Manifesto pela objetividade jornalística?!

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O momento exige definições! Caso contrário, o porco vai pro brejo e a vaca torce o rabo, enquanto jacaré nada de costas porque o rio tem piranha, além de poluição. Do jornalismo se exige clareza: dos jornalistas, certezas. Não me furto ou roubo a compartilhá-las.

Sei que a busca das verdades na Imprensa é um trabalho de Sísifo. Atribuir tal missão é como colocar a espada de Dâmocles tanto sobre o foquinha recém-saído das fraldas acadêmicas quanto do veterano que dedilhou nas Remington. O resultado do esforço de reportagem e edição – digno de ser considerado como o décimo-terceiro trabalho de Hércules — não será, no entanto, o mesmo que jogar pérolas aos porcos? Será que os últimos consumidores de conteúdos a valorizar qualidade na informação não estão lá onde Judas perdeu as botas?

Não sei. Ora penso que sim, hora que não. No limiar da troca, sou Madalena arrependida, mas juro de pés juntos que não me compram com trinta dinheiros nem permito que me escolham como bode expiatório. Minhas posições inequívocas tendem a me jogar na cova dos leões? Encontro em mim a paciência de Jó. Penso e ajo com sabedoria salomônica, sem querer ir além das sandálias, mas ousem me desafiar com o nó górdio para ver no que vai dar!

Há quem pense que o bom jornalismo cruzou o Rubicão. Que queimou as naus. Que, finalmente, está entregando a carta a Garcia e garcias somos nós, o populacho, pois os grandões sempre souberam onde estava o caroço do angu.   Há quem garanta que tudo vai ficar como dantes no quartel de Abrantes. Estes — oh! Céus! — afirmam que a balbúrdia atual (balbúrdia? Ôps!) é uma vitória de Pirro e a mexida necessária para melhorar a vida dos brasileiros e brasileiras vai mesmo é ficar para as calendas gregas.

Quem me lê já pode concluir que este é um discurso acaciano, que até aí morreu o Neves, que estou tentando agradar a gregos e troianos.  Querem o quê, afinal? Não reconhecem que o escriba está entre a cruz e a caldeirinha? Ansioso por pedir emprestada a bacia de Pilatos para colocar as barbas de molho?  Sim, a montanha não foi a Maomé e este Maomário está muito cansado para ir até ela. É desânimo, mesmo, não me confundam com os santinhos do pau oco…

Bafejado pelos farrapos da Revolução idem, reajo com o palavreado épico do Capitão Rodrigo – “Buenas e me espalho. Nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho”. Sim, presto um tributo memorial ao Verissimo Pai. E faço, de público, um compromisso de adesão ao Verissimo Filho. Sua coluna física está ereta e assim o demonstrou pela outra, a impressa, por meio da qual convocou-nos para a luta em defesa da honra, da cidadania, dos direitos espezinhados e dos preceitos da boa educação defenestrados.

Inúmeros não leram o texto que para mim soou veríssimo, verdadeiríssimo, exatíssimo. Dos que leram, quantos concordaram? Dos que concordaram, quantos já estão agindo? Será que não é melhor largar a política de mão e ficar com as nossas façanhas sobre a grama, ali no Beira-Lago ou lá na Arena da OAS? Aí, Francisco Pinto da Fontoura, não seriam elas um melhor modelo para toda a terra?

Quando o Jornal do Brasil era grande no formato standard e maior ainda na reputação, houve uma grande reportagem sobre o tal do estamento composto por poucas centenas de pessoas que mandavam e desmandavam no país do JB. Entrava governo, saía governo, e as mesmas eram cada vez mais as mesmas.

Manifesto pela objetividade jornalística, com ponto de interrogação e/ou de exclamação…  Recuso-me a sequer considerar que talvez, quem sabe, tenhamos perdido o bonde do jornalismo. É que ele saiu dos trilhos conhecidos, não passa mais pelas redações-paradas.
Mario Rocha é jornalista e professor da Fabico