Brasil tem quase 215 milhões de bovinos

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O rebanho bovino brasileiro voltou a crescer, após dois anos consecutivos em queda, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada anualmente pelo IBGE e que inclui bovinos, suínos, aves, peixes e seus derivados. A leve alta de 0,4% garantiu a marca de 214,7 milhões de cabeças de gado, o que mantém o Brasil como o segundo maior rebanho bovino do mundo e o principal exportador desse tipo de carne. É pouco acima da população brasileira, composta por 212 milhões de pessoas, conforme o IBGE.

“Em 2019, verificamos uma queda na participação das fêmeas no abate, sugerindo uma transição do ciclo de baixa para o de alta da pecuária, que é quando o produtor passa a reter fêmeas devido aos bons preços de mercado”, explica a supervisora da pesquisa, Mariana Oliveira. Além disso, ela lembra que o ano foi marcado pelo recorde de carne bovina exportada, especialmente para a China, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, o que incentiva a produção de bovinos.

Essa leve recuperação foi puxada por Mato Grosso, que aumentou seu rebanho em 5,1% e segue como estado com mais cabeças de gado, 31,7 milhões, respondendo por 14,8% do total nacional. Entre as grandes regiões, o maior crescimento de rebanho bovino ocorreu no Nordeste, avançando 2,7%. O Centro-Oeste, contudo, concentrou um terço do rebanho do País (34,5%), seguido pelo Norte (23,1%), que vem crescendo nos últimos anos.

O número de galinhas criadas para a produção de ovos cresceu 1,7% atingindo 240 milhões de animais

As únicas a apresentarem decréscimo de seus efetivos bovinos foram as Regiões Sul e Sudeste, com quedas, respectivamente, de 2,8% e 0,2%. Os estados do Rio Grande do Sul e Paraná foram os responsáveis pela redução do rebanho sulista: o primeiro com decréscimo de 4,6%, chegando a 12 milhões de animais, e o segundo com retração de 3,3%, totalizando 9 milhões.

A cidade de São Félix do Xingu (PA) continuou líder no ranking de bovinos do País, com 2,2 milhões de cabeças de gado. Corumbá (MS) ficou em segundo lugar (1,8 milhão). Já Vila Bela da Santíssima Trindade (MT) despontou da sétima posição em 2018 para a terceira devido à alta de 14,0% do seu rebanho, somando 1,2 milhão de animais.

Produção de leite aumenta 2,7%
Conforme o levantamento do IBGE, a produção de leite de vaca também cresceu, chegando a 34,8 bilhões de litros, um aumento de 2,7% em relação ao ano anterior. O valor de produção atingiu R$ 43,1 bilhões. Essa alta vem do ganho de produtividade, já que o efetivo de 16,3 milhões de vacas ordenhadas foi 0,5% menor em relação ao ano anterior. Com menos animais produzindo mais leite, a produtividade subiu para 2.141 litros de leite por vaca ao ano.

Com um crescimento de 4,4%, a região Sudeste voltou a ser a maior produtora de leite do País em 2019, com 34,3% de participação, tirando a liderança do Sul, que ocupava o posto desde 2014. Minas Gerais seguiu como maior estado produtor, seguido por Paraná e Rio Grande do Sul. Os três produzem mais da metade do leite nacional (51,9%).

Dos dez maiores municípios produtores de leite, sete são mineiros. O maior, porém, é Castro (PR). Em seguida vêm Patos de Minas (MG) e Carambeí (PR).

De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (United States Department of Agriculture – USDA), o Brasil é o quinto maior produtor de leite no ranking mundial.

O efetivo de vacas ordenhadas soma 16,3 milhões de animais, 0,5% menor em relação ao ano anterior. Os três maiores destaques estaduais nesse segmento apresentaram decréscimos em seus plantéis, sendo eles: Minas Gerais (-0,3%), Goiás (-2,3%) e Paraná (-3,7%). Minas Gerais continuou com o maior rebanho leiteiro do País, com a marca de 3,1 milhões de cabeças, o equivalente a 19,3% do total nacional; Goiás seguiu em segundo lugar, com 1,9 milhão; e o Paraná, na terceira posição, com 1,3 milhão de vacas ordenhadas.

Quando se avalia a produtividade, contudo, os melhores resultados estão no Sul do Brasil, liderado por Santa Catarina, que alcança 3.816 litros de leite/vaca/ano; seguido pelo Rio Grande do Sul (3.609 litros de leite/vaca/ano); e o Paraná (3.324 litros de leite/vaca/ano).

Um dado curioso é a diferença entre o total de leite produzido no País (34,8 bilhões de litros), estimado pela pesquisa, e a quantidade de leite cru adquirida pelos laticínios sob inspeção sanitária (25 bilhões de litros), obtida pela Pesquisa Trimestral do Leite, também realizada pelo IBGE,o que  reflete a produção nacional não fiscalizada. O volume de leite submetido a tal inspeção correspondeu a 71,8% do total nacional.

Brasil produz 4,6 bilhões de dúzias de ovos
A produção de ovos de galinha aumentou 4,2% e alcançou a marca de 4,6 bilhões de dúzias, sendo que 83,2% foram provenientes de granjas de médio e grande porte. Segundo Mariana Oliveira, pesquisadora do IBGE, essa alta decorre, principalmente, pelo aumento do consumo interno. “Isso significou mais um ano de aumento e recorde na série histórica e resultou em um rendimento estimado em R$ 15,1 bilhões”, afirma.

Foto: Wenderson Araújo.
A produção de ovos aumentou 4,2%, e alcançou a marca de 4,6 bilhões de dúzias

Embora o Sudeste seja a principal região produtora de ovos (2 bilhões de dúzias, cerca de 43,3%), o Nordeste teve o maior crescimento, 8,9%, chegando a 17,6% de participação. São Paulo lidera entre os estados (25,4%). Quase todos os municípios brasileiros (5.439) apresentaram alguma produção de ovos de galinha em 2019, sendo o principal Santa Maria de Jetibá (ES). A região Sul está em segundo lugar, produzindo cerca de 1,04 bilhão de dúzias.

A pesquisa também mostra que o número de galinhas criadas para produção de ovos cresceu 1,7%, atingindo 249,1 milhões de animais. Já o total de galináceos, que inclui galos, galinhas, frangos e pintinhos, ficou em 1,5 bilhão de aves, praticamente estável (0,1%) na comparação com o ano anterior.

Região Sul tem quase metade dos suínos do País
Houve queda do efetivo nacional de suínos, cujo total contabilizou 40,6 milhões de cabeças, com uma retração de 1,6% em relação ao ano anterior. Em contrapartida, o número de matrizes suínas registrou leve acréscimo pelo terceiro ano consecutivo e atingiu a marca de 4,8 milhões desses animais, com alta de 0,5%.

A Região Sul ainda detém o maior rebanho suíno do País (20 milhões de cabeças) e foi responsável por 49,5% do total nacional, porém apresentou retração de 2,4% em relação ao ano anterior. A Região Nordeste foi a única que registrou acréscimo do seu efetivo suíno, com alta de 2,1%, atingindo a marca de 5,9 milhões de animais na data de referência da pesquisa.

Santa Catarina manteve a liderança com o maior efetivo suíno, ao contabilizar 7,6 milhões de cabeças. Em segundo lugar, figurou o Paraná, com 6,8 milhões, e, na terceira posição, o Rio Grande do Sul, com 5,6 milhões desses animais.