”, foi captada em 5 de setembro de 1936 na localidade de Cerro Muriano, no início da Guerra Civil Espanhola, publicada em 23 daquele mês pela revista francesa VU e, um ano depois, pela Time. O homem que aparece na foto seria o anarquista Federico Borrell García, mas há dúvidas sobre a identidade. Em 1970, Philip Knightley contestou a autenticidade da foto no livro A Primeira Baixa. Já o historiador espanhol Miguel Pascual defende a tese de que se trata de uma montagem. Outros acreditam que a foto foi feita por Gerda Taro, e não teria sido produzida em Cerro Muriano, cuja paisagem é diferente, mas em Espejo. Além disso, a distância entre as forças em conflito não permitiria a ocorrência da cena. Capa não costumava legendar suas fotos ao despachar para os editores, e os negativos nunca foram encontrados.

FRANCE. Near France. August, 1949. Henri Matisse in his studio,

Esta é uma imagem sem contestação: Capa retratou Henri Matisse em seu atelier, em agosto de 1949.

 

 

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