RS pode ter incentivo ao etanol a partir de grãos e tubérculos

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Grãos e tubérculos podem virar uma alternativa importante de renda no Rio Grande do Sul caso a política pública de fomento à cadeia produtiva no etanol seja implantada no Estado. O governador Eduardo Leite recebeu, em novembro, uma proposta da Frente Parlamentar do Proetanol da Assembleia Legislativa neste sentido.

Conforme informações do deputado Elton Weber, líder da frente, a produção gaúcha de etanol limita-se a 0,1% do consumo estadual de 1,5 bilhão de litros ao ano. Como praticamente não há cana-de-açúcar no Rio Grande do Sul, grãos e tubérculos, como mandioca, podem ser matérias-primas. Weber pondera que o Rio Grande do Sul poderia receber R$ 1 bilhão ao ano, em impostos, caso a produção estadual atendesse ao consumo interno.

Este ano o Brasil deverá produzir 30,3 bilhões de litros de etanol da cana-de-açúcar e mais 1,35 bilhão de litros a partir do milho, o que dá um total de 31,6 bilhões de litros. Os dados são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Estudos da Embrapa Trigo indicam também que a produção de etanol a partir de cereais pode se tornar viável. Ao contrário das demais regiões produtoras de etanol no País, o ambiente gaúcho inviabiliza o abastecimento das usinas com cana de açúcar, pois a cultura está disponível apenas quatro meses no ano. Entretanto, a área disponível para cultivo no inverno pode ultrapassar os 6 milhões de hectares, espaço que fica muitas vezes ocioso nas propriedades gaúchas.

De acordo com a Embrapa, são consideradas cultivares de triticale, centeio, cevada, trigo e aveia com potencial de atender as demandas na produção de etanol amiláceo – base na quebra de amido para geração de álcool.

O pesquisador Alfredo do Nascimento Junior explica que, entre os cereais de inverno aprovados para a produção de etanol, se destaca a cultivar de triticale BRS Saturno, que pode apresentar até 60% de amido em seus grãos, podendo resultar em 350 litros de etanol por tonelada de grãos. O triticale também é uma cultura que suporta solos de baixa fertilidade com alto potencial de rendimento de grãos, que pode ultrapassar seis toneladas por hectare.

Conforme as pesquisas, qualquer matéria-prima que contenha uma quantidade considerável de carboidratos (açúcares) pode ser fonte para obtenção de álcool. Os materiais amiláceos podem ser divididos em grãos e feculentos (raízes e tubérculos). Entretanto, para que seja viável economicamente, é preciso que se considere o seu volume de produção, rendimento industrial e o custo de fabricação.

A produção gaúcha de etanol limita-se a 0,1% do consumo estadual de 1,5 bilhão de litros ao ano

A produtividade de álcool depende de quão completa é a conversão do amido, mas normalmente é de 260 a 380 litros por tonelada. Quanto às raízes e aos tubérculos, uma vantagem é que podem ser utilizados materiais de refugo, fora de tamanho, machucados e até mesmo com brotação desenvolvida.

Os resultados das pesquisas surpreendem. Há diversas opções avaliadas para a produção de etanol amiláceo nas diferentes regiões do Rio Grande do Sul. Uma variedade de arroz gigante, desenvolvida pela Embrapa Clima Temperado, pode produzir 12 toneladas de grãos/ha, gerando cerca de 5 mil litros de etanol/ha. Já uma tonelada de batata inglesa pode atingir uma produção de 2.750 litros de etanol/ha, e de batata-doce, até 1.750 litros de etanol/ha. O uso do triticale desenvolvido pela Embrapa Trigo pode chegar a produzir 4 toneladas de grãos/ha, gerando cerca de 1,4 mil litros de etanol/ha.

Hoje, cinco projetos de usinas de etanol amiláceo estão em andamento no Rio Grande do Sul nos municípios de Camaquã, Campo Novo, Viadutos, Palmeira das Missões e Carazinho. A estimativa da Emater/RS é de que o programa Proetanol possa beneficiar mais de 130 mil famílias rurais no estado.