B11 deve alavancar o biodiesel brasileiro

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As perspectivas são muito boas para o biodiesel brasileiro. O Ministério de Minas e Energia (MME) autorizou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a prosseguir com o aumento da mistura obrigatória de biodiesel no País. Com isso, a mistura de 11% de biodiesel ao diesel fóssil comercializado no Brasil deve entrar em vigor ainda neste ano. O anúncio veio com a divulgação da conclusão do relatório de testes em motores que validam o uso do biocombustível em misturas até 15%.

Atualmente, o Brasil é o segundo maior produtor mundial de biodiesel, atrás apenas dos EUA, e foi responsável pela produção de 5,3 bilhões de litros no ano passado. Com o B11, a União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio) estima que a produção brasileira alcance o recorde de 6 bilhões de litros em 2019.

O cronograma divulgado pelo ministério estabelece o aumento de 1% ao ano no teor de biodiesel adicionado ao diesel fóssil até 2023. Com isso, a previsão é alcançar o B15 até março de 2023. O biodiesel é uma alternativa renovável para o combustível mais usado no Brasil — o diesel fóssil. Quanto maior a produção e consumo deste biocombustível, menor será a dependência nacional de diesel importado.

O biodiesel é um óleo gerado a partir de óleos de gorduras vegetais e animais. De acordo com a ANP, cerca de 70% do biodiesel produzido é feito de óleo de soja, 17% de gordura animal (sebo) e os demais de outras matérias-primas como o óleo de cozinha usado e óleo de semente de algodão.

Outro dado interessante é que, na produção de biodiesel, em média 30% da matéria-prima tem origem na agricultura familiar. Em 2018, foram movimentados no país cerca de R$ 4 bilhões com a comercialização de produtos vindos da agricultura familiar que atua no setor de biocombustíveis.

Juan Diego Ferres, Presidente da Ubrabio

Juan Diego Ferrés, presidente da Ubrabio, avalia que o B11 ajudará a indústria a recuperar os ganhos, pois parte da capacidade de produção permanece ociosa. “O biodiesel representa o equilíbrio. Equilibra as emissões de carbono, que há centenas de anos se acumula na atmosfera pelo uso dos combustíveis fósseis. E equilibra também a exploração dos potenciais brasileiros, reduzindo importação de combustível e fortalecendo a indústria”, salienta ele.

Além de ser importante para a segurança energética, o combustível renovável desempenha um papel fundamental na manutenção de vida no planeta, ao retirar toneladas de carbono da atmosfera. Desde o início do programa de biodiesel, em 2005, até maio deste ano, com o B10 obrigatório, o biodiesel já ajudou o Brasil a diminuir em mais de 70 milhões de toneladas as emissões de CO2.

“Este potencial de contribuir com a redução de gases causadores do efeito estufa foi reconhecido pelo governo brasileiro no documento que traça as estratégias para cumprir as metas do Acordo de Paris. A expansão dos biocombustíveis consegue unir desenvolvimento econômico e sustentável, gerando riqueza para o país e preservando a saúde e a qualidade de vida da população”, explica o diretor superintendente da Ubrabio, Donizete Tokarski.

O aumento no uso também deve atrair investimentos em novas unidades de produção da ordem de R$ 1,2 bilhão. Conforme a Ubrabio, serão necessárias 12 novas unidades de produção de biodiesel com a capacidade média de 170 milhões de litros/ano, para atender o B15 nos próximos quatro anos. Isso significa novos empregos, geração de renda e movimentação da economia, calcula a entidade.

Outro setor que será alavancado é o de processamento de soja. A Ubrabio estima um acréscimo de 15 milhões de toneladas no processamento da oleaginosa, o que vai demandar investimentos do setor privado equivalente a R$ 3,8 bilhões, além de promover a agregação de valor à produção agrícola e o fortalecimento da indústria nacional de carnes e derivados.

O biodiesel é parte importante da diversificação da produção energética brasileira, em que os biocombustíveis se sobressaem. Segundo relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), o Brasil tem a matriz energética menos poluente entre os maiores consumidores globais no mercado de combustíveis.

Para a AIE, até 2023, os biocombustíveis devem chegar a 45% do consumo final de energia no País, principalmente puxados pela demanda nas áreas de transporte, indústria e hidroeletricidade.

Ainda segundo levantamento feito pela AIE, a bioenergia moderna (etanol e biodiesel) representou 50% do consumo energético global de origem sustentável no ano passado, sendo quatro vezes mais que as fontes solar, fotovoltaica e eólica combinadas. Em projeção feita pela Agência, a bioenergia deve permanecer como a principal fonte de energia renovável