Fernando Albrecht – “Antigamente, tu podias trabalhar num jornal conservador, ou mesmo de esquerda, mas tu não sonegavas informação ao leitor”

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De seus 79 anos, Fernando Albrecht dedicou mais de cinco décadas ao jornalismo. Entre as madrugadas do plantão policial de Zero Hora, no final dos anos 1960, para a página 3 do Jornal do Comércio, o gaúcho de São Vendelino intercalou diversos trabalhos na área de comunicação.

Albrecht foi editor do jornal Folha da Manhã, da Empresa Jornalística Caldas Júnior. Passou, também, pela rádio e pela TV Bandeirantes. No Grupo RBS, foi produtor do programa Campo e Lavoura e redator do programa O Pregão, ambos da antiga TV Gaúcha (hoje RBS TV), além de editor de economia e titular da seção Informe Especial do jornal Zero Hora. Seu currículo, também, inclui passagens por agências de publicidade (Inter Propaganda, Mercur, SGB e Publivar), assessorias de imprensa e consultorias nesse segmento.

Tendo sido o primeiro entrevistado especial da revista Press, era justo que Albrecht também fosse o último.

Ao longo de sua carreira, ele recebeu dezenas de honrarias. A mais recente foi o Prêmio Paulo Vellinho, da Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA), na categoria Marketing & Comunicação. Também, foi o primeiro agraciado com o prêmio Press de Jornalista do Ano e, por seis anos, recebeu o prêmio Press de Melhor Colunista de Jornal e Revista, o que fez com que essa premiação fosse batizada com seu nome: “Prêmio Colunista de Jornal e Revista do Ano – Troféu Fernando Albrecht”.

Nesta entrevista para Julio Ribeiro, Fernando Albrecht fala sobre o momento atual do jornalismo e comenta a falta de objetividade dos textos atuais, a militância política dos profissionais e veículos e a sensação de distanciamento entre o que os veículos publicam e o que interessa ao público, entre outros temas.

Quantos anos de jornalismo?
Este ano estou completando 25 anos de Jornal do Comércio e quase 55 anos de jornalismo. Algumas vezes, eu incursionei em outras áreas, paralelamente, como a propaganda, mas sempre com algum tipo de vínculo com o jornalismo. Entrei em setembro ou outubro de 1968 na Zero Hora, cuja redação ficava na rua 7 de Setembro. As oficinas eram localizadas na rua Luiz Afonso, na Cidade Baixa. Fui repórter policial. Trabalhava da meia noite até às 7h da manhã. Depois ia para a faculdade e depois para um banco, onde também trabalhava. Era muito feliz naquele tempo.

Ser jornalista hoje te dá o mesmo orgulho do que te dava 50 anos atrás?
Orgulho não dá mais. Hoje a imprensa, tal como a conhecemos, não traz orgulho, e não é só culpa da pandemia. Os grandes jornais foram pressionados pelas circunstâncias e pela queda de anúncios e renda publicitária. Começaram a fazer os tais dos conteúdos editoriais a torto e a direito. E quem tem rádio e televisão precisa ampliar os seus horizontes.

Além disso, está acontecendo uma coisa muito ruim para o jornalismo brasileiro, que é ‘escrever com o fígado’. Eu não vou entrar no mérito, mas quando se toma um lado como seita fosse, seja de A ou de B, você, mesmo de modo inconscientemente, começa a sonegar informações ao leitor.

Agora, acrescente: demissão de jornalistas mais experientes. Tudo bem que a gurizada precisa ter chance. Não tiro esse mérito, mas, muitas vezes, eles são contaminados por esses vírus de escrever com tinta de bílis do fígado.

E outro detalhe! O problema maior agora é que o repórter — como se dizia lá nos verdes anos — não reporteia mais. Ele sai com a forma, com a tese dele e vai pra rua com uma ideia pré-concebida. E quando a realidade não cabe na sua forma, a realidade é que está errada. O repórter tem que reportar. Quem opina é colunista. Este é o quadro da dor que eu vejo neste dia do jornalista (a entrevista foi feita em 7 de abril, Dia do Jornalista), que confesso ser um dia mais de tristeza do que de orgulho para mim.

Teria alguma reversão para isso ou entramos numa bancarrota geral?
Olha, para mudar esse quadro teria que todo mundo fazer algo, o que é muito difícil.

Não vejo como, num curto ou médio prazo, isso vai mudar. Eu não vou dizer que o jornal impresso vai desaparecer. Pelo contrário. Ainda acho que vai durar um tempo. Mas, com outro conteúdo e outra forma, como espaço analítico, e não mais informativo.

Até os anos 80, tinha uma frase que dizia: “não existe nada mais velho do que o jornal de ontem”. Eu mudei isso para “não existe nada mais velho que o jornal de hoje”. Ele está ultrapassado assim que sai da boca da máquina. Outra coisa que vamos ter que resolver é, digamos, a desideologização das redações. O Roberto Marinho sempre dizia no jornal O Globo que a redação tem que ser de comunista, mas o editor não pode ser. Naqueles tempos do “Partidão”, a diferença fundamental é que tu brigavas de dia com os comunistas e de noite ia tomar chopp com eles. Não tinha esse ranço político de hoje. Em campanhas anteriores, o PSTU sempre tinha candidato a governador, a prefeito. Era o único partido que dizia sem meias palavras “olha, nós queremos nos apropriar dos meios de produção, queremos instalar o comunismo”. O único. Os outros são todos hipócritas.

Existe esse problema da ideologização e da militância, mas tem outro que é o conteúdo. Se tu tentas contratar um jornalista que saiu da academia, a maioria é militante. Em segundo lugar, a maioria não lê. Não sabe nada de nada.
Isso é um problema paralelo. As universidades terão que reformular os cursos de jornalismo. Começando pelos professores. É difícil ter professores de jornalismo que tenham prática de redação.

Há algum tempo, as universidades pedem que o professor seja mestre ou doutor. Mas, para ser mestre ou doutor, não se pode trabalhar. Não tem tempo para isso.
Tem uma coisa pior ainda, que não é só no jornalismo que acontece. Tu sais da faculdade e começas a dar aula daquilo que tu nunca praticaste. Cada vez se lê menos. Tem algo que chamo de “Teoria do Flamingo”. Na África Central, tem um local em que, uma vez por ano, um milhão de flamingos se deslocam por alguns dias para se acasalar. Lá, uma águia os ataca, mas com muita frequência não consegue pegar nenhum deles, de tantas opções que tem. A internet é a mesma coisa. Temos tanta informação, tanto Ctrl C e Ctrl V, que tu não precisas ler Shakespeare.

E essa é a receita do desastre. Profissionais mal preparados, opção pelos mais jovens e eliminação do pessoal com mais de 40 anos. Assim como o piloto de avião, o jornalista precisa de horas de voo. Senão, tu sais hoje da faculdade e acontecem pequenos desastres.

Outro problema é quando o repórter sai para a rua cobrir uma coletiva, por exemplo, ele precisa anotar, fazer um post no Twitter do jornal, colocar no Instagram e gravar um comentário de rádio. Isso é. antes de mais nada. uma desumanidade. “Ah, mas ele consegue dar conta”, dizem. Os escravos também davam conta. O custo psicológico disso vai aparecer a longo prazo. É como a infantaria falava da cavalaria antigamente. Serviço rápido é serviço mal feito. Isso é o que está acontecendo hoje no jornalismo.

Estás falando para a última edição da Revista Press. Ao longo desses 25 anos, tu destes três ou quatro entrevistas.
Na primeira edição eu fui capa.

Começamos bem e agora terminamos bem.
Tu lembras do título da capa?

“O senhor página 3”. Continuas sendo o senhor página 3. Mas como dizia, é uma questão estrutural. Quando começamos, em 1997, o meio revista representava 9% do bolo publicitário. Hoje, representa 0,4%. O jornal representava 36% do bolo publicitário e hoje representa 1,9%. Houve uma descapitalização absurda dos meios, o que afetou a qualidade do jornalismo.
A questão não é você comprar um celular que estará obsoleto daqui a 12 meses. Não são todas as novas plataformas e desdobramentos que o profissional tem que fazer, que repito: é uma desumanidade. A questão é a velocidade com que essa transformação se dá. Tu não consegues nem digerir. E eu vejo neste Metaverso, agora, como um certo perigo, porque tu vais começar a viver a vida irreal como se real fosse.

Os jornalistas e os veículos de comunicação não perderam o protagonismo, para blogueiros, influencers, youtubers, para o cara que tem uma conta no Twitter com mais de 1 milhão de pessoas? Ao mesmo tempo, vemos que alguns jornalistas conseguiram fazer a virada. Como o Augusto Nunes e o Alexandre Garcia, que tem 2 milhões de seguidores no YouTube.
Existem de 2% a 3% de jogadores de futebol profissionais que ganham um super salário. Os outros 97% não tem onde cair morto. No jornalismo, é a mesma coisa. Tu estás citando exceções. A grande pergunta é: quantos jornais estão atuando, basicamente, com o mesmo formato?

Os jornais já morreram. Vamos esquecer os jornais. O Alexandre Garcia não está em nenhum jornal. Os jornais acabaram. As revistas acabaram. A revista Veja tinha 1 milhão de assinantes e vendia mais um milhão em banca. Hoje não vende 50 mil exemplares.
Um milhão de tiragens tinha a Revista Cruzeiro em 1950. Mas, não é isso que quero dizer. Eu quero dizer a razão pela qual eles morreram. Os jornais estão com o mesmo jeito de ser há 140 anos. É o mesmo produto. O que está faltando? Os jornais dizem: “A taxa Selic subiu 5%”. Vê se a favela sabe o que é taxa Selic. Ou mesmo a classe média. Vê se interessa para a classe média ler isso.

O ponto fundamental — e repito isso há anos — é que nós desaprendemos a contar histórias. Tudo tem uma história. A fabricação do adoçante que está em cima da mesa de café. Da sua descoberta até o consumo. É uma história de início, meio e fim. Não contamos mais histórias. Damos bola para o que está nas agências, porque é fácil. É só dar um Ctrl C e um Ctrl V.

Isso que tu falaste é fundamental. Tu pegas uma notícia qualquer. A mesma notícia ipsis litteris está em todos os jornais e sites. Não dão uma informação a mais. Não pesquisam um pouco para colocar um molho.
É que nem os chocolates caseiros. Todas as fábricas recebem a mesma barra de chocolate. Umas melhores e outras piores. Quando chega nesses chocolates caseiros, um coloca amêndoa, outro amendoim, outro caju, mas, basicamente, o chocolate é o mesmo. Com as notícias que vêm das agências é a mesma coisa. Teria que colocar algo a mais, mas todo mundo coloca a mesma barra de chocolate. O leitor que se vire. O que está acontecendo é mais ou menos isso que eu te falei. É problema de tempo e também de recursos.

Que diferença faz eu consultar A, B ou C ou assinar A, B ou C nesse caso? Eu não assino.
Além disso, tem uma coisa muito pior: a própria notícia. O bombardeio da cidade de Kiev foi reportado por um jornalista local que enviou para a chefia dele, que já levou o texto de acordo com as normas de redação deles, indo direto para as agências internacionais, que também reescreveram a história. Depois, ela chegou nas redações.

O que o público precisa entender é o seguinte: quem escreve a matéria não é o que faz o título interno e também não é o que faz a chamada de capa. Muitas vezes, você lê o título e quando chega no conteúdo não há nada daquilo. É aquela coisa: “quem conta um conto aumenta um ponto”.

Antigamente, se dizia assim: nos jornais, a única coisa de verdade é a data e olhe lá.
Quem usou essa comparação foi o Paulo Francis. Eu comecei a olhar as datas dos jornais e um dia notei que o Estadão havia errado. Isso nos anos 1970.

Tu estás muito enganado pelo seguinte: vai me dizer que a pressa não prejudica a perfeição?

Houve um tempo em que os jornalistas ganharam bem?
Nunca ganharam. Mas, também, nunca ganharam tão mal quanto hoje. Eu tenho 54 anos de jornalismo e eu sei quanto ganhava quando comecei e quanto ganho hoje.

Mas os veículos ganhavam 10, 15 vezes mais do que ganham hoje.
Isso é comparar laranja com banana. Há nuances. De custo de vida, por exemplo. O condomínio hoje é caro, porque tem salão de festas, espaço fitness, portaria, empresa de segurança etc.  Quando trabalhava lá no final dos anos 1960, o condomínio era uma miséria, porque às vezes não tinha nem porteiro. Não precisava. O prédio ficava aberto. Então, o condomínio era uma merreca. Hoje, o condomínio bate lá em cima.

A tua geração foi uma das primeiras de jornalistas formados na universidade. Antes, a redação era formada de profissionais que gostavam de escrever, que não tinham formação de comunicação. Além disso, boa parte dos veículos defendia abertamente um lado político. Achas que estamos retornando a esse momento anterior?
Desta vez, por interesses comerciais. Ou tu queres me dizer que os Mesquitas ou os Marinhos viraram comunistas de uma hora para outra? Mas, o que difere do jornalista desses anos todos não é tanto a faculdade. O que difere é o seguinte: tu sabias que se tu trabalhasses no Correio do Povo, com o doutor Breno Caldas, tu trabalhavas num jornal conservador. Podia até ser de esquerda, mas tu não sonegavas informação. Tinha essa coisa: quem dá palpite é colunista e editorialista. Quem escreve como os fatos são ou mais perto da realidade que eles aconteceram é o jornalista, o repórter. O editor é quem conserta e o copydesk — que não existe mais — era quem reescrevia as matérias. Esse sistema funcionava tanto que um dos melhores repórteres que conheci era quase analfabeto, o copydesk que ajeitava o texto para ele.

Como funcionava isso?
Nos anos 1960 o Diário de Notícias tinha um excelente repórter de política que escrevia muito mal. Era excelente repórter, sabia tudo o que estava acontecendo, mas como escrevia muito mal ele ligava para o editor chefe, que era o saudoso Celito de Grandi. Daí dizia: “Celito, estou preso no Palácio Piratini, anota aí uma notícia de última hora”. Até que um dia o Celito, já sabendo que não era isso, disse: “não, hoje tu vens aqui na redação e vai escrever essa matéria”. Ele foi lá, pegou a máquina de escrever, e um tempo depois já perguntou: “Hospício é com h ou sem h?”. E o Celito: “É claro que é com h, tem um dicionário ali do lado pra consultar”. E no outro dia saiu no jornal: “sob os ‘hospícios’ da primeira-dama do Estado…” (risos).

O Estadão, nos áureos tempos, era um jornal conservador e a Folha era de esquerda. Hoje, está tudo a mesma coisa. Tudo pasteurizado. É tudo de esquerda.
 Sim, mas por interesses comerciais. Mas, o que eu quero dizer é o seguinte: naquele tempo tu não sonegavas informação, porque o jornal sabia que perderia leitor se não desse a real.

Tu achas que tem público suficiente para manter os jornais?
A questão não é ter público o suficiente, a questão é se tem anúncio o suficiente.

Mas o anúncio só vem quando tem público. A publicidade é proporcional à audiência.
O anúncio, tal como conhecemos, está fadado a desaparecer. Se tu tiveres a Press na internet, tu podes destacar determinada matéria e encher de banner, inclusive com movimento, animado. É uma espécie de bombardeio. Tu abres uma notícia qualquer na tela e está cheia de banner.

Vejo isso muito, porque recebo 500 e-mails por dia. No WhatsApp é a mesma coisa. Tenho um sexto sentido adquirido pela experiência para saber o que é fria e o que não é. Reconheço fake news a 10 quilômetros de distância. Sei quando uma foto é montagem e quando não é. Isso tudo se deve aos meus cabelos brancos.

O que tu imaginas daqui a 10 anos na imprensa mundial?
Não consigo imaginar o fim do ano, o que dirá daqui a 10 anos. O que eu falei há pouco sobre a velocidade. A humanidade levou 300 mil anos para manejar a pedra lascada. Levamos mais 50 mil para passar para a pedra polida. Só descobrimos a escrita há seis mil anos. Só a qualificamos com a imprensa de Gutenberg nos anos 1400. Do Gutenberg para o primeiro computador se passaram menos de 500 anos. Do primeiro computador para o celular foram 20 anos. Do celular para o smartphone, mais cinco anos. Então, não sei dizer.

E a tentativa de regular a comunicação?
Não funciona. É que nem regular fake news. Sabe quantas leis tem no Brasil?

Existem 4 milhões de leis no Brasil.
Então, tu achas que uma lei vai mudar alguma coisa nas fake news? Sabe qual é a maior fake news que existe no jornal impresso? O horóscopo.

Já fizeste o horóscopo?
Já fiz. Em 1969. Se tu olhar bem o horóscopo, é fake news. Como o cara vai dizer como será a tua vida no dia de hoje?

Essa é uma fake news inocente. O problema é quando os jornais fazem, deliberadamente, notícias falsas como se fossem verdadeiras.
É o que eu falei sobre tomar um partido e escamotear a informação.

Um dos jornalistas que eu mais sinto saudade é o Flávio Alcaraz Gomes, em rádio. O cara falava qualquer coisa e Flávio dizia: ‘Mas o que é isso? Fala para os nossos ouvintes, porque eles não têm a obrigação de saber’. Fazia explicarem para as pessoas.
Os jornais publicavam, quando eu era repórter, por exemplo,‘vítima de latrocínio’. Então, começaram a botar entre parênteses (matar para roubar). Pronto. Explicação curta, grossa e precisa. Então, nós temos esse problema de achar que todo mundo sabe o que é Selic e sabe como ela influi ou não na vida das pessoas. E outras matérias que ficam nas manchetes durante um mês e não têm o mínimo interesse para o leitor e para o mundo.

Você já disse que o rádio é o único veículo que não vai desaparecer. Por quê?
Porque é instantâneo, portátil e está presente na vida das pessoas, tem muita gente que ainda acompanha rádio. E ele se adaptou muito bem à internet, ganhou abrangência, é um camaleão.

Podemos ter esperança no futuro da profissão, ou devemos mandar os estudantes de jornalismo buscar outra atividade?
Fazer uma faculdade de jornalismo com as ferramentas que existem hoje você só ganha uma ideia geral da atividade, não se forma bons profissionais apenas com a academia.

Que tipo de problema grave os profissionais apresentam hoje?
Uma questão importante é a mania de tirar frases de contexto. Hoje, com exceção desta entrevista (risos), eu não daria uma entrevista. Isso tem muitos exemplos. Existe uma quantidade grande de empresários, executivos, que fogem de dar entrevistas porque temem que vai sair aquilo que não falaram. Nós jornalistas somos muito mal vistos.

Isso é devido à falta de experiência de muitos repórteres?
Talvez. No Jornal do Comércio havia um editor cujo apelido era Rajá, que tinha uma frase que fico pensando muito nela, sobre o fato do iniciante na profissão não ser confiável e da necessidade de cuidar o trabalho dele. A frase dele era assim: “Quando a gente aprende a escrever, eles nos aposentam”.

Há quatro anos, tu tiveste que enfrentar um câncer. Como foi a experiência?
Foi mais tranquilo do que esperava. Fui diagnosticado com um câncer no reto, mas felizmente não tive que passar por colostomia, quimioterapia ou outro tratamento mais agressivo. Tudo se resolveu com uma cirurgia. E tive muita sorte, porque a Unimed pagou por todo o procedimento, e ainda descobri que um seguro que eu tinha me dava R$ 25 mil para cirurgias. Ou seja, o câncer ainda me deu lucro!