Tempos de expansão de exportações e preços na proteína animal

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Depois do abate de milhares de animais para conter o avanço da peste suína africana - PSA, os chineses lotaram seus frigoríficos de carne adquirida no exterior

Boas vendas de carnes reforça ânimo do agronegócio em 2019, eleva preços e ainda abre espaço para crescimento em 2020

O Brasil tem 200 milhões de habitantes para alimentar, mas produz alimentos suficientes para matar a fome de 1,6 bilhão de pessoas. Com esse desequilíbrio, que se pode definir como positivo, temos um excedente de produção que turbina nossas exportações e ajuda a manter o agronegócio como uma das principais forças econômicas do País. E neste cenário, descrito pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado, Gedeão Pereira, o ano de 2019 foi, especialmente, promissor tanto para grãos quanto para pecuária.

“Se o Brasil não amplia e investe em exportações, não vende nem uma pequena parcela de tudo o que produz. E o agronegócio brasileiro ficaria atolado em montanhas de grãos e de carnes aqui dentro”, sintetiza Gedeão.

Por conta de uma conjuntura mundial puxada, especialmente, pela China, mas não só ela, mercados para comercializar nossa produção primária não devem faltar nos próximos anos. O arroz brasileiro, por exemplo, está indo para um país esperado há bastante tempo — o México. O milho teve embarque recorde de grãos para o exterior, em diferentes destinos. Novos compradores surgem também para o leite, no Egito.

No final de 2019, uma aguardada valorização para a pecuária de carne foi comemorada pelo setor, com a alta do preço da arroba paga pelo boi gordo. O valor saltou de cerca de R$ 150,00 no início de outubro para R$ 231,00 no início de dezembro, de acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP). A alta foi de 50% em apenas dois meses.

“O preço do boi caiu de meados de 2016 até setembro de 2018, portanto com retração de dois anos. Tínhamos o boi em torno de R$ 150,00 reais a arroba e com as operações Carne Fraca e delação premiada da JBS, com impactos na empresa, o valor descambou e foi parar em R$ 130,00. Persistiu nesse patamar por um longo período. Estamos vivendo o momento bastante esperado nos preços da pecuária de corte”, comemora o presidente da Farsul.

A alta ocorreu no mercado mundial, dada à elevada necessidade chinesa por proteína animal para alimentar sua vasta e crescente população especialmente de classe média. Depois do abate de milhares de animais para conter o avanço da peste suína africana (PSA), os chineses lotaram seus frigoríficos de carne adquirida no exterior. E ainda pode faltar mais carne por lá.

Esse cenário coincide com as muitas habilitações de frigoríficos para vender ao país asiático, movimento que ocorre não apenas no Brasil como em toda a América Latina, explica Gedeão, que também é diretor de Relações Internacionais da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA).

Além do Brasil, a China tem buscado proteína animal na América Latina, nos vizinhos Argentina, Uruguai e Bolívia, assim como na Irlanda. Sem falar dos grandes e tradicionais fornecedores – Austrália e Nova Zelândia. Esse movimento, por sinal, gerou um fato curioso. O Brasil começou a exportar carne para o Uruguai, já que o país possui 17 plantas habilitadas (praticamente todos os frigoríficos de lá) para venderem para os chineses.

Gedeão Pereira Presidente da Farsul,

“Os uruguaios passaram a exportar a carne deles em quantidade ainda maior e a importar do Rio Grande do Sul para seu abastecimento interno. Isso porque antes mesmo do avanço da PSA, o Uruguai já comercializava acima de 70% de sua produção para a China e o resto para Europa”, explica Gedeão.

Há quem alerte para os riscos dessa dependência de exportações para o grande mercado asiático, que neste ano reduziu sua compra de soja por aqui, também reflexo da redução do abate de milhares de suínos. Gedeão, porém, destaca que o Brasil é fornecedor natural.

“O Brasil tem que ser vendedor. Em contrapartida temos na Ásia o gigante chinês, extremamente dependente de importações de comida, porque segurança alimentar é fundamental para eles. Isso ficou muito claro na visita que fiz, junto com o presidente Jair Bolsonaro, ao país. Em jantar com Xi Jinping, o Brasil foi recebido com honrarias”, relembra Gedeão.

Em dados nacionais, a Confederação da Agricultura e da Pecuária (CNA) estima que Produto Interno Bruto do agronegócio deve crescer 3% em 2020 em relação a 2019. Apesar da maior estimativa de produção agropecuária para o ano que vem, há uma tendência de alta dos custos de produção, o que poderá impactar a renda do produtor rural em 2020.

Os custos de produção da soja, por exemplo, devem ter elevação recorde na safra 2019/2020, entre outros motivos, porque grande parte dos fertilizantes foi negociada a preços acima do que em safras anteriores. Em 2019, o PIB deve crescer 1% em relação a 2018.

Demanda forte por carnes deve seguir além de 2020
O crescimento das exportações e nos preços da carne bovina no final de 2019 é uma sequência do mesmo fator que já elevou desde o início do ano as compras chinesas de aves e suínos. Com a Peste Suína Africana afetando a produção chinesa desde o final de 2018, quem exibe índices chineses de crescimento em 2019 é a avicultura e a suinocultura.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Proteína Animal, entre janeiro e outubro, o país asiático importou 183,1 mil toneladas de carne suína (+40% em relação ao mesmo período do ano passado), e de aves foram 444,7 mil toneladas (+22%). O resultado do negócio? Somados, são quase US$ 1,5 bilhão antes mesmo de o ano encerrar. Em receita, a China agregou pagamentos 38% maiores no frango e 66% a mais nos suínos. E a demanda não vai parar de uma hora para outra, avalia o presidente da ABPA, Francisco Turra. Uma das razões é que retomar os plantéis abatidos com segurança sanitária leva tempo. Outro fator que deixa claro a necessidade chinesa é que Pequim não para de habilitar novos frigoríficos brasileiros.

Em novembro de 2019, cinco novas plantas produtoras e exportadoras de suínos e as três unidades de aves devem ampliar ainda mais a importância da China na pauta exportadora de proteína animal em 2020, segundo a ABPA.  Agora, o Brasil passa a contar com 16 plantas habilitadas para exportar carne suína para o mercado chinês, e 46 plantas para embarques de carne de frango.

“Nas prévias da realização do encontro dos BRICS, a notícia das novas habilitações dá o tom da parceria que China e Brasil estão construindo em prol da segurança alimentar e da ampliação da pauta comercial. Já consolidado como principal fornecedor externo de frango para a China, o Brasil agora deve expandir sua participação, também, nas vendas de carne suína”, ressaltou Turra.

Soja fecha o ano com os ganhos do dólar em alta
Com a cotação da moeda norte-americana nas alturas (entrou dezembro acima de R$ 4,20), a comercialização da soja vem estimulando embarques e contratos futuros com valores atraentes. Os preços da soja estão em “patamares muito interessantes”, avalia o presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Gedeão Pereira. Com valor próximo dos R$ 90,00 hoje, supera com folga até mesmo os já muito bons R$ 77,00, registrados no ano passado.

“Nós já estamos fazendo alguns negócios acima de R$ 90,00 no mercado futuro para entrega em maio, junho. Este câmbio favorece; agora, é verdade que, se ele ajuda por um lado, dificulta por outro”, alerta Gedeão, falando sobre os custos futuros da lavoura se o câmbio seguir nestes patamares.

Ter uma cotação alta no dólar agora, quando se está semeando e na hora de vender, e retornar aos patamares inferiores quando começar a próxima safra é um desejo do setor para 2020. Mas, Gedeão destaca que o ideal, mesmo, é contar com um câmbio menos oscilante, seja o patamar que for.

O Rio Grande do Sul registrou, nos últimos anos, uma redução anual de 5% a 7% no número de produtores de leite.

“Essa flutuação tira qualquer previsibilidade, inclusive para logo ali adiante, no primeiro trimestre de 2020. Mas, de qualquer maneira, este câmbio está favorecendo as exportações brasileiras, inegavelmente”, confirma Gedeão.

Se o câmbio deixa incertezas para o curto prazo, porém, o presidente da Farsul não hesita em dizer que as perspectivas de incrementar novamente as vendas da oleaginosa para a China em 2020 são bem factíveis. Isso porque o governo de Xi Jinping tem preocupações constantes com a segurança alimentar do país — a falta de alimentos ainda é um trauma para parte da população, que passou pela Grande Fome, especialmente entre o final dos anos 1950 e início dos anos 1960, quando milhões de chineses morreram. Além disso, com a alta demanda interna e a necessidade de importar quantidades ainda maiores de carne, começa a aumentar a inflação dos preços dos alimentos, o que o governo chinês também tenta evitar, estimulando, fortemente, as proteínas de rápida maturação, explica Gedeão, falando da avicultura e da piscicultura.

“A piscicultura é uma das grandes consumidoras de soja. Assim, se estabelece outra demanda. Como abateram o plantel de suínos, houve demanda imediata maior por carnes e menor por soja, o que em 2020 deve ser retomado. E, também, vale lembrar que a soja que não foi embarcada para a China em 2019 teve como destino alimentar animais em outros países fornecedores de carne”, destaca o presidente da Farsul.

Setor de lácteos tem novas regras e ampliação de mercados

Novas regras e novos mercados inseridos no horizonte do setor de lácteo em 2019 respingarão fortemente na atividade 2020. Sob diferentes aspectos, as perspectivas são boas para o próximo ano.

A mudança mais diretamente ligada à base da produção de leite no Estado, certamente, foi a entrada em vigor de duas novas normas técnicas para produção e industrialização. As Instruções Normativas nº 76 e nº 77, em nível federal, passaram a exigir mais controle e melhor qualidade do leite entregue à indústria.

O ano foi de grandes adaptações aos produtores. Apenas o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado (Sindilat) promoveu nove encontros, por redes sociais e presenciais, com a participação de mais de 30 mil interessados em saber o que precisariam fazer dentro destas novas regras, que entraram em vigor em maio.

“A partir de novembro, quando se passou definitivamente a rejeitar quem estava fora dos padrões, percebemos que 12% dos produtores ainda precisavam de adequação. Quem ainda necessitava de ajustes melhorou e logo o índice caiu 10%”, explica o presidente do Sindilat, Alexandre Guerra.

O Rio Grande do Sul registrou, nos últimos anos, uma redução anual entre 5% a 7% no número de produtores de leite. Parte das desistências ocorreu por falta de sucessores para um trabalho pesado, outra parte por baixos valores pagos nos últimos anos. Agora, diz Guerra, as maiores exigências que passaram a fazer parte do setor também acabaram acelerando um pouco a saída de quem não estava bem preparado para um novo cenário. “Produtores que já tinham intenção de parar acabam decidindo sair neste momento”, resume Guerra.

Setor que ainda depende muito do consumo interno, a produção de lácteos, porém, tem nas novas normativas uma aliada para ampliar as exportações. Guerra ressalta que China e Egito são dois mercados que se abriram recentemente ao produtor brasileiro. Ainda que também possa enfrentar a competição estrangeira da União Europeia por aqui nos próximos anos, conforme prevê o recente acordo com o Mercosul, é preciso olhar mais para fora do Brasil em 2020, diz o executivo. “Com novas normativas, temos mais condições de competir lá fora. No novo ano, teremos mais empresas tentando entrar nesses mercados internacionais”, assegura o presidente do Sindilat.

Para apoiar os estreantes no comércio exterior, o Sindilat já está se aproximando da Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex Brasil) para começar a preparar melhor as indústrias que ainda não têm experiência e tradição de vendas para o mercado internacional. Atualmente, as exportações de lácteos podem ser realizadas pelos fabricantes CCGL, Lactalis, Dália e Cosulati.

“Empresas de médio porte, e até mesmo pequenas, podem ter condições de buscar as exportações, não em comoditties, mas em produtos beneficiados, como queijo, manteiga e requeijão. Setores que tenham diferencial de qualidade e valor”, complementa Guerra.

Consumo interno tende a aumentar
O setor de lácteos teve seu consumo e preços afetados pela crise, pelo desemprego e queda na renda da população nos últimos anos, assim como outras indústrias da área de alimentação. Nem mesmo o leite UHT, que representa 40% da produção gaúcha, e é um item básico, escapou ileso. Segundo Guerra, o setor “andou de lado” com a frustração em relação ao início do ano, quando se esperava que o Brasil fosse crescer entre 2,5% e 3% no ano – hoje, a expectativa caiu para menos de 1%. “Indústrias e produtores trabalharam com margens apertadas, ou até negativas. Por outro lado estamos otimistas quanto ao próximo ano”, opina o presidente do Sindilat.

Os bons prenúncios vêm, segundo Guerra, porque após a reforma da Previdência, uma nova legislação trabalhista e as simplificações da Lei da Liberdade Econômica, o ano de 2020 deve ter incremento no PIB.

De novo, as exportações aparecem nas projeções como um porto seguro também para equalizar o mercado interno, avalia. Guerra calcula que, se o Brasil como um todo conseguir comercializar para o mercado internacional cerca de 5% da produção nacional de leite, se retira a pressão para baixo no preço tanto para a indústria quanto para o produtor.

“Mas isso só vai ocorrer de uma eficiência maior, que começa no produtor e passa também pela indústria. Assim como o governo precisa avançar na reforma tributária e nas privatizações, o que injeta recursos no Brasil, e nos garante mais competitividade”, destaca o executivo.

Para exportar mais, porém, as indústrias terão que enfrentar burocracia, estradas ruins e outros conhecidos gargalos. São dificuldades que não estão sob controle nem do produtor, nem dos fabricantes, reconhece Guerra, sugerindo esforços e mudanças para “fazer mais com menos”.

“Os próprios supermercados fizeram isso, quando na crise reduziram os preços do leite, que é um atrativo para o consumidor, mas impactando no valor pago à indústria e ao produtor. Temos que encontrar novas ferramentas para crescer”, resume o executivo.

Moderfrota vai da falta de dinheiro à sobra de recursos
O ano de 2019 foi, com certeza, atípico para o setor de máquinas agrícolas. Indústrias e revendedores começaram o ano cheio de entusiasmo e estatísticas positivas, que foram mudando lentamente ao longo do ano. Até se inverterem de uma projeção de crescimento para retração.

O primeiro fator de inibição foi a falta de recursos do Moderfrota, o que praticamente paralisou as vendas por cerca de dois meses no primeiro semestre do ano. Depois veio o Plano Safra 2019/2020 com juros muito acima da Selic, avalia Cláudio Bier, presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers), desestimulando negócios. Nas projeções da Fenabrave, a retração nas vendas chegar a 10% quando terminar o balanço de 2019. Um ano atrás, em janeiro, a perspectiva era oposta: alta próxima de 10%.

 “O ano começou bem e depois faltou dinheiro, então o setor praticamente parou por dois meses. Isso prejudicou o andamento dos negócios neste ano e gerou estoques. Mesmo sem as vendas, as indústrias continuaram trabalhando, na expectativa que fossem retomar os negócios, o que demorou mais do que o previsto”, explica Bier.

Neste ano, também ressalta o empresário, as demandas por financiamentos acabaram encolhendo e até “sobrando”. Isso porque os juros menos atraentes levam os produtores a comprar equipamentos por outras fontes, ou adiar enquanto pesquisa a melhor alternativa. “Tradicionalmente, os juros para aquisição de máquinas agrícolas era o equivalente a 50% da Selic. No atual plano, ressalta o empresário, está em 10,5% frente aos cerca de 5% da Selic”, compara Bier.

Deixando de lado o Moderfrota, o produtor procura outras linhas de financiamento que não seja o governo. Uma das alternativas é diretamente com bancos, com a indústria, e buscando o financiamento com a própria soja, o chamado barter.

Em 2019, o trigo, que representa 70% do que é colhido, teve crescimento, junto com outras culturas da temporada

Segundo Bier, como o agronegócio continua sendo a “joia da coroa” nas finanças brasileiras, o setor privado está de olho nos produtores. E com Selic alta e demanda em baixa, ofertar crédito está mais fácil e com taxas mais atraentes ao agricultor, avalia o presidente do Simers.

Vergílio Perius
Presidente do Secoop/Ocergs

“Os bancos estão procurando o produtor e oferecendo juros menores do que o do governo. Hoje há formas que são mais baratas que o Moderfrota. O produtor nem fala mais no Moderfrota. Como é o juro mais caro do mercado, pode até sobrar recursos neste ano. Quem vai pegar essa fatia do mercado são os bancos privados”, contextualiza Bier.

No trigo, Emater e Fecoagro destacam bons resultados
Com cerca de 270 municípios do Estado cultivando alguma cultura de inverno, o Rio Grande do Sul terá colhido neste ano cerca de 3 milhões de toneladas de grão na temporada. Mesmo com algumas perdas no trigo, que, de acordo com o presidente da Emater, Geraldo Sandri, foram mínimas e ocorreram apenas no final, as lavouras de inverno foram o destaque deste ano. Isso porque as semeaduras de inverno estavam em queda desde 2017, diz Sandri.

Em 2019, o trigo, que representa 70% do que é colhido, teve crescimento, junto com outras culturas da temporada, como canola e cevada. “São 750 mil hectares de trigo, com produtividade de cerca de 3 mil quilos por hectares, que vão resultar em 2,2 milhões de toneladas, umas das cinco melhores da história”, comemora Sandri.

A perspectiva também é boa para as cooperativas agropecuárias gaúchas associadas da FecoAgro/RS, que beneficiam mais de 50% da safra de trigo no Rio Grande do Sul. Em relação aos preços ofertados ao produtor, neste ano estão 10,15% superior a médio do preço de 2018. A entidade indica que o produtor que colher 58 sacas por hectare cobre o desembolso ao preço atual na faixa de R$ 40,00 a saca. A informação é que, em algumas lavouras, a produtividade superou a 70 sacas por hectare.

A projeção da FecoAgro/RS indica que a lavoura de trigo no Estado deve gerar um volume financeiro superior a R$ 3 bilhões.

Cooperativas lamentam juros elevados para investimentos
Ainda que, em grandes termos, o agronegócio como um todo tenha registrado bons números em 2019, no que toca o segmento de agroindústrias o ano teve uma marca negativa: os juros elevados, avalia o presidente da Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (Ocergs), Vergílio Perius. “Pagar 7,5% para fazer investimento no beneficiamento da produção com uma inflação de 3%, não é viável”, reclama Perius.

O presidente da Ocergs calcula que existem hoje entre oito e 10 projetos de agroindústrias de bom porte represados devido ao elevado custo financeiro. O prejuízo é iminente, conforme Perius, pois as agroindústrias são grandes geradoras de emprego e uma boa forma de pulverização e riquezas pelos municípios, via arrecadação de ICMS.

“Temos que exportar comida no prato, para o consumidor final, e não somente sacas de grãos. Temos que industrializar o produto. É a grande mudança que o governo tem que entender. A agroindústria é a segunda maior geradora de empregos em qualquer atividade no mundo e o Brasil está com milhões de desempregados. Se a indústria não cresce, o País para”, alerta Perius.