Capacidade armazenagem alcança 68% da safra de grãos

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A capacidade total de armazenamento de grãos no Brasil chegou a 176,5 milhões de toneladas no primeiro semestre deste ano. Isso representa pouco mais de 68% da safra brasileira, que chegou a 257,7 milhões de toneladas em 2019/2020. Os dados são do IBGE.

O Rio Grande do Sul possui o maior número de estabelecimentos de armazenagem (1.920) e o Mato Grosso a maior capacidade (43,8 milhões de toneladas). Em termos de capacidade útil armazenável, os silos predominam no País, tendo alcançado 86,8 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2020, o que representa 49,1% da capacidade útil total. Em relação ao segundo semestre de 2019, a capacidade de armazenagem dos silos cresceu 0,2%.

Na sequência, assinalam-se os armazéns graneleiros e granelizados, que atingiram 66,5 milhões de toneladas de capacidade útil armazenável, 0,3% inferior à capacidade verificada no período anterior. Este tipo de armazenagem é responsável por 37,7% da armazenagem nacional. Com relação aos armazéns convencionais, estruturais e infláveis, somaram 23,3 milhões de toneladas, o que representou uma queda de 4,8% em relação ao segundo semestre de 2019. Esses armazéns contribuem com 13,2% da capacidade total de armazenagem.

Por região, os silos predominam na Região Sul, sendo responsáveis por 61,2% da capacidade armazenadora da região e 49,7% da capacidade total de silos do país. O tipo graneleiros e granelizados aparece com maior intensidade no Centro-Oeste, com 53,2% da capacidade da Região e 55,3% da capacidade total. Os armazéns convencionais, estruturais e infláveis predominam na Região Sul (34,5%) seguido de perto pela Região Sudeste (31,7%), principal produtora de café. Estas duas regiões juntas correspondem a 66,2% da capacidade total de armazéns convencionais, estruturais e infláveis do país.

Ainda segundo o IBGE, no primeiro semestre deste ano o estoque de produtos agrícolas totalizou 52,9 milhões de toneladas, uma queda de 17% frente às 63,7 milhões de toneladas de 30 de junho 2019. Todos os produtos apresentaram queda nos estoques, sendo as mais expressivas as do milho (-28,1%) e do café (-23,0%). O maior volume estocado era de soja (30,8 milhões de toneladas), seguido pelos estoques de milho (13,3 milhões), arroz (4,1 milhões), trigo (1,9 milhão) e café (839,4 mil). Estes produtos constituem 96,2% do total armazenado.

2021 deverá ter recorde na safra, prevê Conab
Com 268,7 milhões de toneladas, o Brasil deve ter uma produção recorde de grãos na safra 2020/21. O volume, divulgado em novembro pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), é 4,2% maior do que o recorde anterior, alcançado na safra 2019/2020, quando foram produzidas 257,7 milhões de toneladas.

A Conab estima também um crescimento de 1,3% na área cultivada. A expectativa é que em 2020/21 o plantio ocupe cerca de 66,8 milhões de hectares, 879,5 mil hectares a mais que na safra anterior.

Guilherme Bastos, Presidente da Conab

As estimativas fazem parte do primeiro de 12 levantamentos de campo que a Conab realiza a cada safra. Participam da coleta dos dados 80 técnicos espalhados por todas as regiões do país, que contatam aproximadamente 900 informantes cadastrados.

“Essa nova safra começa num cenário de preços muito altos, os produtores de uma maneira geral estão muito motivados a investir”, disse o presidente da Conab, Guilherme Bastos, ao apresentar os dados.

Bastos destacou os preços do milho, que registram preços entre 50% a 100% maiores do que no ano passado, e da soja, que atingiu recentemente a cotação de R$ 123 por saca, o maior valor nominal já registrado.

O milho deve atingir, na safra atual, 34,5 milhões de toneladas exportadas, enquanto a exportação de soja deve ficar em 82 milhões de toneladas e subir 3,7% na safra 2020/21, chegando a 85 milhões de toneladas, estima a Conab. Em geral, as exportações devem se manter elevadas devido ao câmbio favorável.

No caso do arroz, Bastos disse que a Conab observa uma estabilização de preços, depois da recente alta impulsionada pelo aumento nas exportações e no consumo interno. A área de cultivo de arroz deve aumentar 1,6%, mas os técnicos da Conab estimam queda de 4,2% na produtividade, o que deve resultar numa colheita de 10,8 milhões de toneladas.

Na mesma linha, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, disse que o preço do arroz poderá ser reduzido com a chegada da nova safra, em janeiro. Tereza Cristina explicou que a pandemia da covid-19 desequilibrou o mercado de grãos em todo o mundo. Segundo a ministra, a pandemia provocou aumento no consumo do produto pelos brasileiros e o preço aumentou. Para conter o aumento, o Brasil autorizou a importação da Guiana e do Paraguai para equilibrar o mercado.

“No mundo houve um desequilíbrio em vários preços dos produtos das commodities. O arroz foi um desses. Nós passamos a comer mais arroz, o auxílio emergencial fez também o aumento dessa demanda. Em setembro, tiramos o imposto de importação, ele parou de subir e hoje tem ligeira queda. Os preços vão reduzir”, completou a ministra.