Grande passo para a comunicação

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Em 20 de julho de 1969, a missão espacial Apollo 11, composta pelos astronautas norte-americanos Neil Armstrong, Michael Collins e Buzz Aldrin, conseguia chegar à lua. Primeiro homem a pisar na superfície lunar, Armstrong sintetizou o feito como “um pequeno passo para um homem, mas um passo gigante para a humanidade”. Passo gigante, inclusive, para a comunicação. Afinal, a alunissagem foi transmitida ao vivo mundialmente através da televisão. Desta maneira, se configurou em uma das coberturas jornalísticas mais importantes da história, tanto pela magnitude do feito relatado pela imprensa como pelos impactos tecnológicos gerados por ele.

Matéria publicada na revista americana Broadcasting poucos dias após a chegada do homem à lua relatava que o custo para viabilizar a transmissão televisiva do evento chegou a US$ 11 milhões, valor que, corrigido pela inflação acumulada desde 1969 nos Estados Unidos, seria o equivalente a mais de US$ 76 milhões atualmente. Ao todo, mais de 1 mil profissionais se envolveram na produção da cobertura. A estruturação de uma rede de 20 estações terrestres conectadas com satélites situados sobre os oceanos Atlântico, Pacífico e Índico possibilitou que o sinal gerado pela Nasa fosse enviado aos telespectadores de todos os continentes. Sendo assim, no lançamento da Apollo 11, mais de 3 mil jornalistas de todo o mundo estavam credenciados pela agência espacial norte-americana.

O objetivo de tamanho investimento era transformar a chegada do homem à lua no maior espetáculo da história da televisão, veículo que começou a entrar nas casas dos americanos a partir da década de 1950. Já nos anos 1960, o aparelho ganhou cores e se tornou extremamente popular no país, passando a se tornar a principal fonte de informação de muitos cidadãos. Tudo isso em meio a um cenário marcado pela Guerra Fria, na qual Estados Unidos e União Soviética disputavam o posto de principal potência mundial. E a corrida espacial entre os dois países era um dos símbolos na disputa entre o ocidente capitalista e o oriente comunista.

Todo esse contexto fez com que milhões de pessoas se mobilizassem para assistir à chegada dos astronautas à Lua. Todos os movimentos no espaço foram registrados em detalhes. Armstrong e Aldrin levavam câmeras consigo e ainda colocaram um tripé a 9 metros do módulo lunar para não perder nenhuma cena. A Nasa calcula que mais de 500 milhões de pessoas acompanharam a transmissão em todo o mundo, número que durante décadas significou a maior audiência da televisão mundial. O fato ainda acabou inaugurando a era das grandes transmissões televisivas. Hoje em dia, até bilhões de pessoas param em frente à tevê para assistir a uma final de Copa do Mundo ou à abertura dos Jogos Olímpicos, mas esse poder de mobilização massivo do aparelho foi inaugurado quando os astronautas foram à Lua.

Nos Estados Unidos, coube ao jornalista Walter Cronkite transmitir durante 17 horas o acontecimento, ao lado do astronauta Walter Schirra. A baixa qualidade das imagens fez com que os dois ficassem vários segundos em silêncio na transmissão, antes de ter certeza de que tudo havia transcorrido com normalidade. Quando perceberam a missão tinha sido bem-sucedida, comemoraram a chegada dos astronautas à superfície da Lua.

No Brasil, o início das transmissões via satélite teve relação direta com o evento espacial. Em 28 de fevereiro de 1969, a Embratel inaugurou em Itaboraí, no Rio de Janeiro, a Estação Terrena de Comunicação Via Satélite. A estrutura foi montada a tempo de transmitir a missão espacial Apollo 9, que testou o módulo de exploração que permitiria o envio dos astronautas. Em 3 de março, dia do lançamento da Apollo 9, ao abrir o Jornal da Globo, o jornalista Hilton Gomes saudou o “admirável mundo novo da televisão via satélite”, explicando aos telespectadores que, a partir daquele momento, seria possível assistir ao vivo o que se passava em outros lugares do mundo.

No dia 20 de julho de 1969, às 23h56min (hora de Brasília), a Globo transmitia as imagens de Armstrong e Aldrin caminhando sobre a superfície da lua. Estima-se que os lares do Brasil tinham 4,5 milhões de televisões, a maioria delas sintonizada na transmissão. O evento acabou deixando como principal legado uma estrutura que permitiria aos brasileiros acompanhar os principais eventos mundiais ao vivo, algo corriqueiro atualmente, mas que, 50 anos atrás, parecia um passo difícil de ser executado.