Sojicultores registram até 63% de quebra na produtividade na safra 2019/2020

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Crédito: Alexandre Lombardi/CESB

Os principais estados produtores de soja apresentam quebras de produtividade de até 63%, de acordo com dados levantados pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB) junto ao sistema Agrymax, que reúne informações meteorológicas para o controle das plantações. Essa foi a situação do Rio Grande do Sul, que enfrentou períodos de déficit hídrico em diversos momentos do ciclo da cultura. Já outros estados também sofreram quedas na produção nesta safra, principalmente por conta das oscilações entre falta e excesso de chuvas no período.

Os dados do sistema Agrymax foram coletados e analisados pelo membro do CESB Paulo Cesar Sentelhas, que é professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (USP/Esalq). Ele destaca ainda que a safra da soja na 2019/2020 foi marcada por condições climáticas bastante distintas nas diversas regiões produtoras do Brasil.

“Enquanto nos estados de Goiás e Mato Grosso as condições meteorológicas propiciaram um bom crescimento e desenvolvimento das plantas , com os déficits hídricos não causando mais do que 22% de quebra, no Rio Grande do Sul a situação foi bem diferente, com as lavouras de soja enfrentando períodos de deficiência hídrica em diversos momentos do ciclo da cultura, gerando quebras de produtividade acentuadas, na ordem de 54% a 63%”, afirma.

Já em outras localidades, as condições climáticas, principalmente a ausência de chuvas, não foram tão drásticas para o sojicultor, conforme declara Sentelhas. “No Paraná e em Mato Grosso do Sul as quebras oscilaram entre 40% e 46% em algumas regiões dos estados. Numa situação intermediária, temos o Maranhão e Bahia, onde a deficiência hídrica gerou decréscimo de 35% na produtividade”, informa.

Adiamentos – A safra 2019/2020 da soja se iniciou no Paraná com tempo seco, em setembro, quando as previsões de chuva eram somente para outubro. Alguns produtores arriscaram plantar com pouca umidade no solo, gerando as quebras destacadas pelo sistema Agrymax.  O mesmo foi sentido em Rondônia, onde pela primeira vez o plantio começou sem chuvas.

Por conta disso, a safra 2019/2020 foi marcada por atrasos no início do plantio em diversas regiões, como o Centro-Oeste, Norte e Sudeste. Sul e Nordeste conseguiram plantar na janela prevista, mas sofreram com oscilações no clima durante o ciclo da cultura.

Campeões de produtividade – O CESB realiza, anualmente, o Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja, onde destaca os sojicultores com as maiores produtividades do País. Os campeões da safra de 2019/2020 serão conhecidos no dia 14 de julho, durante o Fórum Nacional de Máxima Produtividade de Soja, que será transmitido a partir das 8h20 pelo Canal Rural, na TV, nas redes sociais e canal do YouTube. O evento também conta com a parceria da Elevagro.

O CESB é uma entidade sem fins lucrativos, formada por profissionais e pesquisadores de diversas áreas, que se uniram para trabalhar estrategicamente e utilizar os conhecimentos adquiridos nas suas respectivas carreiras e vivências em prol da criação de uma rede sustentável da sojicultura brasileira. Atualmente, o Comitê é composto por 24 membros e 23 entidades patrocinadoras: BASF, Bayer, Syngenta, FMC, Jacto, ATTO Adriana Sementes, Brasmax, Calcário Itaú, Compass Minerals, Corteva, DataFarm, Instituto Phytus, Mosaic, Omnia, Stara, Stoller, SuperBAC, Timac Agro, Ubyfol, UPL, Adama, Casa Bugre e SOMAR Serviços Agro.
Fonte: Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB)