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A publicação tratou o assunto como o assunto deveria ser tratado: “A Vitória da Democracia”.

Em 29 de dezembro de 1992, Fernando Collor de Mello renunciou ao cargo de presidente da República, para o qual se elegera em 1989, aos 40 anos de idade, tendo sido o mais jovem a conquistar o posto, e no primeiro pleito direto depois da ditadura militar. Collor nutria esperança de que, com isso, o Congresso Nacional desse por encerrado o processo de impeachment, o que evitaria a perda de seus direitos políticos por oito anos. Mas não rolou e o processo foi concluído com sua cassação, horas depois. O vice, Itamar Franco, que já ocupava a cadeira de presidente desde 2 de outubro, quando Collor havia sido afastado de forma provisória, foi aclamado oficialmente no mesmo dia em que o titular saiu da cena pública para, imaginava-se na época, nunca mais voltar.

A edição da revista Manchete com data de 3 de outubro de 1992 estampou na capa uma foto típica de Itamar, vestido de modo informal, os cabelos desalinhados e o semblante daquele tio boa gente, inofensivo, até ingênuo, que sempre aparece para o almoço de domingo, mas costuma entrar mudo e sair calado. Para o Brasil traumatizado com os arroubos da Era Collor, nada melhor do que ver na Presidência um sujeito pacato que, se bem não fizesse, mal tampouco haveria de fazer. E não fez, ao contrário, pois em seu governo, e sob a batuta do então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, foi implantado o Plano Real, que livrou o País da hiperinflação. Aliás, o preço de capa daquela edição da Manchete era de módicos Cr$ 25.000,00 (vinte e cinco mil cruzeiros).

A publicação tratou o assunto como o assunto deveria ser tratado: “A Vitória da Democracia”. Afinal, se a eleição de um presidente é uma festa da democracia, seu impeachment, com a posse do vice, escolhido por ele e da mesma forma constitucionalmente eleito, é também uma celebração da democracia, uma prova de que seus mecanismos de proteção funcionam e de que a normalidade institucional prevaleceu. O resto é papo de boteco, ou, mais modernamente, mimimi de rede social.

Manchete Itamar

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