Brasil quer ganhar posições na produção mundial de cacau e chocolate

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A história da lavoura cacaueira no Brasil é permeada por momentos de altos e baixos. O país que já foi o maior exportador de cacau, hoje figura na sétima posição no mercado mundial, mas com perspectivas de aumentar sua participação, principalmente na venda de produtos com maior valor agregado, como chocolate fino.

O cenário nacional ainda está em fase de recuperação, mas os especialistas e produtores apostam que a cadeia produtiva do cacau já tem condições de retomar o mesmo ritmo de décadas anteriores. A expectativa é que a produção ultrapasse a capacidade de moagem nos próximos cinco anos.

Para atingir a meta, os produtores investem em novas potencialidades de todas as etapas da cadeia, em especial no beneficiamento das amêndoas pós-colheita para fabricação de chocolate de qualidade especial.

Além de desenvolver a cultura desde o campo até a industrialização, o Brasil vem se destacando no crescimento  da produtividade dos cacaueiros por hectare e na qualidade das amêndoas.

“A grande vantagem do Brasil na área da cacauicultura é que nenhum país do mundo tem todos os elos da cadeia produtiva do cacau. O Brasil é produtor, é moageiro, tem indústria de processamento e é consumidor de chocolate”, destaca Muller.

Apesar dos problemas com estiagem nos últimos anos, preço baixo e pragas, a Bahia continua com peso importante na produção nacional, em razão do aumento da produtividade por hectare e a promoção da verticalização da cadeia produtiva no sul do estado, onde já existem 70 marcas de chocolate derivadas do cacau de origem.

Mas, quando se fala em produtividade, é no Pará que os dados mais recentes apontam forte crescimento. A participação do estado no cenário nacional passou de 18%, em 2005, para 53% em 2018.

No ano passado, o Pará produziu mais de 116 mil toneladas de cacau, em aproximadamente 180 mil hectares, área plantada que equivale a menos da metade da extensão destinada à colheita na Bahia, que produziu no mesmo período pouco mais de 122 mil toneladas.

Levantamento do IBGE mostra que a alta da produção de cacau no Pará foi de 200% entre 2005 e 2018, com uma média aproximada de 6 mil toneladas por ano. “Se o Pará fosse um país, seria o oitavo maior produtor de cacau do mundo”, diz Fernando Mendes, chefe do Centro de Pesquisas do Cacau, da Superintendência da Ceplac no Pará.

Segundo os especialistas, os cacauicultores do Pará têm encontrado condições favoráveis para produção e recebido incentivos do governo local. Na Bahia, a administração estadual também tem uma proposta de dobrar a produção até 2022, passando das atuais 120 mil toneladas para 240 mil ou até 270 mil toneladas por ano.

“A planta hoje responde aos insumos e ao manejo, e resiste de certa forma à vassoura-de-bruxa. Então, o estado acredita que é possível dobrar a produção em cinco anos. E a Ceplac é parceira no programa, pois já desenvolveu a tecnologia e tem acesso aos produtores”, conta Fernando Ribeiro, assessor técnico e ambiental da Ceplac Bahia.

Por que investir no cacau?

O cacau não está entre as primeiras culturas no ranking do Produto Interno Bruto (PIB). Atualmente, o PIB da cadeia produtiva do cacau ultrapassa R$ 20 bilhões, valor gerado principalmente pela indústria processadora das amêndoas e de produção do chocolate. Nas regiões produtoras, a cultura cacaueira mobiliza uma rede grande de mão de obra e apresenta forte impacto social, econômica e cultural.

Em todo o país, atualmente, só a indústria processadora emprega diretamente quase 29 mil pessoas, conforme dados da AIPC e do IBGE.  Somente no estado do Pará, a cadeia produtiva tem o envolvimento indireto de mais de 240 mil pessoas e outras 60 mil de forma direta. Na Bahia, a região cacaueira mobiliza pelo menos três milhões de pessoas em 110 municípios.

“O cacau tem um apelo social e um apelo de sustentabilidade, um dos poucos cultivos no mundo que é sustentável mesmo. Ele é ambientalmente favorável, socialmente benéfico e economicamente viável”, ressalta Manfred Muller.