Cooperativa arrozeira do RS projeta atingir faturamento superior a R$150 milhões de 2021

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A Cooperativa Arrozeira Palmares completa, no dia 23 de dezembro, 60 anos de história e atuação no mercado brasileiro de arroz. Administrada pelos próprios associados, ao longo dessas seis décadas, a Arrozeira Palmares tornou-se referência em gestão, qualidade de produtos, comercialização da produção e sustentabilidade.

Na sede da Cooperativa, em Palmares do Sul, município de 11 mil habitantes a 90 quilômetros de Porto Alegre, são beneficiados 1,5 milhão de fardos por ano (45 milhões de quilos), um volume que seria suficiente para abastecer toda a população de cidades como Recife (PE), ou Porto Alegre (RS), durante um ano inteiro. São mais de 1.500 pontos de vendas espalhados pelo país e um portfólio com sete tipos de arroz, sendo comercializados principalmente nas regiões Sul e Sudeste.

Com 169 associados distribuídos em municípios como Capivari do Sul, Cidreira, Mostardas, Osório, Palmares do Sul, Santo Antônio da Patrulha, Tavares e Viamão, o objetivo da Cooperativa Palmares para 2021 é atingir um faturamento superior a R$ 150 milhões registrado no ano passado. “Nosso arroz está nas gôndolas das principais redes de supermercados de todo o Rio de Janeiro. Além disso, temos um mercado consolidado no Sul Fluminense, onde somos a marca líder, com 26% das vendas”, afirma o diretor-presidente da cooperativa, José Mathias Bins Martins.

Único com selo D.O.
O único arroz no Brasil credenciado para utilizar o selo de Denominação de Origem (D.O.) na embalagem é o arroz Palmares Gold – especial Gourmet, produzido pela Cooperativa Arrozeira Palmares. O reconhecimento foi obtido em 2010, pela Associação dos Produtores de Arroz do Litoral Norte Gaúcho (Aproarroz), depois da comprovação, junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), de que as condições climáticas da região são determinantes na obtenção de arroz com características únicas e que não podem ser encontradas em nenhum outro lugar.

“Essa península entre o mar e a laguna tem o mesmo clima da praia. Um levantamento histórico demonstrou que as nossas temperaturas ficam em torno de 25 graus. Além desse equilíbrio térmico, a influência dos ventos, da luminosidade e da umidade são importantes na formação do grão de arroz”, destaca Martins, produtor de arroz que participou do grupo de trabalho, na época, e é, atualmente, diretor-presidente da Cooperativa Palmares.

Entre as características do arroz, destacam-se o alto rendimento de grãos inteiros, com um grão mais vítreo. Para o consumidor final, é um arroz soltinho, dá mais rendimento de panela, além de ser um arroz muito saboroso.

A sustentabilidade nas lavouras de arroz
A lavoura arrozeira gaúcha está entre as mais exigentes do planeta em cuidados, nível técnico e legislação ambiental. Para os especialistas, são a garantia que são sustentáveis e que o arroz gaúcho tem plenas condições de atender ao mercado internacional. As obrigações começam nas lavouras, com extremo cuidado com a água, manejo do solo para que ele continue fértil e um conjunto de boas práticas – que seguem por toda a cadeia produtiva.

O diretor supervisor da Cooperativa Palmares, Carlo Antonio Schifino assegura que as preocupações ambientais nasceram junto com a Cooperativa e seguem com as gerações mais jovens, que estão apostando em energias renováveis, como eólica e fotovoltaica. “Temos abundância de vento e sol na região, é um viés de gestão com conscientização. Menor emissão de gases, descarbonização, esses selos verdes são temas muito discutidos na região pelos novos produtores. Tudo leva um tempo, mas a evolução é iminente. Abriu-se uma gama de opções e tudo isso passa a trazer, além de sustentabilidade, economicidade para o produtor”, afirma.

A palavra de ordem na Cooperativa Palmares, atualmente, é fortalecer a liderança nos mercados já conquistados, ampliar a área de operação e abrir novas frentes de atuação. “A Cooperativa é uma senhora que precisa se manter jovem e moderna, sem esquecer a sua principal tarefa que é receber bem o arroz dos 169 associados, classificá-lo de forma correta, armazenar o produto em ótimas condições e, depois, conseguir a melhor comercialização possível”, resume o diretor-presidente Martins.

O dirigente observa, ainda, que já há um movimento de transformação em toda a região. “Estamos vendo que o terroir próprio também favorece o plantio de soja e a criação de animais, como ovinos, bovinos e equinos, a nossa condição climática amena é muito favorável para o bem-estar animal. Além disso, os cultivos de produtos como milho, trigo e aveia, que estão começando a ser testados, devem provocar uma transformação muito grande em toda a região e a Cooperativa tem que estar atenta ao movimento do produtor”.

Fonte: AgroUrbano