20/08/2017

Opinião

Julio Ribeiro: Boa leitura!

Ao escrever sobre os 20 anos da revista PRESS ADVERTISING é forte a tentação em falar do passado, porque duas décadas é uma eternidade nos dias de hoje.

O mundo — como diria a Carla Perez (a gurizada nem sabe quem é) — deu uma volta de 360º. Quanta coisa surgiu neste tempo. Banda larga, wi-fi,  smartphones, pen drives, o Google (como vivíamos antes dele?), Youtube, Facebook, Twitter e todas as demais redes sociais que usamos atualmente, Netflix e todos os serviços de streaming, Skype, Messenger, Whatsapp e outros aplicativos de comunicação (surgiram os aplicativos!), os tablets, os super computadores na mesa de casa, os serviços de geolocalização, o Uber, Cabify e outros quetais.

Isso tudo só para ficar na tecnologia mais usada no cotidiano de qualquer um de nós. Mas, todas as áreas do conhecimento humano foram, também, impactadas de forma contundente e radical por novas tecnologias. O comportamento humano e as relações sociais, igualmente, mudaram muito nesses 20 anos.

Então, eu poderia escrever sobre todos os esses instantes da permanente mudança que a revista vivenciou, testemunhou e registrou desde a sua primeira edição, em março de 1997.

Poderia discorrer sobre as transformações profundas que a indústria da comunicação experimentou neste período. A publicidade e as agências de não são mais as mesmas, definitivamente. O negócio da propaganda mudou e nunca mais será o que foi até os anos 90. A imprensa a mesma coisa, os veículos tiveram que se ajustar, reinventar e ainda um tanto tontos buscam um novo modelo de negócio que viabilize a produção de conteúdos que os diferencie no mar de noticias falsas que se propagam no mundo (as fake news sempre existiram, mas atualmente elas assumiram o caráter de pandemia).

Ou então, tratar aqui do futuro, tentando antever as novas mudanças que, certamente, virão avassaladoras nos próximos 20 anos. Algumas delas já em fase de teaser, como os carros autônomos, a realidade aumentada, a internet das coisas, e por ai vai. Mas isso, de alguma forma já tratamos na matéria de capa da AD.

Poderia escrever sobre tudo isso. E acabei escrevendo (risos). Mas, gostaria de tratar, especialmente, desta edição. Porque ela é representativa de tudo o que tentamos ser e fazer nesses 20 anos e que pode ser resumido em inovação permanente (projeto aberto, sempre em versão Beta), respeito ao passado e olhar no futuro, e produzirmos conteúdo relevante para nossos leitores.

Então, circulamos com um novo projeto gráfico — o sexto em 20 anos —, que junta o clássico e o moderno, valorizando ainda mais os textos e estimulando a leitura e com pautas que olham para trás e para frente com a mesma seriedade e serenidade, sem paixões e sem verdades absolutas.

Na Press, inauguramos o registro histórico de grandes efemérides, com a reportagem sobre os 100 anos da Revolução Russa, iniciada em março de 1917 com a deposição do czar Nicolau II. Como se deram os fatos e como a imprensa mundial e brasileira analisou e informou o que acontecia no leste europeu, há um século.

Na AD, nosso olhar é para o que está começando a despontar como a grande novidade nas relações de consumo no mundo, a radicalização do marketing one-to-one, proporcionada pela convergência de várias tecnologias que colocam o indivíduo no centro, de fato, das decisões de compra. Ambas as reportagens de capa trazem a assinatura do competente Marco Schuster, que foi editor da Press Advertising por dez anos.

Mais uma vez fico feliz de escrever a expressão que caracterizou grande parte dos meus artigos nesta revista nesses 20 anos e que, ao mesmo tempo, soam como um convite e uma constatação: boa leitura!

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