Argentina: parceiro comercial em recessão

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Desequilíbrio - enquanto a Argentina faz caírem importações do Brasil em 45%, supersafra de trigo daquele País faz aumentar nossas compras

Com baixas reservas cambiais, inflação acumulada em 12 meses na casa dos 50% e déficit elevado nas contas públicas, a Argentina enfrenta uma crise cambial desde maio do ano passado, que levou o país a recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

A desvalorização da moeda local diminui a capacidade de os argentinos comprarem mercadorias brasileiras. Os bens industrializados respondem pela maior parte da queda das exportações para o país vizinho, mas todas as categorias de produtos foram afetadas pela crise econômica.

O dólar arrancou em disparada em 2018 e, um ano depois, quase duplicou seu valor frente ao peso. A política de ajustes de preços, cortando subsídios da era Kirchner (2003-2015), que já era aplicada de modo gradual, começou a se acelerar e a impactar ainda mais o bolso dos argentinos. Os números oficias relativos à pobreza cresceram quase sete pontos percentuais em um ano. Atualmente, 32% da população argentina está abaixo da linha de pobreza e 6,7% são considerados indigentes.

Essa crise atingiu em cheio a balança comercial entre Brasil e Argentina. As exportações de automóveis para os Hermanos estão ladeira abaixo em 2019, conforme dados da Associação Nacionais do Fabricantes de Veículos (Anfavea). De janeiro a abril, os números mais recentes, a redução chegou a 45%. Para o ano, a previsão é fechar com redução de 6,2% na venda de automóveis para o exterior, chegando a 590 mil unidades.

Automóveis e peças para veículos representam 30% das exportações do Brasil para a Argentina. Produtos de aço, plásticos e outros manufaturados vêm na sequência, mas com percentuais baixos. O país é o terceiro parceiro comercial mais importante para o Brasil, atrás apenas de Estados Unidos e China.

O Brasil compra da Argentina veículos de carga (22%) e trigo (13%). Neste caso, a situação é boa para os produtores argentinos. Apenas de janeiro a maio, as importações de trigo argentino aumentaram 24%, representando US$ 600 milhões em divisas para a Argentina.

Ao que tudo indica, apesar da situação econômica, a Argentina caminha para uma das maiores safras de trigo da histórica. De acordo com a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, são esperadas 20,6 milhões de toneladas de trigo neste ano, alta de 8,4% sobre os 19 milhões de toneladas da safra 2018. A área plantada aumentou 200 mil hectares de um ano para outro, somando 6,4 milhões de hectares.