21/10/2017

Matéria de capa

100 anos da Revolução Russa

Pouca gente fora da Rússia sabia o significado da palavra “bolchevique” no início de 1917. Bolchevique, também, era o nome de uma fração de um pequeno partido de esquerda da Rússia. No final do ano, tornou-se um substantivo próprio conhecido em todo o planeta.

O mundo estava tenso por uma guerra iniciada em agosto de 1914, e depois da Batalha de Verdum, que matou mais de 700 mil, entre fevereiro e dezembro de 1916, e da Batalha de Somme, entre julho e novembro, com mais de 1 milhão de mortos, ambas em território francês, não havia mais ilusões sobre uma guerra rápida e de poucas baixas (a população mundial era de aproximadamente 1,8 bilhão). Duas batalhas entre a Tríplice Entente, a união de França, Inglaterra e Rússia, e a Tríplice Aliança, formada por Alemanha, Itália e Império Austro-Húngaro.

Mas na Rússia estava acontecendo alguma coisa além da guerra. Às vezes, “alguma coisa” entra no noticiário, como aconteceu no jornal A GAZETA, de São Paulo, no dia 24 de janeiro, na página 8: “Informações precedentes de Berlim dizem que está iminente uma revolução na Rússia”, (grafia atualizada, estilo mantido). Era uma das notas sob o título geral A GUERRA EUROPEIA.

O concorrente Correio Paulistano, na capa da edição de 25 de janeiro, discordou, sob a cartola A GUERRA EUROPÉIA: “Não passa de uma intriga a notícia de estar iminente uma revolução na Rússia”.

Algumas linhas abaixo, porém, discordou de si mesmo: “A RÚSSIA ESTÁ PRESTES A CONVULSIONAR-SE

Nova York, 24 de janeiro – A United Press, em despacho de seu correspondente em Berlim, diz que está iminente uma revolução na Rússia.”.

Expressões como “revolução russa”, “revolução na Rússia”, não eram novidade. Foram usadas em 1905, quando uma revolta obrigou o Czar Nicolau II a ceder um pouco o absolutismo e criar um parlamento, chamado Duma, com integrantes eleitos pela população. Também surgiram os sovietes (palavra russa para conselhos) organizações autônomas de trabalhadores e soldados.

A guerra impediu maior aprofundamento jornalístico na excelente pauta que havia nas ruas de Petrogrado (hoje São Petersburgo, então capital do país) e Moscou, com manifestações contra a guerra e contra o czar, promovidas por uma multiplicidade de partidos. Um desses, era o Partido Operário Social Democrata Russo (POSDR), marxista, com várias correntes, das quais duas se destacaram: bolcheviques e mencheviques, nomes surgidos após uma votação  sobre organização partidária e forma de implantação do socialismo num congresso em 1903. Venceu a tese liderada por Vladimir Lênin (partido com estrutura centralizada, sem fazer alianças com outros partidos), e por isso seu grupo passou a se chamar bolchevique. A minoria,  liderada por Julius Martov, ficou conhecida internacionalmente como menchevique.

Era um partido pequeno, mas ativo, e muito perseguido. Esse congresso de 1903, por exemplo, foi realizado na Bélgica, já que seus principais dirigentes estavam exilados.

Nem no exílio sossegavam e tinham sossego. Em 16 de janeiro de 1917, o colunista do The Washington Herald publicou a frase “O advogado da paz Leon Trotsky foi expulso de mais um país. Bem, atenção a este nome”. Trotsky era do POSDR, mas não pertencia a nenhuma das duas correntes Depois de expulso da Espanha (antes, da França) chegou dia 13 de janeiro em Nova York. Foi lá que ele leu, no Bronx, onde morava, o manchetaço do The New York Times, em 16 de março:

REVOLUÇÃO NA RÚSSIA; CZAR ABDICA; MICHAEL FEITO REGENTE, IMPERATRIZ ESCONDIDA; GENERAIS PRÓ-GERMANOS MASSACRADOS. Em caixa alta, com ponto e vírgula, seguida de fotos do czar, seu filho hemofílico Alexis, seu irmão mais novo, Michael, e Michael Rdzianko, presidente da Duma. O jornal entendeu a grandeza do momento e num texto de duas colunas na capa que continuou até a metade da segunda página, resumia os acontecimentos de uma semana. Começa afirmando: “Os sinais mais visíveis da revolução começaram na quinta-feira, 8 de março. Greves foram declaradas em várias fábricas de munição em protesto pela falta de pão”. Havia soldados nas ruas, mas tudo parecia calmo. “No sábado, entretanto, aparentemente sem provocação, as tropas receberam ordens de abrir fogo contra um grupo de manifestantes na rua Nevsky. Os soldados negaram-se a atirar, mas a polícia, enviada em substituição a eles, atirou”.

“Então, veio a cisão entre tropas e polícia”. Pelo relato do New York Times, os revoltosos estavam vencendo e conquistando adesões rapidamente. Na segunda-feira, “chegou um momento impossível de distinguir quem estava de um lado e quem estava do outro. O ponto de virada foi às 3 da tarde”. Na terça, os revoltosos cantavam a Marselhesa nas ruas e o presidente da Duma, Rodzianzko, enviou  telegrama ao czar, que estava num front de guerra: “A situação é grave. O governo está paralisado”.

O czar perde força

Naquela época, a Rússia permanecia no calendário juliano, com defasagem de 13 dias em relação ao gregoriano (ao qual ela aderiu em fevereiro de 1918). Assim, enquanto o Ocidente estava na data de 8 de março, os russos estavam em 23 de fevereiro. A manifestação programada era pelo Dia da Mulher e logo foi ampliada para outras reivindicações. Apesar de se utilizar o atual calendário para  todos aqueles eventos, ficaram consagrados os termos Revolução de Fevereiro e Revolução de Outubro, embora tenham sido em março e novembro.

Naquele 16 de março, The New York Tribune divulgou: “Russos aqui dizem que a revolução significa mais vigor na guerra”, depois de ouvir exilados na cidade e encerra o texto com uma declaração de Trotsky: “Isso está apenas começando. Os revolucionários vão organizar o movimento republicano em todo o império e criar a República russa”.

O Correio Paulistano de 16 de março noticiou a queda do czar sob o recorrente título A GUERRA EUROPEIA. “ Estalou uma revolução na Rússia – a Duma, recusando-se a aceitar um ukase (NR: ordem do Czar) imperial contendo ameaças, proclamou o governo provisório – As tropas da guarnição de Petrogrado sustentam os rebeldes. O partido reacionário, favorável aos alemães, foi derrotado.”.

Um equivalente carioca em importância ao Correio Paulistano era A Noite que tinha como um dos sócios majoritários Irineu Marinho, o fundador de O Globo anos depois. O MOVIMENTO LIBERAL NA RÚSSIA foi a chamada em duas colunas no canto direito da capa.

O TIMES, na página 6, chamou de “Um movimento para ‘ganhar a guerra’” e com precisão londrina informou:   “Guerra: 3º ano, 225º dia”.

Nasce a república russa

Em 18 de março, A Noite conta uma história detalhada:

COMO O CZAR ABDICOU

LONDRES, 18 (A NOITE) – O correspondente do “Times” de Petrogrado conta, num despacho aqui recebido de madrugada:

“O Czar Nicolau assinou sua abdicação em Pskov, quando, do trem que se dirigia das linhas de frente para Petrogrado, teve notícia da revolução. O trem já havia mesmo saído de Pskov, quando chegou a notícia da revolução triunfante”. O trem retornou à Pskov e ali esperou a comissão da Duma.

“O Czar, depois de inteirar-se da situação, manifestou o desejo de enviar fortes contingentes de tropas para Petrogrado com o fim de dominarem o movimento. Mas todos os presentes aconselharam-no a que desistisse de tal intento, por que isso iria agravar a situação.

̶ Então, que quereis que eu faça? Perguntou o imperador.

̶ Que abdiqueis, majestade . Responderam os presentes

O soberano ficou por uns instantes silencioso. Depois, disse:

̶ Pois, então abdicarei. Mas como me custa separar-me do meu filho, ele também abdicará.

Em seguida, o imperador assinou o documento, que já ia preparado.”

 A Duma foi rápida. No mesmo dia, adotou a república, “sob forma federativa, constituindo os Estados Unidos da Rússia, sob a presidência do príncipe Lvov”. O ministro da Justiça do novo governo era Alexander Kerensky, membro do Partido Socialista Revolucionário.

A primeira repercussão externa ocorreu ainda em março:   “Os boatos de desordens em Berlim e outros lugares da Alemanha provam que a revolução russa produziu um efeito perturbador dos impérios centrais.”, era uma notícia de A Noite de 25 de março.

Anúncios de reformas liberalizantes na Rússia (sufrágio universal, anistia política) encerraram o mês de março. Mas havia os desconfiados: “Os jornais norte-americanos acharam estranho que a primeira notícia da revolução russa tenha sido divulgada justamente por uma ‘agência oficiosa alemã’. Para eles, isso é prova de uma perfeita organização de espionagem alemã na Rússia”, divulgou A Noite em 18 de março.  Porém, abril traria mais surpresas ainda.

Lênin e Trotsky entram em cena

Na estação Finlândia, em São Petersburgo, há uma locomotiva a vapor, número 293, em exposição. Em 3 abril de 1917, ela puxou o trem que trouxe Lênin e outros 31 russos num vagão especial, do exterior, depois de um acordo com o governo alemão. Ao descer, Lênin fez o primeiro de seus discursos que repercutiriam no mundo, pregando uma revolução proletária e o fim da guerra. Enquanto a locomotiva fazia novas viagens, trazendo outros exilados, Lênin organizava os bolcheviques, lançou suas Teses de abril, com as diretrizes de ação política e duas palavras de ordem que rapidamente ganharam as ruas: “Pão, paz e terra” e “todo poder aos sovietes”. Esse período de março até novembro ficou conhecido como duplo poder: o da Duma e os dos sovietes, cada vez mais distantes um do outro.

A pauta russa ganhava cada vez mais atenção. Numa nota de 14 de abril, o NYT registra que o Partido Socialista defendia a continuação da guerra contra a Alemanha e que apenas um “grupo de social democratas extremistas continua criando problemas com suas publicações, Iskra em Petrogrado e A Social Democracia em Moscou”. O redator não esconde seu engajamento: “Seus temerários e inescrupulosos ataques não apenas ao governo, mas a todos os grupos socialistas, menos eles mesmos, provocaram uma saudável reação. Eles estão se isolando”.

O mesmo assunto aparece no jornal O Estado S. Paulo, em 20 de abril, na matéria de capa o “O DISCURSO DO SOCIALISTA LÊNIN. Petrogrado, 10 – (“Estado”) Os jornais criticam severamente o discurso do socialista democrata Lênin, que acaba de chegar do exílio, aconselhando o governo a solicitar a paz à Alemanha”.

Lênin alinhava-se, e em breve passaria a liderar, um ascendente discurso político inspirado nos textos de Karl Marx com forte base na Alemanha e Europa central. Partidos de esquerda da Europa mantinham, desde 1889, uma organização, chamada Segunda Internacional Socialista. A Internacional chamava a guerra de imperialista e que não interessava aos trabalhadores. Por isso, era contra. A unidade foi quebrada em 1914,  quando uma de suas principais agremiações, o Partido Social Democrata da Alemanha, aprovou no parlamento alemão a verba necessária para o país entrar em guerra. Depois dessa, o partido alemão rachou em dois, partidos de outros países saíram e a Segunda Internacional esfarelou-se em 1916.

Talvez por não acompanharem atentamente tantos detalhes, a maioria da imprensa tenha confundido uma posição histórica com colaboracionismo e traição (várias vezes Lênin foi citado como agente alemão) e não como continuidade de um discurso anterior a 1914.

Trotsky chegou na mesma estação, mas sua viagem foi mais conturbada. Partiu de Nova York em 27 de março de 1917. Mal saiu dos Estados Unidos, seu navio foi interceptado pela marinha britânica em Halifax, Canadá. Ali ficou até 29 de abril. Desembarcou em Petrogrado em 17 de maio, também fez discurso na estação, foi preso em 7 de agosto, e libertado 40 dias depois. Já unido aos bolcheviques, tornou-se presidente do Soviete de Petrogrado, em 8 de outubro.

Era um aliado importante de Lênin contra Kerensky, que desde 11 de julho era presidente do Governo Provisório.

Os dez dias que abalaram o mundo

Muitos detalhes do que acontecia na Rússia só ficaram conhecidos a partir de janeiro de 1919, quando o jornalista John Reed publicou o livro Os dez dias que abalaram o mundo. Reed era filiado ao Partido Comunista norte-americano, tinha coberto a revolução mexicana de Pancho Villa e por causa de suas ideias e ações perdeu bons empregos. Mas tinha espaço na imprensa esquerdista do país. Foi num desses jornais, The Masses, que ele escreveu, quando os Estados Unidos decidiram entrar na guerra: “A guerra significa histeria coletiva, crucificando os defensores da verdade, sufocando os artistas… Esta não é nossa guerra.”

Pouco depois, embarcou para a Rússia, que já tinha visitado em 1915. Durante a viagem, toda redação do The Masses foi detida e o jornal, fechado. Em Petrogrado, Reed, engajando-se aos bolcheviques, não esqueceu o jornalismo e entrevistou pessoas, líderes, reuniu panfletos e documentos para seu livro.

O que Reed viu foi o auge em pleno inverno, famoso pelo seu rigor, de uma crise econômica do país. O discurso em defesa da guerra perdia espaço nas ruas e no front: “ Sem o menor entusiasmo, os soldados sofriam e morriam na linha de frente. Os transportes ferroviários cessavam por falta de combustível. As fábricas fechavam suas portas. E, no auge do desespero, o povo gritava que a burguesia era responsável pelos sofrimentos do povo e pelas derrotas das tropas russas”.

Lênin tornou-se um foco do noticiário. Em 10 de maio, NYT e Washington Post anunciaram “Lenin estava desaparecido” há dois dias.  Mistério desfeito dia 22, quando o NYT publica que “o anarquista Lênin” está em Petrogrado e tinha publicado ordens aos seus seguidores.

Ao mesmo tempo, Kerensky crescia no noticiário. Em 14 de julho, já na presidência do Governo Provisório, o Post afirmava que sua “liderança atingia proporções lendárias”. Cinco dias depois, a notícia era de um tumulto em Petrogrado: “Outra manifestação de marinheiros e soldados armados, trabalhadores e mulheres aconteceu ontem na rua Nevsky”.

A situação era tão confusa que o czar voltou aos noticiários, tentando restabelecer a monarquia, sem sucesso. Em agosto, os pólos político da república russa estavam em Kerensky de um lado e Lênin de outro.  Bolchevique deixava de ser uma palavra obscura, e a suspeita de que não era uma simples troca de governo aumentava.

A Noite,  de 6 de agosto, reproduz texto do correspondente do New York Post, Hapgood, avaliando que “a revolução afetou também a Alemanha, principalmente as classes operárias”.  E acreditou que “o programa dos socialistas alemães, expresso em Estocolmo, foi útil aos aliados. A Alemanha e a Áustria-Hungria deverão permitir às nacionalidades estranhas submetidas ao seu domínio o uso de seus idiomas e de sua religião. Mas a Inglaterra deverá abandonar a Irlanda, as Índias e o Egito, dando-lhes autonomia completa. Dentro de dez anos a revolução russa terá tido maior influência no mundo que a própria guerra, por maior que seja a derrota da autocracia alemã”.   

Não acertou tudo, mas quase. Greves e revoltas na Alemanha em 1918 resultaram na queda do Kaiser, proclamação da República e fim da guerra. Em 1º de janeiro de 1919 foi fundado o Partido Comunista Alemão, em abril, os comunistas, proclamaram a República dos Conselhos em Munique, reprimida e derrubada pelo governo comandado pela social democracia.

De agosto até outubro, as notícias se tornaram cada vez mais apreensivas: “A Rússia atravessa um período de perigo mortal”, Washington Post29 de agosto. “Rebeldes abriram fogo contra as forças de Kerensky”, 12 de setembro

E o ataque brutal relatado pelo Post de 25 de outubro: “Trotsky acusa Kerensky de favorecer o Kaiser e planejar entregar a cidade aos alemães”. E completa que há “rumores de uma manifestação bolchevique e a tentativa de tomar o poder em 2 de novembro”.

Bolchevique já aparecia no noticiário, mas muitas vezes o grupo foi chamado de maximalista, provavelmente confundido com uma corrente do Partido Socialista Revolucionário, que era forte em 1905 mas pequena em 1917.

Os bolcheviques tomam o poder

A tomada do poder não foi dia 2, mas dia 8, quando os bolcheviques ocuparam o Palácio de Inverno, sede do Governo Provisório e Lênin imediatamente montou seu governo. Em vez de ministros, comissários do povo, em vez governo, soviete dos comissários do povo. Ele como presidente.

Kerensky tentou a resistência, e A Noite se entusiasmou em 16 de novembro: “Se os telegramas que nos chegam da Rússia são sempre contraditórios e confusos, se a anarquia atingiu agora ao cúmulo, uma cousa a salientar que é certa e sem dúvida tranquilizadora, é que os minimalistas em Petrogrado estão em circunstâncias de impor condições e as demonstrações de autoridade do Bolchevique têm diminuído consideravelmente”. “Cossacos desenvolvem ativamente uma tarefa de polícia, maltratando rigorosamente os leninistas”.

Mas, não. Não foi suficiente e Kerensky exilou-se em Paris, e depois nos Estados Unidos, onde viveu, combatendo os bolcheviques, até a morte, em 1970.

Enquanto combatia Kerensky, o novo governo agia no front, e dava partida de uma disputa política que centralizou o mundo no século 20. As guerras deixariam de ser religiosas, como na Idade Média, ou de ser entre nações, como na Idade Moderna, agora seriam entre sistemas econômicos. Capitalismo contra comunismo. Para sair de uma guerra entre nações, o Soviete Supremo (o governo) aceitou um acordo ruim na cidade de Brest-Litovsk, na Ucrânia, em 3 de março de 1918, mas cumpriu uma das promessas  do lema “Pão, paz e terra”.

Nasce a URSS

Em 8 de março, os bolcheviques trocaram de nome para Partido Comunista. E, para o mundo político, bolchevique não quer dizer maioria, mas comunista radical. Em junho de 1918, a Rússia entrou em guerra civil, que só terminou em novembro de 1920. Nela, além de manter os comunistas no comando do país, o Exército Vermelho, novo nome do Exército russo, apoiou comunistas de países vizinhos a tomarem o poder e constituírem sovietes.

Porém, ainda não estava totalmente montado o cenário do século 20. Isso aconteceu em 3 de abril de 1922, quando Josef Stalin elegeu-se secretário geral do Partido Comunista russo e em 30 de dezembro foi criada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) reunindo Rússia e alguns países vizinhos.

Com a morte de Lênin em 1924, os bolcheviques se dividiram em facções de ferozes inimizades e um retorno ao nacionalismo dentro da URSS.

No mundo, imprensa, analistas e políticos tinham mais um tema a estudar: o comunismo não só como teoria, mas como prática de governo. Os comunistas criaram seus partidos.

O brasileiro Astrojildo Pereira era um dos poucos que sabia o significado de bolchevique em 1917. Escreveu cartas para os jornais reclamando o tratamento da imprensa para Lênin e a revolução russa. Pouco adiantou. Em  março de 1922, participou da fundação do Partido Comunista do Brasil (então com a sigla PCB) e elegeu-se secretário geral. Em 1924, o PCB fundou o jornal A Classe Operária, como faziam os comunistas no mundo todo.

Parecia que muita coisa ia mudar no fim da Primeira Guerra Mundial.  E mudou. O impacto do ocorrido em março de 1917 na Rússia ainda pode ser sentido hoje, cem  anos depois, em todo o mundo.

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