21/10/2017

Galeria

Reação a anúncio fake mostra o patrulhamento nas redes sociais, nem sempre preocupado com a verdade

Calma, antes de esbravejar contra esta foto, saiba que é um anúncio fake. É fictício, apesar de autores de posts na internet com milhões de acessos o execrarem como se fosse real. Não houve nenhum publicitário louco o bastante para conceber como estratégia de propaganda a cena de um bebê com sua mãe com a proposta “Para um melhor começo na vida, comece com a Coca-Cola mais cedo”.

É uma paródia de anúncios vintage criada em 2002 por RJ White, do blog Ice Cream Motor.Ela foi produzida em uma tarde de tédio quando J.D. Ryznar(um dos autores da websérieYacht Rock, comrockstars fictícios dos anos 1970/80)a encomendou paraseu Live Journal(plataforma de páginas pessoais). “Então, alguns anos mais tarde a imagem começou a aparecer naquelas listas do tipo que perguntam Os anúncios eram estranhos naquela época, não eram?“, conta RJ White.

Com base nessas postagens caça-clique, instituições desavisadas sentenciaram que a peça alusiva aos refrigerantes mostrava “quão perversos eram os MadMen do passado”.

É oportuno retrataro caso ao fim de um ano em que o Facebook despertou para a necessidade de distinguir realidade e ficção. A tarefa cada vez mais merecerá investimentos dos gigantes da internet, preocupados em não serem soterrados pela descrença no conteúdo.A reação ao anúncio também é uma mostra do patrulhamento nas redes sociais, nem sempre comprometido com a veracidade.

A vigilância é poderosa. Em 2016, o meio publicitário testemunhou saias justas de autores de campanhas publicitárias premiadas obrigados a devolver a distinção e se desculpar diante de repercussões negativas. Temas sensíveis cada vez mais cobram autopoliciamento da equipe criativa. Não apenas em questões como a da educação dos filhos, mas também em outros campos, como o da relação homem-mulher. Foi o ano em que a AlmapBBDO pediu desculpas e devolveu dois bronzes conquistados em Cannes pela campanha “Calma Amor, não estou filmando isso”, da Aspirina, considerada sexista ao tratar a divulgação de vídeos íntimos como uma dor de cabeça.

Justo ou não, o tribunal das redes é impiedoso.

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