Pecuária deve puxar PIB do agronegócio

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Pecuária de corte Foto: Wenderson Araujo/CNA

A agropecuária brasileira deve fechar 2019 com crescimento de 0,6%, de acordo com projeções do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A pecuária será determinante para o crescimento do PIB do setor.

Segundo o levantamento, que leva em conta também dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), haverá alta em todos os segmentos de produção animal, com destaque para bovinos, suínos e leite. A maior contribuição para esse aumento é de bovinos, com previsão de incremento de 3% em relação ao ano passado – o grupo dos bovinos contribui com cerca de metade do PIB da pecuária.

No caso dos grãos, a estimativa é de uma ligeira alta de 0,1%, principalmente devido à queda na safra de soja. Para o IBGE, a retração na oleaginosa será de 4,4%, enquanto a Conab prevê menos 4,2% e o USDA estima 4,1%. A causa é uma forte estiagem que atingiu parte do Centro-Oeste ainda em meados de 2018, o que impactou o plantio. Mesmo assim, a safra brasileira de soja deve chegar a 115 milhões de toneladas – à frente dos Estados Unidos, com perspectiva de 112 milhões de toneladas.

Quando se analisa o cenário da safra brasileira, mesmo com os percalços na soja, o ano é positivo devido aos fortes resultados esperados no milho. No total, serão 239 milhões de toneladas de grãos, alta de 5% quando comparado ao ciclo anterior.

A colheita do milho primeira safra deve somar 26,3 milhões de toneladas, com destaque para a produção da Região Sul, que representa mais de 45% desse total. Já a produção do milho segunda safra teve um aumento de 31,1%, puxada principalmente pelos incrementos esperados em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. A área cultivada também alcançou um acréscimo de 6,9% comparada à safra 2017/18.

Na proteína animal, além do bom desempenho esperado para os bovinos, há destaque para os suínos, com projeção de aumento na produção de 5,6% devido à disseminação da peste suína africana na China, que causará grande impacto na produção de carne de porco naquele país.

Crescimento – Apesar da crise econômica, ainda não resolvida, a agropecuária brasileira deve crescer 0,6% em 2019.
Foto: Wenderson Araujo/CNA

Mercado de trabalho estável
A população ocupada no agronegócio brasileiro manteve-se em 18,07 milhões de pessoas nos primeiros meses de 2019, segundo pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.

Com isso, a participação do agronegócio no mercado de trabalho brasileiro foi de 19,67% no primeiro trimestre de 2019, inferior ao registrado nos três primeiros meses de 2018 (19,99%), mas superior ao trimestre imediatamente anterior (19,59%).

Quanto aos segmentos, houve elevação do número de trabalhadores em atividades relacionadas à fabricação de insumos (4,02%) e agrosserviços (2,34%) na comparação entre os períodos de janeiro e março de 2018 e o primeiro trimestre de 2019. Já a agroindústria e a agropecuária registraram baixas de 1,73% e de 1,42% na população ocupada, respectivamente, no mesmo período.

O emprego no agronegócio reflete as tendências observadas no mercado de trabalho brasileiro: recuo de mão de obra com carteira assinada, em contraponto ao avanço de trabalhadores informais. Em relação à escolaridade, o setor agro concentra uma perda expressiva dos trabalhadores menos escolarizados.

Na comparação do 1º trimestre de 2019 frente ao mesmo período no ano anterior, houve queda de 34,63% para esse grupo, em contraponto ao avanço de 7,43% no contingente de ocupados com nível superior completo ou incompleto.

O número de ocupados “dentro da porteira”, que inclui todos os funcionários das fazendas, manteve a tendência de redução já verificada nos últimos anos, resultado de mudanças estruturais na produção agropecuária brasileira.

No caso da agroindústria, a diminuição de 1,73% no contingente de trabalhadores e empregadores pode ser atribuída, especialmente, aos recuos observados nas indústrias relacionadas ao setor sucroenergético e à fabricação de massas e outros produtos alimentícios.

Os insumos, mesmo representando menor parcela dos ocupados no agronegócio, tiveram papel importante ao amenizar as quedas registradas nas atividades primárias e agroindustriais. Segundo o Cepea, o total de contratados em atividades relacionadas à fabricação de fertilizantes, defensivos, rações, medicamentos e maquinários registra tendência positiva nos últimos anos, passando de 156 mil pessoas há cinco anos para 225 mil trabalhadores em 2019.

Houve evolução também na população ocupada em atividades de agrosserviços, o que pode estar atrelado, em linhas gerais, ao armazenamento e ao escoamento da safra de grãos que, segundo dados da Conab, registrará crescimento neste ano.