Magda Beatriz – “Um dia, quando o Clóvis Duarte estava em coma, eu fiz uma DR com ele, e senti que ele queria que eu continuasse o programa dele. Sinto ele comigo até hoje!”

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Um nome que se funde à história da televisão gaúcha. Assim pode ser definida Magda Beatriz, apresentadora da TV Pampa e vencedora do Troféu Badesul Jornalista do Ano do Prêmio Press 2019. Nascida Magda Beatriz Rodrigues Alves, a escolhida para representar a classe jornalística do Rio Grande do Sul começou a trabalhar com televisão quando ainda tinha 17 anos, na antiga TV Difusora, e nunca mais parou.

Nesta entrevista para a revista Press, Magda Beatriz recorda sua carreira, fala sobre seu colega (e grande inspirador) Clóvis Duarte, a televisão moderna e outros temas.

Como foi a sensação de receber o principal troféu do prêmio Press, jornalista do ano, que de alguma forma representa toda a categoria de imprensa do Rio Grande do Sul?
Eu realmente não esperava. Apesar de saber que eu tinha indicação, eu jamais imaginava. Eu acreditava que não ia ganhar. Fui para lá bem feliz se fosse a melhor apresentadora de TV, porque o programa estaria associado, ou se o programa ganhasse. Não passava pela minha cabeça isso. Tanto que eu levei um susto. Sei da minha responsabilidade, da importância do prêmio, mas o Cléber Benvegnu (ex-secretário de Comunicação do RS) me mandou uma mensagem dizendo que queria me cumprimentar, que era um prêmio muito justo, e fez uma definição minha tão engraçada. Eu sou “destrambelhada”, super séria para trabalhar, mas ele disse “Magda, tu és uma mulher que te renovas, tu te reinventas”. “Tu estás nos teus 40 e poucos anos de profissão e estás na crista, super bem”.

Tu és uma mulher precoce, começaste jovem na profissão?
Com 17 anos. Quem me trouxe para a TV foi o Nelson Cardoso, ainda da TV Difusora, que era cliente da Locarauto, uma locadora de automóveis onde eu era recepcionista. Ele nunca ia buscar o carro, mas ligava, pedia e alguém levava. E duas ou três vezes seguidas ele disse assim para mim “guria, um dia eu vou aí para ver se teu áudio combina com teu vídeo”. Eu nunca mais esqueci. E um dia ele foi. Deve ter me achado bonita, jeitosa e ele disse “tu não queres fazer um teste para a televisão?”. Nunca pensei.

Quais eram os teus planos na época?
Fazer curso de Direito na Unisinos. Havia estudado no colégio Rosário e eu queria fazer Direito. Mas a situação familiar não permitiu, então fui trabalhar, com 17 anos, para sustentar minha mãe e meu irmão, como recepcionista na Locarauto, numa loja da Coronel Vicente, perto da Julio de Castilhos. Vitor Stoffel era o meu patrão, que era lá de Canoas. Mas aí o Cardoso fez esse convite. Na época, já estava com o cara com quem eu vivi sete anos da minha vida, que é o pai da minha filha. Eu sempre fui precoce. Eu com 17, 18 anos, já me relacionava com um cara que era separado. E ele disse “vai”. Eu falei “vou para me livrar desse homem, porque ele vai me torturar”. Marquei com ele, cheguei lá uma tarde. O teste era para o programa Show de Mulher, que a Rejane Vieira da Costa fazia.

Ela era Miss Brasil de 1972, não?
Sim, ela morreu em 2013, com 59 anos. Mas aí o Cardoso olhou para mim e disse assim “vamos fazer o seguinte. Vou te dar esse texto e tu voltas aqui amanhã, tal hora, para a gente fazer um teste”. Ele sentou na minha frente, em cima de um banquinho alto dentro do estúdio. Eu comecei a falar e comecei a me atrapalhar. Aí ele disse assim “faz o seguinte, volta aqui amanhã às 17h e traz duas mudas de roupas. Porque uma pode não ficar boa e tal. E ele me botou no ar. Ele inventou uma função para mim que era apresentadora de interquadros. O que era isso? A Rejane fazia algo e eu dizia mais alguma coisa. Aí eles descobriram que eu tinha memória maravilhosa e eu não piscava. Eles me ensinaram a piscar, por que diziam que eu ficava estática, eu parecia um peixe no aquário (risos). Aí eu fiquei trabalhando lá fazendo aquilo por meses. Terminou o ano, me botaram no telejornal do Portovisão.

Tu seguias na locadora?
Não, a Locarauto fechou, aí a Locadora Gaúcha comprou e me levaram para lá. Foi nessa época que eu resolvi ir para a TV. Eu ia para a TV e depois voltava para a locadora. Até que uma hora eu parei, cansei, porque eles me botaram no Portovisão, que foi onde conheci o Clóvis Duarte. Mas, eu fazia só o telejornal do Porto Visão. Fiz durante um ano. Quando fechou um ano, deram férias para a Ieda Maria Vargas e eu cobri as férias dela.

Começou a conviver com a miss…
Câmera 10, sabe o que é isso? Eu fiz Câmera 10. Airton Fagundes, Tetê Machado, Ieda Marias Vargas, Sergio Schüller, Ana Amélia Lemos, Yeda Crusius, estavam todos lá. A Ana Amélia Lemos era comentarista de economia do programa. Foi chamada diversas vezes no 3º Exército pelas coisas que ela dizia. Mas, quando eu estava no período de férias da Ieda Maria Vargas, o Chico Carlos me tirou do jornal e me deixou no Câmera 10. Aí quando a Ieda chegou foi um inferno na minha vida. Eu saía do estúdio chorando.

Por quê?
Porque ela contava quantas falas ela tinha, quantas falas eram minhas… Eu tinha 19 anos, saía aos prantos. E o Chico Carlos estava sempre me esperando na porta e ele dizia “tu volta amanhã, senão vou mandar te buscar”.

É mais difícil trabalhar com mulher do que com homem?
Muito pior com mulher. Eu acho que tem diversas razões. Muitas vezes por antipatia mesmo. Eu passei muito trabalho com a Ieda, saía aos prantos. A Ieda usava o mesmo cabeleireiro que eu, e ele não me cumprimentava. Mas, eu tinha uma vantagem, sempre me disseram que eu aparentava um ar de credibilidade. Eu tinha 19 anos e telejornal é assim, uma pessoa com 19 anos não tem credibilidade. Mas, eu não parecia, usava um coquinho preso na nuca. No fim, ela foi demitida e eu fiquei. Mas, ela foi demitida porque brigou com o Chico Carlos. Disse “eu não aguento mais trabalhar aqui com esse salário, ou aumentam meu salário ou eu vou embora”. Aí ele disse: “então, tu vais embora”. E aí ela me odiou mais ainda.

Tu ficaste um tempo no limbo depois de sair do Câmera 10?
Fiquei no programa até dezembro de 1978. Terminou o programa, aí eu saí da TV. Eu devo ter ficado uns dois anos fora do mercado, porque quando terminei o programa estava grávida. Minha filha nasceu e eu acabei não voltando mais. Fiquei um tempo fora e aí depois fui para a TV Guaíba. Isso foi em 1980. O Sergio Reis e a Liliana Reid montaram aquele Guaíba feminina. O Claro Gilberto era o diretor, e todos os dias eu tinha que ouvir dele “essa guria não vai dar certo, essa guria só fazia jornal, essa guria não sei o que…”. E eu fiz o programa até sair do ar. Eram cinco mulheres. Nós éramos Tânia Carvalho, Liliana Reid, Aninha Comas, Marina Conter e Magda Beatriz.

Brigavam muito?
Quase nunca, e não havia disputa porque a gente sabia o nosso lugar. O programa era calcado na Tânia Carvalho. A Liliana Reid vinha do Globinho, da TV Gaúcha (atual RBS TV). A Marina, há 12 anos tinha saído da Piratini. A Aninha nunca tinha feito TV e não queria fazer, odiava e coçava o nariz e mexia no cabelo enquanto cozinhava. Era uma maravilha aquilo. E eu que tinha saído do telejornalismo. Tudo foi muito rápido.

Mas, nessa época, tu já olhavas para a câmera com naturalidade…
Sempre tive muita naturalidade. Parecia que eu tinha nascido fazendo televisão. E eu fazia telejornal na época que não tinha teleprompter. Fui conhecer teleprompter fora da Guaíba. Quem aprimorou o meu aprendizado foram o Sergio Schüller e o José Fontella. A apresentação deles do jornal era sensacional. Tanto é que eles sempre me chamaram de “casquinha”.

Casquinha?
Chatinha, guriazinha, pentelhinha… Mas, me abraçaram e eu fiquei no Guaíba Feminina durante dois anos, até que nós pegamos aquela derrocada da Caldas Junior. Naquela época eu, também, substituía o Clóvis Duarte no programa quando ele viajava.

Faz falta um cara como o Clóvis hoje? Porque ele era um empreendedor, um comunicador nato, tinha empatia, mas também era um homem de negócios..
Muito. Ele foi a pessoa que começou com essas coisa de “vou fazer televisão e tu vais me pagar”. O Clóvis ganhou muito dinheiro na televisão. Tanto é que ele faz escola até hoje, esse formato de bancada é dele.

E isso com um programa local…
Um programa que ia das 22h30 até 00h30, mas que todo mundo via. Lembram de mim daqueles tempos até hoje. Eu fiz os melhores programas que já foram feitos no Rio Grande do Sul. Fiz Guaíba Feminina, fiz Portovisão, fiz Câmera 10, Fiz o Câmera 2. Tive um programa com meu nome na época também, que na verdade era o Guaíba Feminina que, com a derrocada da Caldas Junior, todo mundo saiu.

Hoje tu apresentas o Atualidades Pampa, tem ali gente já escolada, mas tem gente nova. Tu já tens cancha para resolver qualquer parada. Em programa ao vivo sempre tem uns estresses, não?
Tem, tem muito. Outro dia caiu a CPU e eu fui para baixo da bancada, mas eu avisei. Tem coisas hilárias que as pessoas não veem, mas eu tiro de letra.

E hoje tu não pensas na TV nacional?
Não, já estou velha. Se alguém quiser eu vou, agora tenho Prêmio Press (risos), coloco tudo debaixo do braço e vou. Mas, talvez eu tenha tudo isso porque eu fui uma privilegiada. Eu trabalhei sempre em coisas e com pessoas que me permitiam ser quem eu sou e crescer. Porque o Clóvis foi um cara que estava em coma no hospital e no dia que foram botar ele em coma induzido ele chamou os filhos, chamou a Vanessa (filha de Clóvis Duarte) e disse assim “a Magda não pode saber do que está acontecendo comigo. A Magda precisa ter tranquilidade para fazer o programa”.

Tu não sabias que ele estava já nos últimos dias?
Quem descobriu que o Clóvis estava doente era eu. Eu sou muito intuitiva e sensitiva. Eu trabalhava com o cara fazia 15 anos, comecei a olhar para ele, o cabelo dele não estava legal, a barriga dele estava muito grande, eu achava que era só gordura, a pele dele não estava bem. Como ele estava namorando eu disse “e aí, muita festa ontem? Tu está com o ar cansado”, e ele me responde “está louca?! Não fiz festa nenhuma”. Continuei insistindo vários dias que ele não estava bem, ele chegou a levantar a voz para mim, e ele dizendo “não estou com nada”. Uns dias depois eu chego na TV — eu sentava do lado esquerdo dele — e vi que ele tinha um pontinho amarelinho no olho. Mas, eu não pensava nada de mal, só que eu via que ele não estava bem. “Não vou falar nada, vou ficar com a boca bem quieta”, pensei. No dia seguinte, cheguei atrasada, estava todo mundo na bancada, eu comecei a arrumar minhas coisas. E daqui a pouco eu ouço a Karla Krieger dizer assim “Clóvis, teu olho está amarelo”. Quando ela disse a palavra amarelo ele pegou meu braço e disse assim “a Carla disse que meu olho está amarelo!”, aí eu olhei pra ele e digo “não, teu olho não está amarelo, tu tens uma máscara amarela que vem daqui até aqui, Clóvis”. Aí começou a desandar a maionese. Fizeram endoscopia, descobriram que tinha uma mancha. Mas, foi uma lenda para ele fazer, porque o Clóvis era anticoagulado. E o cara anticoagulado não pode se submeter a qualquer coisa. Então, ele tinha uma junta médica cada vez que ia fazer um exame. Foi difícil, ele ficou no hospital, eu soube que deram uma medicação errada, aí passou mal em casa, voltou para o hospital, isso tudo eu sabia. Teve um dia que eu cheguei, ele disse “tenho que fazer uma biópsia e não quero fazer”. Eu disse, “Clóvis, tu não pode te operar, tu sabes do risco se fizeres”. Ele perguntou “mas o que tu queres que eu faça?”, e eu respondi “faz o que tu faz com teu sangue, todo mês tu vai lá, tira para ver se está tudo bem, se está coagulando”. Daí ele disse que ia pensar. Não me avisou e fez. E deu confusão, porque começou a sangrar. Ele ia passar uma Páscoa no Rio de Janeiro, mas nunca foi, porque o médico disse “o Rio de Janeiro não é Porto Alegre. Se tu tiveres uma merda no Rio de Janeiro, sabes quanto tempo tu vais levar para chegar num hospital?” Ele voltou para o hospital, ele devia estar com metástase já, um dia o olho dele virou.

O câncer chegou até o cérebro?
Não, era no pâncreas. Mas, eu acho que já tinha metástase em algum lugar. E aí ele chamou o oftalmo, que era o Chiquinho Costa Gama, que disse pra ele “isso não tem volta”. E ele quis fazer TV, e me mandou cuidar. No segundo dia eu disse “Clóvis, não dá para tu fazer TV assim”. Aí ele decidiu que ele ia fazer a biópsia. Mas, aí também que ele decidiu que ia morrer. Porque ele sabia o que ele tinha, chamou os filhos – isso tudo eu fiquei sabendo depois -, e disse para eles “olha, eu vou fazer uma biópsia e por causa da minha medicação, eles estão autorizados por mim, a me deixar em coma induzido”. Aí ele deu algumas orientações para a Vanessa ao meu respeito e a respeito do programa, que não falasse nada para ninguém. Aí eles começaram com uma história que ele estava na CTI, eu não podia ver porque era só a família que podia, só duas pessoas. E eu nunca consegui vê-lo. E o tempo foi passando, passou um mês, passou dois. Morreu quatro meses depois, de infecção hospitalar.

No outro dia tu estavas apresentando o jornal?
Não, no dia que ele morreu eu já apresentei! Eu estava no enterro, sai e fui para a TV, mas antes disso falei com as gurias, disse “eu não vou permitir que façam com o Clóvis o que fizeram com o Flávio Alcaraz.” Que morreu num dia, no outro não existia nem cenário nem nada. “Se vocês me autorizam, eu vou fazer o programa.” Aí eu pedi permissão para a emissora. Tudo no velório. “Ah, mas tu tens condições?”, “Eu tenho condições”. Só pedi para convidar pessoas muito específicas, que trabalhavam com o Clóvis, que foram professores com eles” E eu fiz. Foi lá o José Fogaça, o Sergius Gonzaga, e eu fiz. Aos frangalhos, mas fiz.

Terminou, tu desabaste..
Desabei. E disseram “alguém tem que socorrer a Magda.” Eu nunca parei depois que ele morreu. Porque era isso que ele queria. Ele é o meu grande inspirador.

Sentes muita saudade dele ainda?
Muita, muita, muita. Nos primeiros dias da morte dele, eu sentia ele comigo. Eu tinha certeza que ele estava ali. Quando ele estava em coma, uma vez eu entrei no hospital paramentada de assistente e passei pelo box onde ele estava. Eu queria vê-lo, não sabia o que estava acontecendo. Alguém me contou a verdade e eu fui lá. Aí eu olhei, ele estava inchado, completamente inconsciente. Aí passou mais um tempo, eu estava num domingo na casa de uma amiga minha, começamos a falar, aí ela disse “por que tu não pedes pra ele? Liga para as filhas dele, diz que tu queres ver ele”. Porque eu queria, eu estava alucinada. Eu liguei para a Vanessa “de quem é o dia de visita?” “Ah, é meu”. Eu digo, “Vanessa, eu preciso ver o Clóvis, eu preciso, pelo amor de Deus, eu preciso.” Aí ela me cedeu o lugar dela. E eu conversei com ele, chamei ele de merda, fiquei dizendo “o que adiantou o dinheiro todo que tu não me deste? Está aí agora!”, essas coisas.

Brigou com ele, fez uma DR?
Fiz uma DR com ele. Eu disse “Clóvis, eu não sei o que eu tenho que fazer a partir de agora. Eu não sei porque se eu quero ficar parece que eu sou oportunista, mas algo me diz que tu queres que eu faça isso. Então, assim, eu não sei como tu vais fazer, mas me dá um sinal, alguma coisa”. Xinguei bastante ele. E ele deu um suspiro. Para mim, era como se fosse para eu continuar”. E aí continuei. E durante muito tempo eu senti a presença dele. Mas, muito assim comigo, a sensação que eu tinha – não falei para ninguém – que ele estava comigo ali para que eu fizesse o programa. Eu devo isso a ele, entende?

A televisão, assim como toda mídia, está sofrendo uma transformação muito grande, a TV aberta está sofrendo como a mídia impressa. Mas, ao mesmo tempo, tem esse fenômeno do localismo. Vocês fazem um programa local, onde as pessoas da cidade se veem. E me parece que isso segue forte.
Permanece e vou te dizer, tu podes assistir ao nosso programa atualmente pelo Youtube, pelo Facebook, tu podes acompanhar as nossas coisas pelo Instagram, nós temos telespectadores que mandam e-mails de Portugal, gente que está na Europa e que gosta do nosso programa. As pessoas nos assistem.

Mas, é gente daqui que está viajando, é o interesse local. E essa fórmula da opinião e do embate também, as pessoas também gostam duma discussão?
Gostam, sabe o que eles dizem? Que a gente é real. Às vezes a gente diz as coisas que eles gostariam de dizer. O Gustavo Victorino é um ídolo dos bolsonaristas, porque o Victorino bota abaixo do rabo do cachorro o Lula, e os palavreados dele também. Às vezes ele se passa né, tem que cuidar. E brigam muito.

Quais teus projetos, planos?
Tem uma coisa que estão me pedindo muito e, por incrível que pareça, com toda a facilidade que eu tenho de comunicação, eu travei nisso, que são palestras. As pessoas têm muita curiosidade. Porque a gente cria uma imagem, e eu sou uma vencedora no que eu faço.

Pensa em retomar aquela ideia de fazer Direito?
Não, eu já tentei fazer Direito ao longo desse tempo. Eu voltei para a faculdade graças ao doutor Jarbas Lima, ele era o diretor do Direito da PUCRS, fiz um ano, mas é muita coisa para a minha cabeça agora. Confesso que eu me irritei um pouco, talvez até pela televisão, que eu aprendo a ser mais concisa. Eu escrevia e diziam “mas só tem 20 linhas?”. Mas está aqui, não está escrito? “Não, mas tu tens que fazer mais…” Não é a minha praia, estou muito velha para voltar, para fazer isso.  Eu estou a fim de fazer um curso agora com tempo, o Sebrae contratou o Rafael Terra, que é um guri de redes sociais, bem querido, já me indicaram, para eu poder pelo menos me comunicar melhor nesse mundo aí. Eu até pensei agora, vendo a novela, que eu podia ser uma influencer sênior. Eu dito moda, tua mulher quer saber do meu cabelo, todo mundo quer.

Talento para isso tu tens, só precisas usar a ferramenta…
Eu tenho. É isso que eu vou fazer. Pergunta para o Manuel Barrios, meu dentista, quantas dentaduras ele já fez depois que eu fiz com ele. É isso que eu tenho que fazer, mas eu tenho que me despir dos meus pré-conceitos.

Ali não é conteúdo jornalístico, é comercial.
E eu faço muito bem o comercial.