21/10/2017

Opinião

Marco Schuster: Uma ideia para celebrar

Por enquanto, o Prêmio Press de melhor ideia de 2017 vai para Núbia Silveira . Ela organizou, com Carlos Bastos e Ibsen Pinheiro,  um almoço reunindo jornalistas com 80 anos “ou quase” para o dia 8 de abril no Copacabana. Sei, não existe esta categoria no Prêmio Press, nem sugiro que se deva criar, mas é que a cerimônia do Prêmio Press tem um clima igual a este: a oportunidade para jornalistas se reunirem, além das redações e das disputas por audiência, simplesmente para conversar. E contar histórias. Cá entre nós, somos ótimos contadores de histórias.

Os jornalistas com 80 anos “ou quase” são do tempo do linotipo, do rádio a válvula, da TV ao vivo, inclusive comerciais, noticiário e telenovela. É a geração anterior ao,  e vítima do,  golpe militar de 1964. Souberam ser profissionais corretos ( e militantes da democracia) quando a regra era calar-se, quando não dedurar os divergentes.

É um almoço para entrar tarde adentro.  Não sei se programaram a instalação de microfones discretos e eficientes para captar tudo o que for falado. Bastos contando a história do cara que dormiu na redação e acordou achando que estava cego. Ibsen recordando seu tempos de Última Hora carioca e o caso do redator que para de escrever e pergunta se “hospícios é com agá?”. Depois da resposta positiva, ele entrega a matéria descrevendo que uma ação foi realizada “sob os hospícios” da entidade X. Convivi em redações com os dois. Têm histórias e mais histórias.

Sou um cara de sorte. Por que também convivi com outros desta geração. Walter Galvani, que revolucionou a Folha da Tarde nos anos 60, é outro mestre na arte. Vendeu pastéis na rodoviária (com Ruy Carlos Ostermann, confere?).  Mais um rico contador de histórias:  Batista Filho, o primeiro funcionário da primeira emissora de TV do Rio Grande do Sul, em 1959, a  TV Piratini, dos Diários Associados. Sérgio Reis é dessa época e tem até livro sobre os primórdios da TV.

Olheirinho Lauro Quadros é outro que sabe muito de bastidores. Muito ri com ele.  Carlos Koleckza, do Jornal do Dia, da Última Hora, da Zero Hora, da revista Sul e do Denúncia, o jornal que contrariava todas as teses.

A iniciativa vem em boa hora. Núbia não pertence a nenhum clube do ódio, sim ao grupo dos solidários, dos que buscam informação, dos que procuram entendimento, uma apaixonada pela literatura, pela diversidade, pelo acordo. Pela distensão num momento tão duro. Ela está dando um exemplo positivo do poder das redes sociais, que ultimamente só estão sendo lembradas pelas fake news, coisa que o jornalismo já passou,  conhece muito bem e sabe como superar. É só querer.

É preciso que os jornalistas voltem a se entender como grei, como um grupo profissional com divergências, antagonismos, mas com interesses e assuntos comuns e corriqueiros.

Nos últimos 20 anos, a Press Advertising testemunhou as mudanças na comunicação. É uma revista do tempo da TV cores, do controle remoto, do início da internet, das redes sociais. Com o compromisso de reverenciar o passado, viver o presente e instigar o pensamento pelo futuro. Mas, sempre, descontraidamente, pensar e repensar, o jornalismo, a publicidade, a comunicação e celebrar nossas divergências e nossa amizade.

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