Década para celebrar a agricultura familiar

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Agricultura familiar - Foto Albino Oliveira

Muito se discute a respeito da importância da agricultura no combate a fome. Nesse contexto, a produção familiar, em pequenas propriedades, merece ser incentivada e terá um papel de destaque nos próximos dez anos. É o que garante a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), agência que lidera esforços para a erradicação da fome e combate à pobreza, ao lançar a Década da Agricultura Familiar em maio deste ano.

O plano inicia em 2019 e termina em 2028. Ele prevê ações para o cumprimento dos objetivos da década a partir de sete pilares que contemplam prioridades para o desenvolvimento completo e sustentável do setor.

Entre os objetivos específicos se destacam criar um ambiente político propício para fortalecer a agricultura familiar, apoiar jovens, fomentar a igualdade de gênero e o papel das mulheres rurais, impulsionar as organizações de produtores e melhorar a inclusão socioeconômica. Também é preciso incentivar o bem-estar dos agricultores, famílias e comunidades rurais, promover a sustentabilidade da agricultura familiar para alcançar sistemas alimentares resistentes às mudanças climáticas. Isso sem esquecer de proteger a biodiversidade, o meio ambiente e a cultura.

De acordo com dados da FAO, a agricultura familiar contribui para a erradicação da fome e da pobreza, para a proteção ambiental e para o desenvolvimento sustentável. Há mais de 500 milhões de propriedades agrícolas familiares no mundo. Suas atividades rurais são geridas e conduzidas por uma família e contam predominantemente com mão de obra familiar.

No Brasil, conforme levantamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), extinto em janeiro deste ano, no Brasil, há mais de 5,1 milhões de estabelecimentos familiares rurais. A renda do setor responde por 33% do Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário e por 74% da mão de obra empregada no campo.

Dados do último Censo Agropecuário demonstram que a agricultura familiar é a base da economia de 90% dos municípios brasileiros com até 20 mil habitantes. Além disso, é responsável pela renda de 40% da população economicamente ativa do País e por mais de 70% dos brasileiros ocupados no campo.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 87% da mandioca, 70% do feijão, 46% do milho, 34% do arroz, 58%, do leite, 59% dos suínos, 50% das aves, 30% dos bovinos e 21% do trigo produzidos no Brasil são oriundos da agricultura familiar, sem falar, ainda, na produção de frutas e hortaliças.

Um Brasil rural novo
Para o secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Fernando Schwanke, a iniciativa deve provocar mudanças nos próximos anos na vida dos agricultores familiares brasileiros. “A década é uma oportunidade para mostrarmos um Brasil rural novo. Um País que superou a fome. Essa é a maior evidência do desenvolvimento da agricultura familiar e da promoção das políticas públicas que fortalecem a produção e aumentam a produtividade, e, consequentemente, a quantidade e qualidade dos alimentos que os brasileiros consomem”, relata.

Secretário de Agricultura Familiar, Fernando Schwanke Foto: Tomaz Silva

Segundo Schwanke, a agricultura brasileira, formada por pequenos, médios e grandes produtores, tem sua base na agricultura familiar. “Quando as propriedades foram ficando pequenas para as famílias, essas foram subindo em direção ao Centro-Oeste, Norte e Nordeste, e fizeram do Brasil a potência agrícola que é. Em uma geração, as famílias rurais transformaram o Brasil”, comemora ele.

E essa transformação pode chegar ao mundo inteiro, de acordo com previsões da FAO. Para a instituição, a família e o campo representam uma unidade que evolui de forma contínua e desempenha funções econômicas, ambientais, sociais e culturais na economia rural mais ampla e nas redes territoriais em que estão integradas.

Nesse contexto, os agricultores familiares gerenciam sistemas agrícolas diversificados e preservam os produtos alimentares tradicionais, o que contribui para permitir dietas equilibradas e proteger a agrobiodiversidade global.

Segundo a FAO, os pequenos produtores rurais salvaguardam as culturas locais e gastam os seus rendimentos nos mercados locais e regionais, gerando assim mais renda na cadeia agrícola das comunidades.

Agricultura familiar – Foto: Pedro Revillion/ Palacio Piratini

Portanto, os agricultores familiares têm um potencial único para aumentar a sustentabilidade da agricultura e dos sistemas alimentares, sendo este um dos pilares da Década da Agricultura Familiar.

“A agricultura familiar é fundamental para o desenvolvimento sustentável em muitos aspectos, incluindo a erradicação da pobreza, a fome e todas as formas de má nutrição, além da preservação dos recursos naturais e da biodiversidade”, destacou, recentemente, o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva.

Agricultura familiar
No Brasil, ela produz:
87% da mandioca
70% do feijão
46% do milho
34% do arroz
58% do leite
59% dos suínos
30% dos bovinos
21% do trigo