Competição em Porto Alegre premiou três AgTechs

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O termo ainda pode soar um pouco estranho ao meio rural, mas já é usual entre jovens, profissionais de Tecnologia da Informação (TI), programadores e afins. Os chamados hackatons são competições em que desenvolvedores de software, por exemplo, devem encontrar uma solução para determinado problema em uma maratona que pode durar três dias seguidos.

Em uma iniciativa inédita, o Senar-RS junto com a Farsul promoveu, em Porto Alegre, o Hackathon Agro Up, primeiro evento do gênero focado no agronegócio e desenvolvido pelo Senar Brasil com a consultoria da Softex. A maratona aconteceu de forma ininterrupta no Parque Científico e Tecnológico da Pucrs (Tecnopuc), de 13 a 15 de dezembro. No período, os participantes estiveram focados em encontrar soluções para problemas apontados por produtores gaúchos.

Eduardo Condorelli Superintendente do SENAR-RS

“A iniciativa está alinhada com o nosso propósito de aproximar as startups do meio rural para termos cada vez mais soluções focadas no agronegócio e que resultem em aumento de produtividade”, afirma o superintendente do Senar-RS, Eduardo Condorelli.

Os desafios propostos na competição têm origem em problemas reais apontados por produtores nas cadeias de arroz, milho, soja, trigo, ovinocultura de corte, bovinocultura de leite e fruticultura, colhidos previamente em encontros com agricultores e pecuaristas de diferentes regiões do Estado.

Os levantamentos foram realizados entre julho a setembro junto a produtores rurais em sete municípios de diferentes regiões do Estado (Camaquã, Carazinho, Esteio (durante a Expointer), Uruguaiana, Bagé, Pinto Bandeira e São Luiz Gonzaga).

Dos encontros foram elencados 270 problemas que posteriormente passaram por análises para identificar o que seria mais urgente, mais grave e com tendência a piorar, explica o coordenador do Escritório Regional de Inovação do AgroUP do Senar-RS, Renan dos Santos. As categorias de problemas elencadas para a edição do hackathon gaúcho foram quatro: segurança (desde o que diz respeito a crimes, como abigeato, até inseguranças jurídicas ou ambientais), comercialização, doenças invasoras e pragas e custo de produção.

“Esses setores abordados nas reuniões somam 85% do PIB da agropecuária gaúcha. O hackathon prioriza startups já formadas e mais maduras, para que realmente se tenham propostas reais de soluções aos problemas apresentados. Não apenas uma ideia, mas um produto final de verdade”, explica Santos.

O primeiro Hackathon AgroUp, realizado na Bahia, no início de novembro, teve como vencedor um aplicativo para tirar dúvidas dos produtores rurais sobre os mais diferentes temas. Ao contrário do que pode parecer, não é um simples Google para o agronegócio, destaca Matheus Ferreira, analista da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA). A equipe vencedora propôs e criou um aplicativo que usa a inteligência artificial para responder dúvidas dos produtores em diferentes temas do campo a partir de uma base de respostas chanceladas por entidades, órgão e técnicos profissionais.

“O aplicativo trabalha com respostas em áudio para o produtor que, às vezes, não sabe ler nem escrever. Ele fala sua dúvida e o aplicativo faz uma leitura daquela informação e responde em áudio. Ou, se ele optar, pode ver em gráficos, texto e vídeos”, conta Ferreira