Crescendo devagar e sempre

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Qualquer atividade econômica, quando esmiuçada por dentro de sua engrenagem, revela-se uma cadeia de elos fortemente ligados e dependentes entre si. No agronegócio, não é diferente. Mesmo com a visão de que ainda é o setor da economia brasileira mais resistente aos desdobramentos da crise econômica – comparativamente com a indústria e o comércio -, a agricultura é constituída por um conjunto de fatores que, quando analisados isoladamente, ajudam a desvendar essa complexa cadeia produtiva.

Economista do Sistema Farsul, Antonio da Luz explica que, fora algumas questões excepcionais, o desempenho do agronegócio gaúcho em 2017 está dentro do esperando pela entidade. “É um ano de margens apertadas, com rentabilidade baixa ainda por conta dos preços baixos das commodities”, relata ele.

A face mais enaltecida do agronegócio é a produção brasileira de grãos. São eles que fornecem alimentos para os animais que darão a carne, que geram boa parte das divisas com as exportações, que permitem a compra de novas máquinas etc. Um ciclo que se alimenta permanentemente.

Neste quesito, o Brasil é nota 10. Conforme a última estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com uma elevação de 28% (ou 51,6 milhões de toneladas), a safra de grãos 2016/2017 deve chegar a 238,2 milhões de toneladas frente as 186,6 milhões de toneladas da safra passada.

Uma conjunção de fatores explica esta supersafra, como clima adequado, pequena ampliação de área em 4% e o aumento da produtividade média de todas as culturas, à frente soja e milho, que tiveram alto nível de aplicação tecnológica.

No Rio Grande do Sul, não poderia ser diferente. De 33 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior, a estimativa é de que o volume total aumente 10,3%, alcançando 37 milhões de toneladas. A produtividade também cresceu em solo gaúcho: na média geral dos grãos, passou de 3.870 quilos por hectare na safra passada para 4.230 quilos na atual. O Estado segue como o terceiro maior produtor de grãos do Brasil, atrás de Mato Grosso (60 milhões de toneladas) e Paraná (41 milhões).

“O produtor tem investido na lavoura, isso é fato. Outro fator que impressiona é que vivemos um ciclo de cinco safras seguidas sem secas. Isso é inédito na nossa história recente”, avalia Paulo Pires, presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (Fecoagro-RS).

O resultado é que, nos últimos dois anos, dinheiro não faltou na guaiaca de muito produtor. “Em 2015 e 2016, tivemos preços excepcionais para a soja e o milho. A soja chegou a R$ 90,00 a saca, e o milho alcançou R$ 50,00”, avalia Pires.

Como nem tudo que é bom dura para sempre, o cenário agora é outro. Os dois principais grãos da lavoura brasileira estão rendendo bem menos. A saca da soja tem preço médio de R$ 60,00 e o milho, nos principais estados produtores, é vendido a R$ 25,00, metade do que foi visto em 2015.

A questão dos preços baixos de commodities como soja e milho, alta dos insumos e redução no preço pago pela indústria formam um cenário de dificuldade para o produtor rural, na percepção do presidente da Associação Brasileira de Angus, José Pires Weber. “Ano passado, vendíamos a saca de soja a R$ 82,00 e hoje recebemos R$ 60,00. O arroz caiu de R$ 60,00 para R$ 42,00 a saca. O produtor no Brasil é herói por conseguir gerar renda em uma situação econômica e política instável como a atual”, avalia.

Falta mais armazenagem
Um dos motivos – além da cotação internacional – é justamente aquele enaltecido nos números: safra maior ano após ano. O excesso de milho e de soja tem pressionado os preços no mercado interno para baixo. Parte dos produtores prefere estocar os grãos à espera de melhores ganhos. Isso causa outro problema: falta armazenagem no País.

“Ano passado tínhamos um estoque de 1 milhão de toneladas de soja da safra 2015 ainda armazenadas. Depois, tivemos uma safra de milho com alta produtividade e o trigo também foi bom naquele ano. Conjugando isso tudo com os números recordes deste ano, teremos um problema grande em 2018 porque nossos estoques ainda estão elevados”, prevê Pires, da Fecoagro.

A recomendação média é que a capacidade de armazenagem de um país ou estado seja igual a 1,2 vezes sua produção agrícola anual, ou seja, deveria haver uma folga de 20% nos silos por safra, mas isso não ocorre. No Rio Grande do Sul, a estimativa é de que a capacidade de armazenagem esteja em 100% da estimativa de safra atual.

Pires destaca que as cooperativas têm investido em armazenagem, um equipamento caro e que não acompanha o crescimento expressivo das safras ano após ano. “Se aumentamos a capacidade, digamos, em 10%, a safra cresce 15%. Então sempre teremos um pequeno déficit. Mas também é preciso observar que supersafra não é permanente, então trabalhamos com um horizonte mais racional de armazenagem”, explica.

Quando a lupa é direcionada para o desempenho das exportações do agronegócio gaúcho, percebe-se um resultado relativamente menor que o de 2016. De janeiro a julho, saíram dos campos do Rio Grande do Sul para o exterior um total de US$ 6,343 bilhões em divisas, queda de 4,37% na comparação com o mesmo período de 2016 (perda de US$ 289 milhões).

Soja, carnes, produtos florestais e fumo se destacam nos contêineres. Entre os parceiros comerciais do Rio Grande do Sul, a China mantém posição de destaque, respondendo por 42,9% do valor comercializado (US$ 2,724 bilhões). Os Estados Unidos são o segundo maior destino das exportações, com 4% (US$ 254 milhões), na sequência aparece a Rússia, com 3,6% (US$ 229 milhões).

Rentabilidade baixa
Estudo divulgado pela Farsul em agosto mostra que os expressivos resultados na produção rural nos últimos anos não se refletem no bolso do produtor. Se as boas safras foram apontadas como fundamentais para a manutenção da economia nacional, o lucro no campo vem caindo a cada ciclo de colheita. E o cenário da pecuária também não se apresenta diferente.

De acordo com o levantamento da assessoria econômica da Farsul, as lavouras que apresentaram crescimento no lucro, na comparação entre 2016 e 2017, são aquelas que registraram perdas com as chuvas do ano passado, como arroz irrigado em Uruguaiana e trigo em Carazinho e Tupanciretã, as demais registraram perdas.

Esses são os casos da soja em Carazinho (-23%) e Cruz Alta (-9%), milho em Carazinho (-39%) e arroz irrigado em Camaquã, que atingiu -55%. Este último município teve sua produção de soja dobrada em virtude da quebra do ano anterior, mas mesmo assim os produtores amargaram prejuízos.

Com a pecuária a situação é semelhante. Na comparação entre 2014 e 2017, em Bagé, o lucro por hectare, que era de R$ 11,87, caiu para R$ -151,76. O economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz, aponta as crises envolvendo a JBS e a operação Carne Fraca como grandes responsáveis pelo resultado.

Máquinas engatam recuperação
Provavelmente, o setor do agronegócio mais duramente atingido pela crise econômica, as máquinas agrícolas entraram 2017 com o pé no acelerador. De janeiro a julho, conforme dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram produzidas 34 mil unidades no Brasil (alta de 35% sobre o mesmo período de 2016). As vendas subiram dois dígitos: cerca de 20%, passando de 16.920 máquinas de janeiro a julho do ano passado para cerca de 21 mil nos sete primeiros meses de 2017.

Também nas exportações o saldo é positivo. As vendas, em valores, totalizaram US$ 259 milhões em julho, alta de 75,5% na comparação com igual mês do ano passado e de 16,2% sobre o desempenho de junho. No ano, as vendas externas acumulam avanço de 40,8%, para US$ 1,472 bilhão.

A notícia é um alento para uma indústria que passa por um dos seus piores momentos nos últimos 40 anos. Presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers), Cláudio Bier é cauteloso, mas concorda que o cenário é animador. “Eu vejo deste modo: parou de piorar. O desemprego diminuiu, inclusive começamos a contratar novamente. Os primeiros meses deste ano mostraram uma reação nas vendas, mas a instabilidade política segue atrapalhando”, explica ele.

De fato, enquanto a indústria de máquinas agrícolas empregava 17.400 trabalhadores em janeiro, em julho este número passou para 18.400 colaboradores. Bier avalia que, mais capitalizado e com crédito mais acessível, parte dos produtores decidiu aproveitar o momento para renovar seus equipamentos.

“É um investimento alto, mas o agricultor entende que uma máquina nova traz mais produtividade na lavoura. Isso reduz perdas e amplia ganhos. Como a terra está cara, ele precisa ganhar mais com o mesmo pedaço de chão”, explica o presidente do Simers. Atualmente, existem máquinas que fazem o dobro do trabalho de um modelo mais antigo em um menor espaço de tempo, segundo ele.

Haveria possibilidade, no horizonte, de retomar os patamares de quatro atrás, quando as vendas somaram 83 mil máquinas em 2013? Bier acredita que não. “Foi um ano excepcional e que até acabou prejudicando nosso desempenho nos períodos posteriores por que o juro estava muito barato e, com isso, muitos adiantaram as compras. Deste modo, reduziu as vendas nos anos seguintes. Máquina agrícola é um investimento de longo prazo, precisa planejamento, então o ideal é um crescimento sustentado”, completa ele.

Na carne bovina, dois cenários diferentes
Apesar de todos os percalços no caminho dos pecuaristas brasileiros em 2017 – operação Carne Fraca, a crise da JBS e o embargo norte-americano à carne in natura – os dados até julho mostram que, pelo menos nas exportações, o impacto foi nulo.

As exportações de carne bovina tiveram crescimento acima de 31% em julho (com faturamento de US$ 540 milhões), segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). O mês fechou com 129 mil toneladas embarcadas, o que representa um incremento de 22,9% se comparado com os resultados obtidos em julho do ano passado.

“No primeiro momento, a notícia da suspensão da compra pelos Estados Unidos foi um choque, porque o mercado deles é visto como referência para outros países. Contudo, nossa carne é de qualidade e a alta nas exportações reflete isso. O efeito foi mais psicológico”, pondera Fábio Medeiros, veterinário e gerente do programa Carne Angus Certificada, acostumado a percorrer as principais feiras de alimentos do mundo promovendo a carne do Brasil.

Ainda conforme a Abiec, nos sete primeiros meses deste ano, nas exportações de carne bovina in natura, o Brasil obteve um faturamento que ultrapassa US$ 2,6 bilhões, o que indica acréscimo de 3,1% sobre a receita do mesmo período de 2016. A perspectiva, de acordo com a entidade, é finalizar 2017, senão com leve crescimento nas vendas, pelo menos no mesmo patamar de 2016.

Hong Kong (32,9 mil toneladas) e China (15,9 mil toneladas) continuaram liderando em julho as importações da carne bovina brasileira, seguidos por Rússia (13 mil toneladas) e Irã (11 mil toneladas). A novidade foi o retorno do Egito, que enfrenta problemas cambiais e reduziu muito suas aquisições desde o ano passado, e que comprou em julho 20 mil toneladas. Segundo analistas, mesmo com os efeitos negativos da Operação Carne Seca ainda perdurando em alguns mercados, a carne bovina brasileira continua muito competitiva no exterior.

No mercado interno, entretanto, a situação é diferente, uma vez que a redução nos pedidos das unidades da JBS acabou por bagunçar toda a cadeia produtiva de carne bovina. Desde maio, quando estourou o escândalo envolvendo a companhia, o excesso de oferta derrubou o preço da arroba nos principais estados produtores de carne e obrigou o setor a se reorganizar.

Conforme dados do Centro de Pesquisa Econômica Aplicada (Cepea), vinculado à Esalq/USP, os preços do boi gordo reagiram um pouco as últimas semanas de julho e primeiras semanas de agosto. Com a diminuição da oferta de boiadas em decorrência da queda na qualidade das pastagens, o viés de alta no mercado do boi gordo deve se manter em curto prazo.

Este movimento pode indicar uma tendência de recuperação no mercado interno, ainda retraído não só devido à JBS, mas com a diminuição do poder de compra do brasileiro. Apesar da redução no valor pago ao pecuarista, no varejo os preços se mantém elevados.

“Nós tivemos queda de 24% nos preços de nossas carnes em 2016 nas negociações com os frigoríficos. Mas não houve diminuição para o consumidor. Alguém está ganhando neste caminho e não somos nós”, reclama José Roberto Pires Weber, presidente da Associação Brasileira de Angus.

Entressafra diferente no leite
Uma série de fatores tem contribuído, nos últimos meses, para reduzir o preço do leite pago ao produtor em todo o País. Ao que tudo indica, este panorama desfavorável deve ser manter até o fim de 2017.

Na média Brasil (que inclui os principais estados produtores, como Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná, Goiás, São Paulo, Santa Catarina e Bahia), julho fechou com o valor de R$ 1,23 por litro. De acordo com o Cepea, assim, a cotação do leite retomou o patamar de julho de 2014, em termos reais (valores deflacionados pelo IPCA de junho/17). É a primeira vez neste ano que o preço fica abaixo do registrado em 2016 – frente a julho do ano passado, o recuo é de 12,8%.

A diminuição dos preços está atrelada à demanda ainda enfraquecida por lácteos e ao aumento da captação, o que é comum para este período de entressafra. “No Sul é um pouco diferente, mas no Sudeste e Centro-Oeste, a entressafra do leite acontece de março a setembro. É um período de menor chuva, pastagem mais rala. Com isso, a vaca produz menos”, explica Natália Grigol, pesquisadora do Cepea.

Em uma relação adequada de oferta e demanda, normalmente na entressafra os preços subiriam. Não foi o que aconteceu até agora. “Houve oferta menor de leite sim, mas a demanda no varejo não sustentou a valorização do preço pago lá no campo. O consumo de lácteos no país está baixo devido à crise econômica, e acreditamos que 2017 terminará caracterizado como um ano de consumo reduzido no varejo”, avisa Natália.

Uma análise dos preços cobrados pelo litro do leite UHT nos supermercados mostra o tamanho do estrago causado no poder de compra do brasileiro. O valor por litro, em julho deste ano, em média, custava R$ 2,01, cerca de 20% menor que junho e 45% abaixo do preço cobrado por caixa de leite um ano atrás.

Ou seja, mesmo com a forte queda no custo, o consumidor tem comprado menos leite. Se antes consumia sete litros por semana, opta com reduzir a quantidade, por exemplo. Essa queda é maior ainda em relação aos lácteos de maior custo, como queijos, requeijão, leite condensado, iogurtes e creme de leite. “Temos um cenário de pessoas desempregadas, sem perspectiva de renda e isso tem reflexos ao longo do tempo. O brasileiro vai ao supermercado com poder de compra limitado”, explica Natália.

Outro ponto que normalmente pressiona os preços no mercado interno é a importação de leite. Apesar de ser um grande produtor (foram 23 bilhões de litros apenas em 2016), o Brasil compra dos vizinhos Argentina e Uruguai leite em pó, destinado tanto para uso industrial (composição de outros alimentos) quanto para envase e venda a varejo. “Se temos leite, porque importamos o produto em pó? Por que o preço dele é mais competitivo para a indústria do que produzir aqui no Brasil. É um leite em pó mais barato e de boa qualidade”, destaca a especialista.

Natália complementa destacando que o Brasil tem capacidade grande na cadeia do leite, com produção qualificada e condições de dar conta da demanda tanto da indústria quanto do varejo. O que falta é equilibrar essa balança de preços, na qual o leite uruguaio (tradicionalmente de ótima qualidade) ganha mercado no Brasil devido ao custo menor de produção deles.

“A pecuária leiteira, ao contrário do produtor de soja, não pode esperar preço. É um produto perecível e que deve seguir seu ciclo econômico imediatamente. Então o agricultor vive essa complexidade de mercado diariamente, por isso é uma atividade exigente e que deve ser valorizada”, complementa a pesquisadora do Cepea.

Dinheiro para irrigar o campo
Primeiro mês do Plano Safra 2017-2018, julho teve demanda de R$ 8,4 milhões em crédito bancário por parte de médios e grandes agricultores. O valor é 23,2% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado.

A maior procura foi influenciada pelo fato de os produtores terem adiado a tomada de crédito nos meses anteriores para o atual ciclo agrícola, na expectativa de redução de juros. O governo federal liberou R$ 188,4 bilhões para financiar a produção agrícola de julho deste ano a junho de 2018.

Diretor de crédito do Banrisul, Oberdan de Almeida compartilha do otimismo de parte do mercado. “Sentimos que os agricultores estão mais motivados, e essas cinco safras cheias dos últimos cinco anos ajudam”, avisa ele. Atualmente, o crédito rural reponde por 10% da carteira de crédito do Banrisul, média que se mantém ano após ano.

Almeida destaca os recursos de R$ 2,2 bilhões do Plano Safra do Banrisul colocados à disposição do produtor neste ano, R$ 200 milhões a maior que no ciclo anterior. “O pessoal continua cauteloso principalmente devido ao cenário político instável, mas temos visto durante as feiras que o pessoal está mais motivado a trocar uma máquina, por exemplo. Se não fizer isso, pode ter perdas na colheita”, enumera.

O presidente da Central Sicredi Sul Sudeste, Fernando Dall’Agnese, ressalta que o agronegócio responde por 70% das operações da cooperativa. “Ano passado já foi um ano bom para o Sicredi, crescemos quase 20%. A perspectiva é fecharmos 2017 no mesmo patamar de crescimento”, pondera o executivo.

Para o ciclo 2017-2018, a cooperativa de crédito aumentou em 20% os recursos do Plano Safra – são R$ 7,10 bilhões em crédito rural para Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com estimativa de realizar cerca de 118 mil operações.

Ele pondera que, apesar do otimismo, a questão dos preços da soja e do milho são as maiores preocupações para o setor rural hoje. “Em 2015, houve aquela alta exagerada no milho, algo fora da realidade. Aquilo não foi bom para ninguém, porque poucos produtores conseguiram preços altas e a cadeia de carnes terminou prejudicada”, relembra Dall’Agnese.

Superintendente regional do Banco do Brasil, Edson Bündchen destaca que, historicamente, a instituição é a maior apoiadora do agronegócio gaúcho, respondendo por 60% dos contratos de crédito rural no Rio Grande do Sul. No novo Plano Safra, o BB está ofertando R$ 12,6 bilhões em recursos para financiamentos rurais.

Bündchen espera uma retomada gradual na demanda por máquinas e equipamentos agrícolas, o que deve repercutir nas contratações de crédito. “Não só as máquinas, mas o agronegócio como um todo, nos últimos anos, tem contribuído para a balança comercial do Brasil, inclusive com superávits. É um dos setores que evita com que a crise que vivemos já há três anos não seja ainda pior”, completa o superintendente do BB.

Câmbio ajuda suínos e frango
Se em 2015 os criadores de aves e suínos reclamavam de prejuízos devido ao alto custo do milho, essencial para a ração, hoje a situação se inverteu. A saca, que chegou a custa R$ 50,00, é vendida, em média, por menos de R$ 30,00. Com isso, o produtor aproveita para exportar.

Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) evidenciam que as exportações brasileiras de carne de frango totalizaram 385 mil toneladas em julho, número que supera em 6,2% o total embarcado no mesmo período do ano passado, com 362,4 mil toneladas.

Segundo a entidade, foi o primeiro saldo mensal positivo desde os equívocos ocorridos na divulgação da Operação Carne Fraca, ocorrida em março deste ano. Por isso que, em volume, houve decréscimo de 4,6%, com 2,506 milhões de toneladas neste ano – em 2016, foram 2,628 milhões de toneladas.

Contudo, em receita cambial, a história é diferente. No acumulado do ano (janeiro-julho), o setor de carne de frango registra alta de 5,4% em faturamento, com US$ 4,201 bilhões em 2017 (foram US$ 3,987 bilhões dos sete primeiros meses de 2016). A diferença se deve ao câmbio mais favorável, neste ano, ao exportador brasileiro.

“Emirados Árabes Unidos, Egito, Japão, México, Kwait, Angola e outros mercados contribuíram para o bom desempenho registrado em julho”, explica o presidente da entidade, Francisco Turra. A expectativa, segundo ele, é que esse patamar se mantenha até o fim de 2017, recuperando o setor exportador dos impactos negativos registrados ao longo do primeiro semestre.

Para a carne suína, as vendas brasileiras para o exterior registraram queda de 6,8% em julho na comparação com o mesmo período do ano passado.  Ao todo, foram embarcadas 48,7 mil toneladas no sétimo mês de 2017, contra 52,2 mil toneladas de julho de 2016. No acumulado até julho, ocorreu redução de 3,1% nos volumes, com 342,4 mil toneladas.

Novamente, quando se analisa a receita, o resultado é outro: nos sete primeiros meses do ano, o faturamento alcançou US$ 863 milhões, frente a US$ 685,2 milhões em 2016. O ganho se deve principalmente a Hong Kong, tradicional comprador e que retomou mais fortemente as encomendas nos últimos meses.