A última edição

COMPARTILHAR

Esta é a última edição da PRESS ADVERTISING. No futuro, você poderá dizer: “Eu tenho um exemplar da última edição da revista Press AD!”. E seu neto poderá perguntar: “Mas, vovô (ou vovó), o que é uma revista?”. Você vai respirar fundo, dar um longo suspiro, e responder: “Pois é, Joãozinho…”.

Algumas pessoas me perguntaram o porquê de estarmos parando com as nossas publicações impressas. Carinhosa e ironicamente, respondi a todas: “Cansamos de ganhar dinheiro!”.

Quando iniciamos a Advertising, há exatos 25 anos, o meio revista representava 9% do bolo publicitário brasileiro, que era de U$ 10,6 bilhões (na cotação presente do dólar, algo como R$ 50 bilhões). Ou seja, revista tinha um pedaço das verbas de propaganda correspondente a R$ 4,5 bilhões.

No ano passado, 2021, o meio revista representou irrisórios 0,4% de share de um montante de verbas de R$ 12,2 bilhões de reais (pouco mais de 20% do que se investia em 1997). Ou seja, 25 anos depois, a fatia de verbas destinadas às revistas pelo mercado publicitário nacional representa apenas R$ 48 milhões, quase 100 vezes menos em real do que se investia quando publicamos a primeira edição da Advertising.

Só isso já é explicação suficiente para estarmos encerrando a produção de revistas. O surpreendente é o quanto resistimos a tomar essa decisão.

Todos os meios impressos viram seus leitores e, por consequência, seus anunciantes minguarem, ante às facilidades oferecidas pela internet. Isso é uma realidade, contra a qual não adianta lutar como um Don Quixote. É preciso avançar. E é o que vamos fazer.

Pessoalmente, mantenho o programa diário na Rádio Guaíba e, a partir de julho devo lançar um canal de notícias sobre política e economia. Vamos continuar com o Prêmio Press, o maior e mais disputado prêmio do jornalismo brasileiro, cuja festa já está marcada para 22 de novembro. Além disso, novos projetos já estão no forno, porque eu não consigo tocar apenas meia dúzia de coisas, sou hiperativo.

Ao encerrar esse ciclo das revistas impressas, preciso fazer alguns reconhecimentos e agradecimentos. Primeiramente, às pessoas que trabalharam comigo ao longo dessas duas décadas e meia. Não foram poucas, mais de uma centena diretamente na artesania de nossos produtos. Mas, personifico numa delas o esforço, a parceria, o envolvimento, o profissionalismo e a dedicação à nobre causa de buscar fazer o melhor sempre. A Nelci Guadagnin foi o meu braço direito, o esquerdo, as duas pernas e meu coração dentro da empresa, em 23 desses 25 anos. Mais do que uma profissional, ela foi e continuará sendo uma das mais preciosas amizades que a vida me deu. Eu confio na Nel 200% e reconheço que ela se doou 300% para a editora e a todos os projetos e maluquices que eu inventei nessas mais de duas décadas juntos. Beijo Nel, estamos e continuaremos juntos, no Prêmio Press e em outros projetos.

Agradeço a parceria do Angelo Garbaski e do Murilo Trindade, parceiros gráficos nos primórdios da Advertising e da Press, e ao amigo José Mazzarollo, parceiro em todos os nossos produtos impressos, nos últimos 15 anos. Cada edição que veio da gráfica, eu vi o esmero e o carinho que vocês dedicaram às nossas publicações.

Agradeço, também, aos nossos anunciantes. Tivemos várias dezenas deles ao longo desse tempo em que publicamos revistas. Entre esses, destaco a SL&M, que mesmo depois de ter encerrado as suas atividades mantém o posto de agência de propaganda que mais anunciou na Advertising. A RBS participou conosco em todos esses 25 anos de Press Advertising. O Banrisul também nos prestigiou em quase todas as edições, à excessão dos quatro anos do governo Olívio Dutra, que entrou para a história gaúcha como o pior governo que já tivemos. Neste sentido, foi uma honraria termos sido discriminados por ele.

Encerramos este ciclo com o coração leve, dignamente, com a altivez de nunca termos nos vendido, de nunca termos negociado nossos princípios, valores e opiniões. Eu, pessoalmente, saio de coluna ereta, serenamente, por ter cumprido minha missão de qualificar o mercado de comunicação do RS e do Brasil com as publicações que produzimos. Nos vemos por aí. Um beijo do Tio Julio e tchau!