11/12/2017

Opinião

Mario Rocha: Os donos da bola

Na edição passada da Press, a minha opinião lavada e engomada arremeteu sobre a política internacional sob o título Trumpolinagens. Uma pérola sem jaça para quem sabia o significado de trampolinagem ou assumiu buscá-lo. É, sou assim mesmo. Sempre pronto a comentários chistosos, um distribuidor de pilhérias e facécias, compilador de chacotas e zombarias distribuídas a mancheias. Metido a besta, pra simplificar. Me achando…

Pois agora, displicentemente, me arvoro em outro campinho alheio. Aquele do nobre esporte bretão. Perna de pau confesso, lustrador de banco de reserva, nem sendo dono da bola eu garantia lugar no time lá na mais tenra infância. O árbitro olha o cronômetro, nós o nosso e vai ser dado o apito inicial deste texto que começa enchendo morcilha para alcançar os 3.700 caracteres encomendados.

Tudo parece indicar que o alvo são os jogadores, não parece? Talvez alguém arrisque mencionar os cartolas que mandam e mamam, distinguindo-os dos dirigentes dedicados, zagueirões ferozes e goleiros arrojados na defesa do que há de mais digno e legítimo nos clubes de qualquer divisão, inclusive os amadores.

Mas não, o foco está mesmo é nos coleguinhas que tudo sabem e quando não sabem precisam fingir que sabiam mas não podiam contar porque a fonte pediu sigilo.  Outro dia lavei a alma. Um torcedor entrevistado pelo repórter de rádio no intervalo reclamou no ar que o profissional “tava vendo outro jogo”. Narradores perdidos que nem cusco em procissão, comentaristas do óbvio consumado consumidos pela mesmice e por aí vai…

Agora, cadê a grande reportagem pegando um a um dos jogadores de Grêmio e Inter para identificar a quem eles pertencem?  Como estão distribuídos os percentuais de propriedade dos passes (sou antigo, não me venham com os tais direitos federativos e econômicos) e quem força a barra para que o técnico escale o patrimônio que precisa ser valorizado?

Vamos lá, gurizada! O leitor, o ouvinte, o telespectador, o internauta, eu mesmo e a Vó do Badanha queremos que vocês levantem a ponta do tapete, despreguem os tacos do assoalho, cavoquem no cimento até dar à luz os nomes de quem ganha dinheiro às custas dos torcedores. Que tal fazer bom jornalismo mostrando quem é mecenas mesmo e quem estende a mão com algumas patacas para o clube comprar a promessa, mas deixa claro que depois elas precisam voltar em quantidade para encher as burras.

Não é verdade que tem “panelinha” de treinadores, com uns indicando os seus para os outros e os outros retribuindo e recomendando a compra daqueles estão sob controle de uns? Não tem dirigente de clube no esquemão? Ou é tudo intriga da oposição?  Com rima e tudo…

Fosse eu aquele que manda na redação ia manter e valorizar os setoristas de Grêmio e Inter. Reconheceria o quanto é difícil o trabalho deles, sempre na luta para conseguir a novidade em primeira mão e bolar um jeito criativo de apresentá-la. Setorista precisa cultivar com carinho quem lhes passa informações, regar com elogios, dosar a mão quando a crítica se impõe…

E, fosse eu aquele que manda na redação, escolheria um repórter cancheiro, tarimbado (tá tudo no masculino mas leiam uma repórter cancheira e tarimbada, tá legal?) e mandava chutar direto em gol. Nada de ficar fazendo embaixadinhas  com a notícia e outras firulas. Vai lá, meu filho (minha filha) e descobre se tem gato na tuba. Se tiver, te documenta e vamos divulgar que eu te garanto aqui dentro e o nosso jurídico te defende lá fora.

Filhote (filhota), se conseguires ir mais fundo nas contas não aprovadas de alguma gestão ou recolheres cópias dos contratos cobertos por sigilo na construção e reforma de estádios que nem a Arena e o Gigante, podes crer que te arrumo uma folga remunerada em algum destino turístico badalado. Isso tudo, é claro, fosse eu aquele ou aquela que manda na redação. Puxa vida, que bom seria pegar de jeito alguns “donos da bola”.

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