Instituições se unem para fomentar a olivicultura

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Diversas instituições se reuniram para potencializar as pesquisas em olivicultura, setor que inclui desde a plantão das árvores até o processamento e produção do azeite. O grupo de trabalho inclui a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural e instituição de ensino e pesquisa como a Embrapa Clima Temperado, Ufrgs, UFPel, Unipampa e UFSM.

O Rio Grande do Sul é o maior produtor de azeite e azeitonas em conserva do Brasil, com 1,55 mil toneladas de azeitonas para processamento de azeite, área plantada de 6 mil hectares e expectativa de chegar a 20 mil hectares até 2025. São 150 produtores, dez indústrias e 25 marcas de azeite gaúchas. Em 2019, foram produzidos 190 mil litros de azeite no Estado.

Andréia de Oliveira
Coordenadora da área de Olivicultura – DDPA/Seadpr

Conforme explica a coordenadora da área de Olivicultura no Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria (DDPA/Seapdr), Andréia Mara Rotta de Oliveira, o grupo tem o objetivo de captar recurso juntos, em vez de pulverizar. “De um modo geral, no país e no Rio Grande do Sul, a pesquisa está passando por uma reestruturação. A ideia é se unir e formar uma massa crítica mais forte para que possamos atuar em conjunto”, explica.

Em março, um comitê interno do núcleo vai se reunir para definir um calendário de atividades para 2020, a fim de pensar formatos para transferência dos resultados de pesquisa ao setor produtivo, seja em forma de seminários, seja por meio de dias de campo.

De acordo com Andréia, a olivicultura ainda é uma cultura de alto risco, e as pessoas que conhecem bem o setor aprenderam tudo no exterior. “O que a gente pretende ao criar esse grupo é construir esse conhecimento, a partir da nossa realidade. O solo é diferente, o clima é diferente, e há características diferentes dentro das regiões do Estado. A nossa ideia é construir o conhecimento dentro da realidade do Rio Grande do Sul”, explica a pesquisadora.

Desde 2016, o DDPA conta com um grupo de pesquisa multidisciplinar voltado para a cultura das oliveiras, composto por 22 pesquisadores, que vem trabalhando nos seguintes temas: desenvolvimento de um sistema de modelagem numérica de tempo e clima específico para a cultura das olivas, estudos sobre fenologia e exigências térmicas de variedades plantadas no Rio Grande do Sul, utilização de fungos benéficos que auxiliem na absorção de água e sais minerais na produção de mudas, biodiversidade de insetos e microrganismos para o controle de pragas e doenças, além de diagnóstico da fertilidade e status nutricional dos olivais.

Entre 2018 e 2019, o grupo participou de eventos nacionais e internacionais voltados para a área e publicou cinco artigos científicos com informações importantes sobre o trato da cultura. Segundo Andréia, “falamos sobre a antracnose, causada por espécies do fungo Colletotrichum spp, e o controle alternativo da cochonilha branca, ambos considerados os principais problemas fitossanitários da cultura”.

Safra 2020 de azeitonas pode ter redução
Após a excelente produção em 2019, que resultou em um volume recorde de 1,4 milhão de quilos de azeitona, a expectativa para a safra de azeitonas no Rio Grande do Sul em 2020 não é a mesma. De acordo com estimativas do Instituto Brasileiro da Olivicultura (Ibraoliva), fatores climáticos afetaram significativamente a produção dos frutos em muitos pomares gaúchos.

“A expectativa para 2020 é uma safra menor que a de 2019. Devemos colher bem abaixo do esperado. Essa quebra na produção se dá em função das condições climáticas registradas principalmente no inverno, com pouco frio e ainda alternando com semanas de temperaturas elevadas, o que proporcionou uma floração desuniforme”, explica o presidente do Ibraoliva, Paulo Marchioretto.

Ele, que também é produtor no município de Encruzilhada do Sul, lembra que a floração, principalmente da Arbequina (uma das variedades mais cultivadas Estado) ocorreu mais tarde, no mês de outubro, quando houve grande volume de chuvas, que interferiram negativamente na polinização.

Rosane Abdala
Produtora do Azeite Don José

Apesar da redução, os produtores só têm a comemorar. O azeite gaúcho tem ganhado espaço no mercado interno e colecionado prêmios no exterior. Exemplo é o médico e produtor Jorge Abdala que, com a esposa a farmacêutica Rosane Abdala, começaram a investir em oliveiras em 2005 e contam com um pomar de 20 hectares. A primeira safra significativa veio há seis anos, quando lançaram o rótulo do azeite Don José.

“Entramos nessa atividade há algum tempo e junto com outros produtores do município estamos entre os pioneiros da olivicultura no estado. Não por acaso que Caçapava do Sul foi o primeiro município a implantar a olivicultura no Rio Grande do Sul”, destaca Rosane Abdala.

A produtora de Caçapava do Sul lembra que, apesar de ter tido seu pomar também afetado pelas intempéries do clima, a qualidade não deve ser afetada. “O volume da safra não interfere na qualidade dos azeites gaúchos, que se caracterizam pelo sabor intenso e picante devido a colheita com azeitonas ainda verdes. Acima de tudo, o nosso azeite chega às mesas dos consumidores com o frescor do azeite jovem”, ressalta Rosane.

No entanto, a relação de oferta e procura deve afetar os preços neste ano. Apesar do estado ainda ser o maior produtor de azeitonas do País, a tendência é que os preços do azeite sofram alguma elevação devido ao menor volume que será colhido da fruta.

“Acreditamos que essas situações não tragam consequências sobre a qualidade dos azeites, mas tendem a elevar o valor dos azeites nacionais em função do menor volume que será produzido”, finaliza o presidente do Ibraoliva.