Pronasolos: R$ 1,3 bilhão em investimento

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Dois importantes ativos da agricultura, a água e solo, têm agora diretrizes específicas com o Programa Nacional de Solos do Brasil (PronaSolos), lançado recentemente pelo governo federal. O objetivo é orientar ações neste segmento para os próximos 30 anos.

O Pronasolos pretende mapear o território brasileiro e gerar dados com diferentes graus de detalhamento para subsidiar políticas públicas, auxiliar gestão territorial, embasar agricultura de precisão e apoiar decisões de concessão do crédito agrícola, entre muitas outras aplicações. O trabalho, liderado pelo Ministério da Agricultura, terá apoio da Embrapa, universidades, institutos e empresas de pesquisa e agências especializadas.

O projeto vai custar R$ 1,3 bilhão nos primeiros dez anos, e inclui atividades de investigação, documentação, inventário e interpretação de dados de solos brasileiros para gestão desse recurso e sua conservação. Entre os resultados esperados estão a criação de um sistema nacional de informação sobre solos do Brasil e a retomada de um programa nacional de levantamento de solo.

Segundo o coordenador do Pronasolos, José Carlos Polidoro, o ganho para a economia do Brasil em dez anos deve chegar a R$ 40 bilhões – ao ano, a erosão causa prejuízos de R$ 4 bilhões o agronegócio, conforme informações da Embrapa. A produção de alimentos cada vez mais sofisticados e a desertificação observada em diversas partes do planeta são exemplos de questões relacionadas ao manejo correto do solo e de água.

 Conforme informações da FAO, o Brasil possui 140 milhões de hectares com diferentes níveis de erosão (o equivalente a mais de 9 milhões de estádios do Maracanã) e precisa reverter esse quadro o quanto antes.

A preocupação com o uso adequado do solo é global. Com um terço de suas terras degradadas, nos Estados Unidos a erosão causa prejuízos anuais na ordem de US$ 10 bilhões de ao ano. Uma área de terras degradadas faz com que as populações sejam forçadas a tentar produzir em terras marginais, não aptas para lavouras ou pastagens, ou avancem em direção a terras mais frágeis. No Brasil, isto poderia significar uma expansão para Amazônia e Pantanal, por exemplo.

Biodiversidade a perigo
Realizado no Rio de Janeiro em agosto, o Congresso Mundial de Ciência do Solo reuniu 4 mil pesquisadores de 100 países na capital fluminense por quatro dias.

A cientista Diana Wall, da Universidade do Colorado, destacou a importância de se conhecer melhor a biodiversidade dos solos para alavancar estudos nessa área. Os solos envolvem um complexo sistema, no qual animais, insetos e microrganismos interagem o tempo todo. Segundo ela, “os solos são hoje temas de agendas globais, mas a biodiversidade é esquecida”.

Pesquisadora solos – Diana Warall – Foto Valeria Vieira

Pedro Sanchez, da Universidade da Flórida, por sua vez, é um dos mais importantes nomes em solos tropicais do planeta. Hoje, por volta de 15 milhões de pessoas não enfrentam mais a fome muito em virtude do trabalho desse professor, que direcionou esforços de governos e iniciativa privada para providenciar fertilizantes e sementes híbridas em prol de pequenos produtores.

Suas pesquisas demonstram que um simples apoio custa bem menos do que ajuda humanitária e produz efeitos positivos em cascata. O resultado de seu trabalho influenciou a pesquisa em agronomia, ecologia e mudou a forma como a tecnologia é usada para aumentar a produção de alimentos – Sanchez foi inclusive indicado à Academia Nacional de Ciências dos EUA em 2012 pelo trabalho.