Opinião

J.L. Prévidi: O empoderamento da Revolução

Não sei se já existe algum estudo ou mesmo uma tese de mestrado ou doutorado com o tema do título. Na dúvida, não desmereça e muito menos critique, porque nesses dias modernosos tudo é mais do que possível.

Outro dia, o José Simão escreveu que “Hoje a palavra é empoderamento. Que eu não sei direito o que é, mas apoio! Rarará!”. Aliás, nem o corretor reconhece – grifa em vermelho e não tem jeito de tirar. Se o Simão não sabe, imagina eu. Já tentaram me explicar, mas não tem jeito. É mais ou menos como “concertação” (esta o corretor se nega a aceitar, também).

Agora, imagina o empoderamento da revolução. Ainda bem que mudei, porque ia colocar como título “O empoderamento da concertação”. Alterei quando soube qual é a principal matéria da Press dessa edição comemorativa.

Olha, já estudei várias revoluções. Na Filosofia da UFRGS passei um semestre ouvindo as histórias da Revolução Francesa. Tinha um prazer imenso em ouvir a professora falando e, por isso, não anotava nada, enquanto os colegas escreviam freneticamente. O resultado foi que me dei mal na única prova – contei a história da História, guri metido a jornalista, e a mestra não gostou da descontração.

Depois também li bastante sobre a Revolução Russa, para não perder discussões no tempo das faculdades.

Tentei até entender os milicos de 1964.

E sempre cheguei a mesma conclusão, que jamais tive coragem de externar: O poder é uma maravilha! Nada mais do que isso. Em todas as revoluções os objetivos são lindos e visam sempre o bem estar dos pobres e oprimidos.

Sei.

Mas eu tenho uma imagem ótima de revolução.

Olha só.

O sujeito sabe que tem uma reunião importantíssima no início da tarde. Aí almoça logo depois do meio dia para não se afobar. Come bastante uma mistureba danada num desses restaurantes de buffet. Toma duas cocas de latinha. Instalado na reunião, logo depois dos primeiros 20 minutos começa um ronco na barriga. No início, imperceptível para os vizinhos; pouco depois, o cara recebe um discreto olhar do vizinho da direita. A barulheira aumenta e sente que os gases pedem passagem. Suor frio na testa e no bigode. Não pode sair da sala. Mas não tem jeito. Antes que o pior aconteça, pede licença e sai que é um raio.

Vai me dizer que isso não é uma revolução de verdade? Isso é uma verdadeira revolução!! Só tenho dúvida se intestinal ou estomacal.

Ah, revoluções.

Não me venham com elucubrações. É tudo cascata. Os mentores sempre têm interesses, acima daquilo que divulgam. Ou alguém acredita que os opositores do Maduro, na Venezuela, querem a salvação “del sofrido pueblo” ou o poder? Los dos!

Há 17 anos o Julio me chamou para editar uma revista nova,  a Press. Não lembro, mas devo ter dito: “vamos revolucionar o mercado editorial!”. Tudo bem, até poderia ter esse objetivo TAMBÉM, mas queria ganhar uns pilas decentes – e foi o que aconteceu.

Bah, não foi mole. Começamos uma revolução midiática do zero, sem a menor idéia do que teria que ser feito. Tínhamos uma referência apenas, a revista Imprensa, que era editada em São Paulo. Nada mais. Lembro que o Julio chegou a sugerir a criação de um “conselho editorial”. Tirei da cabeça dele, com um argumento revolucionário: “Vamos arrumar sarna pra nos coçar, é só para encherem o nosso saco!”.

A Press foi uma revolução no morno mercado editorial gaudério.

Uma revolução como poucas. Bem comportada, certo, mas incomodou muita gente.

E, acreditem, a Press é uma REVOLUÇÃO PERMANENTE, porque está aí há 17 anos.

(a Advertising foi lançada em 1997 e completa 20 anos neste mês de março)

Só não usa boina e não tem muita ternura.

HAHAHAHAHA!!!!!!

José Luiz Prévidi – Blogueiro (previdi.com.br) e jornalista diplomado

jlprevidi@gmail.com

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