Produção de milho deve crescer, mas preços correm risco de oscilação forte

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As perspectivas para a safra de milho no Brasil seguem positivas, tendo em vista o aumento de produção previsto para a safra 2018/2019. Em relação ao ciclo anterior, estima-se uma alta de 14,1%, incrementando para mais de 91 milhões de toneladas de milho no primeiro e no segundo ciclo do cereal, segundo boletim divulgado pela consultoria INTL FCStone. O setor também espera que os preços internos do milho se mantenham firmes, sustentados pelo ritmo das exportações e nos valores do produto na Bolsa de Chicago, que tem obtido fechamento de preços mistos, apesar do impasse gerado pelas tensões comerciais entre Estados Unidos e China.

“A nova temporada de grãos, a ser colhida em 2019, se inicia no Brasil em clima de certo otimismo, sustentado pelos bons resultados das duas últimas safras, pelo menos – tanto em termos de produção quanto de rentabilidade. Em 2018, houve problemas regionais com algumas culturas, como o milho segunda safra e o trigo de inverno e, mesmo assim, o Brasil colheu a segunda maior produção da história, perdendo apenas para o volume de 2016/17”, afirmou Lucilio Alves, pesquisador responsável pelas equipes de Grãos, Fibras e Raízes do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

No entanto, apesar de os preços do milho brasileiro se encontrarem bem superiores aos registrados em 2017 e o mercado não sinalizar quedas expressivas em relação aos valores do próximo ano, o milho é o grão brasileiro que pode apresentar as maiores e mais intensas oscilações nos preços. “Como as exportações estão em ritmo mais lento, pode ser que os estoques de passagem fiquem mais elevados que os esperados até o momento, que a oferta de primeira safra seja maior que em 2018 e que ocorra boa oferta da 2ª safra. Com isso, as cotações podem recuar comparativamente ao esperado até o momento”, advertiu Alves.

No que se refere à primeira safra do grão, destinado principalmente ao atendimento da demanda interna, como no caso das áreas próximas às granjas de suínos e aves e da ração animal para confinamento, a área plantada deverá ter um acréscimo de 0,8% frente ao ciclo de 2017/2018, o que representa um acréscimo de 5,1 milhões de hectares, de acordo com o último levantamento feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No total, o plantio de milho na safra de verão 2018/2019 atingiu 92,1% da área estimada, em novembro, de acordo com a consultoria Safras & Mercado. No mesmo período do ano passado o plantio estava concluído em 88,3% da área estimada.

Foto Karine Viana/Governo do Estado

Já em relação à segunda safra de milho, a Conab estima que devem ser colhidas cerca de 63,73 milhões de toneladas, com base em resultado médio das últimas safras. Com isso, o Brasil deverá ter um incremento de 18,1% na produção na safra de inverno em relação ao ciclo 2017/2018 do mesmo período, que resultou em 53,98 milhões de toneladas no acumulado. Ainda segundo a Conab, a safra total do milho no Brasil 2018/2019 deve ser de 91,10 milhões de toneladas, frente às 80,79 milhões de toneladas do ciclo no período anterior; um aumento de 12,8% na produção.

No Rio Grande do Sul, as expectativas em relação à primeira safra também seguem positivas, uma vez que as boas condições das lavouras de milho, auxiliadas pelo clima e pela tecnologia, acarretaram projeções maiores na produtividade local. O estado, que, ao lado de Minas Gerais, ocupa o posto de maior produtor da safra de verão, elevou a sua colheita para 6,9 toneladas por hectare. Segundo a Emater/RS, a estimativa é que a produtividade alcance 110 sacas por hectare, com destaque para a região de Venâncio Aires, que possui produtividade superior à média gaúcha, com a possibilidade de colheita de até 120 sacas por hectare.

Os fatores do clima também deverão auxiliar nas estimativas para a segunda safra de milho no Rio Grande do Sul. “Diferentemente da virada de 2017 para 2018, o clima não atrasou o plantio de soja, o que é importante para garantir uma área crescente para a segunda safra de milho”, afirmou o gerente do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do IBGE, Carlos Alfredo. Ainda de acordo com o pesquisador, caso os preços do grão se mantenham positivos até o plantio da segunda safra, pode-se esperar também um aumento de área.

A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) também projeta que o Estado deverá apresentar uma recuperação tanto na área quanto na produção de milho em 2019, diante de uma previsão mais otimista para os preços do cereal. De acordo com o economista chefe da Farsul, Antônio da Luz, depois de uma queda de 15,1% na área plantada com o cereal na safra 2017/2018, o milho deve avançar 2,5% neste ciclo, alcançando 729,922 mil hectares.

Para a Farsul, após a produção de 2017/2018 retroceder 24,7% frente ao ciclo anterior, a próxima colheita deve apresentar recuperação. Para 2019, a expectativa é de que o Estado possa colher 4,929 milhões de toneladas de milho, avançando 8%.

O Valor Bruto da Produção (VPB) de milho alcançou R$ 2,646 bilhões em 2018, com uma expansão de 4,6% ante 2017. A expectativa da Farsul para 2019 é de que o VPB do cereal fique em R$ 2,226 bilhões, com uma retração de 15,9% frente a este ano. “Essa queda tende a ocorrer devido ao aumento dos custos de produção do milho no Estado”, ressalta da Luz.