Patrícia Comunello – O jornalismo econômico se tornou imprescindível na vida das pessoas, porque elas tomam suas decisões com base nas informações que chegam até elas

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Em quase 25 anos de carreira, Patrícia Comunello construiu uma reputação como uma das melhores repórteres de economia da imprensa gaúcha. Nascida em Capinzal (SC), em 1971, formou-se em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em 1993. Trabalhou na Zero Hora, no clicRBS SC, no Portal Terra e no Correio do Povo. Atuando no Jornal do Comércio desde 2008, hoje é subeditora do site do JC, ajudando na transição do veículo para a era digital.

Nesta entrevista, a ganhadora do prêmio de Jornalista do Ano (Grand Prix) Troféu Sinduscon RS no Prêmio Press 2017 fala sobre sua carreira, a importância do jornalismo econômico, o futuro da atividade e a participação feminina nas redações, entre outros assuntos.

Porque escolheu estudar jornalismo?
No colégio, eu já tinha essa ideia de fazer jornalismo. Eu sempre fui muito curiosa, muito assim de querer saber e tal, as coisas. Lia, sempre li muito. Meu pai sempre leu muito, porque ele é agrônomo.

Pensava em ir para o jornal impresso ou para rádio e TV?
Não tinha ideia. Na faculdade, fiz rádio, depois fui mais para o impresso, fotografia. Comecei fazendo fotografia, na verdade.

Você saiu do interior de Santa Catarina para estudar em Santa Maria, na UFSM. Como define essa experiência?
Eu acho que isso foi algo importante para mim. Nasci numa cidadezinha chamada Capinzal, na região do Rio do Peixe, Meio-Oeste de Santa Catarina. Mas morei a maior parte da minha infância e adolescência em Concórdia. Quando estava terminando o Ensino Médio eu estava indecisa entre fazer vestibular na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, ou na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Na época, as datas do vestibular coincidiam e eu escolhi ir para Santa Maria, que tinha até menos vagas, mas achei que era um lugar bom para estudar. Ter escolhido Santa Maria acho que foi determinante para o que sou hoje como profissional. A UFSM sempre foi marcante na formação de grandes nomes: o Tarso Genro saiu de lá, o Nelson Jobim, o irmão do Tarso (Adelmo Genro Filho), autor de livro sobre teoria do jornalismo. Nos quatro anos da faculdade, eu peguei greve dos servidores federais, durante o período do presidente Fernando Collor de Mello. É um lugar onde pode não gostar de política, mas é contaminado. Eu nunca fui militante, ser jornalista cria uma certa camadinha de proteção. Até estive em diretório acadêmico, mas acho que mais por querer estar no meio da muvuca. Mas esse aspecto político é importante, a formação, ter conteúdos com informação de muita substância.

E teu primeiro emprego?
Foi num jornal lá de Santa Maria, A Razão, que fechou agora em 2017. Surgiu uma vaga de fotógrafo quando eu estava no primeiro ano da faculdade, porque o fotógrafo do jornal tinha quebrado o pé. Resolvi ir lá e me chamaram para fazer um freela. Tive que aprender tudo, fazia revelação, mexia nos químicos, ampliava, era foto impressa, preto e branco. Depois fui contratada como fotógrafa. Lembro que cobria o Inter de Santa Maria. Só que eu usava uma lente 50mm. Como é que faz futebol com lente 50mm? Às vezes eu ficava quase dentro da goleira. Cheguei a levar pilha na cara, uma bolada uma vez. No intervalo de um jogo, eu estava no meio do campo, esperando para reiniciar, quando a arquibancada inteira começa a gritar “Patrícia! Patrícia!”. Acho que quem puxou foi um dos colegas de jornal, o Marcelo Monteiro, que hoje está na Zero Hora.

Quando começou na imprensa escrita?
Foi logo depois, na A Razão mesmo. Depois sai para trabalhar em um jornalzinho local lá. Santa Maria tinha muito isso. O pessoal criava jornais, aquelas coisas que duram um tempo e depois terminam porque não se sustentam. Um ano depois de me formar, fui para a Zero Hora. Eu entrei na primeira turma que eles montaram aquelas casas Zero Hora do interior, quando eles começaram a ter correspondentes em vários lugares com uma estrutura mais robusta, como em Santa Maria, Pelotas, Novo Hamburgo… Hoje não tem mais, acabou tudo. Mas fomos os primeiros. Tinha uma equipe com repórter, editor e fotógrafo. Era bem legal, porque a gente tinha uma capacidade de produção maior.

E a mudança para Porto Alegre?
Eu fiquei até o final de 1997 em Santa Maria, e aí eles me convidaram para vir para cá para trabalhar na economia. Vim em janeiro de 1998 para cá, e fiquei na ZH até metade de 2000. Na época estavam montando a operação do ClicRBS, buscando entrar mais forte no online. Então, houve o convite para  fazer a operação do ClicRBS de Santa Catarina,uma vez que eu era de lá, e me disseram que “tem que ser um catarina para entender dos catarinas”. E eu estava querendo coisas novas. Lembro até que o Marcelo Rech, diretor de redação, foi conversar comigo, me parabenizar, dizer que era legal eu ir, era uma área em que se estava apostando. Não se falava em internet como a grande área de notícia. Mas eu senti que era para onde que tinha que ir, que tinha potencial de crescimento. Fiquei um ano e meio no ClicRBS em Florianópolis, acho que domei a galera de Santa Catarina, porque é muito diferente. Eu sou catarina, mas minha formação é muito daqui e realmente tem muita coisa diferente. Foi muito legal, mas no final de 2001 eu tentei voltar, porque minha filha estava aqui, e eu achei que já tinha feito a minha missão, que era montar aquela história. Mas daí eles tinham desestruturado a equipe daqui, e não consegui voltar para a Zero. Aí eu fui para o Terra, onde eu tive um choque do que é trabalhar em Internet.

Porque teve um choque?
Por causa daquela coisa louca de muita energia o tempo todo. E o Terra estava numa onda muito maior do que a internet realmente era na época. Tive que aprender a lidar com códigos, editar uma página sem ter uma ferramenta, ter que montar HTML. Para mim foi legal por causa disso, porque eu aprendi por dentro como é que é esse mundo digital. Ao mesmo tempo em que eu tava no Terra fiz um freela no Correio do Povo durante uns três meses em eleição. Todo mundo fala, né, que tem que passar pelo Correio. Já no início de 2003 eu recebi um convite para trabalhar em assessoria de prefeitura, lá em Canoas, e fiquei dois anos lá. Em 2004 comecei na assessoria do Simers (Sindicato Médico do Rio Grande do Sul), onde continuo até hoje, só que mais mobile, não fisicamente, mas dando apoio, ajudando. Finalmente, em 2008, eu venho para o Jornal do Comércio, e volto para a reportagem, para a economia. Foi quando eu voltei para a redação, que era, na verdade, de onde eu nunca queria ter saído.

Como classifica o jornalismo econômico hoje praticado pela imprensa brasileira?
Acho que a gente está cada vez mais com informação especializada, mas as condições para fazer isso estão nos jornais com mais estrutura, um Valor ou mesmo Estadão, Folha. Já foram melhores, eu acho, porque também estão reduzindo essa cobertura. Mas eu acho que eles têm mais possibilidades de coberturas: estão em São Paulo e em Brasília, que são os dois eixos principais do País em termos de política econômica. A gente fica mais distante,e há dificuldade de conseguir estar mais perto de algumas fontes que são bem importantes. Assim, acabamos consumindo muito o que vem pronto, de agências. Em temas como previdência e reforma trabalhista, etc, é uma fogueira, tem muito interesse em jogo. Mas, as coisas já chegam aqui, de alguma maneira, com um enfoque, uma seleção. Será que a gente não conseguiria ter outras abordagens?

Hoje a mesma notícia é reproduzida por vários veículos exatamente igual sem nenhuma informação a mais…
É, os jornais acessam Agência Estado, Folhapress, Globo, Agência Brasil. Nunca fiz a contagem mas acho que 80% a 90% das informações sobre economia e política também, fora os assuntos locais, são muito parecidas.

Mas não tem como pegar o básico e dar um molho?
Mas daí tem que ter alguém que faça isso, e os repórteres, editores, não estão fazendo só isso, está fazendo várias outras coisas. Na economia, a gente tem, hoje, muitas frentes para lidar, pois cada vez mais esse assunto é de primeira grandeza.

Todo brasileiro já é um economista?
Ele precisa que alguém leve informação que ele entenda para poder saber como resolver a sua vida. O jornalismo econômico é uma das áreas que mais imprescindíveis mesmo, porque é uma informação que tem um lado de serviço muito forte. Se as pessoas não entenderem aquilo vão fazer besteira, como se endividar. O consumidor toma decisões muito alimentado pela informação que chega para ele, não? E aí que está, é tanta coisa que talvez a gente gere uma grande confusão na cabeça das pessoas. Eu acho que o desafio da gente que está nesse ramo é conseguir focar algumas áreas em que se percebe haver mais interesse do público e montar estratégias para abordar esses assuntos. O público médio não assina serviço de informação da Bloomberg. Mas nossa função como transmissores de informação nunca fui tão promissora. Eu falo para meus colegas aqui do site: “tentem entender. O que vocês não sabem, perguntem, porque economia é preciso entender”. Ao fazer matéria de inflação, se não entender o que é inflação, o repórter vai escrever bobagem, porque vai ter que lidar com os números.

Jornalista, normalmente, escorrega nos números?
Não sei, acho que escorrega também em informação quando fala, sei lá, de dengue. As vezes fala-se umas bobagens, parece que não entendem o que causa uma doença. Sobre obras, licenciamento, tem tanta abordagem errada. O problema é que muitas vezes é preciso fazer um cálculo. Em cima desse número pode ter um diferencial para o texto, uma chamada para a matéria. Os números oferecem várias abordagens.

Depende de como torturá-los. Como dizem, “torture os números até eles confessem o que você quer”…
Acho que não é bem assim. Porque é preciso estar aberto a um número que vai aparecer e não é esperado. Isso cria um feeling sobre como está se comportando uma tabela, dá uma sinalização, e é preciso que o jornalista entenda essa informação. Mas o mais desafiante é, além de ter o número, saber como contar essa história. Teve o período da febre dos cases. Eu lembro que eu estava na Zero Hora nessa época, até porque se falava que “a Zero Hora só faz case”. Mas, isso é legal, porque está colocando personagens na história.Nosso dilema é encontrar tempo para fazer isso.

O excesso de informação, de fontes, está deixando os leitores perdidos, não sabendo o que é importante ou não, correto ou não?
Se o cara lá que está recebendo informação está assim, imagina a gente que está aqui, recebendo 50 mil coisas e tendo que identificar aquela que realmente tenha alguma coisa consistente, que vai fazer diferença para esse cara. O jornalista é – e cada vez será mais – um curador. E esse é o nosso lugar no mercado. Quando editamos e selecionamos, já estamos sendo curadores. Seria legal apostar mais nisso, de escolher as áreas que eu conheço, que entendo, e criar produtos especiais. Se hoje pegar só a análise de dados da web, por exemplo, é possível tirar tanta informação do que funciona em termos de conteúdo, o que não funciona, quais os meios que o público está lendo, o que as pessoas querem ler. Entender web analytics é uma coisa que virou matéria obrigatória. Tem que ter cadeira na faculdade de jornalismo sobre tecnologia, senão vamos ficar para trás.

Os jornalistas têm que estar imersos nas tecnologias?
Sim, têm. Houve um período em que se tinha que entender como funcionava, como se montava uma página, mas hoje já existem as ferramentas prontas, há um sistema dinâmico. O que não está pronto é aquilo que é possível criar a partir das coisas que se tem. E aí tem que entender, eu até comecei um curso online de programação para rastrear temas que têm interesse do público. Poder fazer e entender como está a audiência. Eu estou tentando ler sobre isso. A gente fala que o consumidor é que manda no produto da empresa, a audiência está nos comandando.

Existe texto longo ou existe texto chato?
Eu acho que texto tem que ter história.

Dizem que na internet tem que ser curtinho se não muita gente não lê…
Isso já passou. Se fizer uma estatística durante 24 horas, a média de tamanho dos textos lidos é mais curta, três a quatro parágrafos ou até menos. Mas se tiver um conteúdo atrativo legal que seja assunto, que irá despertar o interesse, aí rompe esse padrão. A audiência também tem que ser estimulada, provocada. Se produzir matérias longas e com bastante informação, imagens, vídeos, e esse assunto bater no leitor e ele se identificar com isso, vai ter uma grande audiência. A gente tem vários casos nossos assim. A questão é que a gente tem que decidir fazer isso, dizer que vai apostar numa pauta, nem que seja uma vez por semana, e ver como vai sustentar essa pauta para ela não durar uma vez só. Assim como os jornais sempre lutaram para, dia após dia, fazer o leitor comprar a sua edição, hoje é preciso fazer o público estar no feed, porque o Facebook está sendo um dos grandes canais de chegada do conteúdo. A gente vê por experiências nossas mesmos, e olha que a gente não produz tanto quanto poderia produzir de conteúdos nossos, com informações e aspectos que os outros não estão abordando. Isso que reforça, muitas vezes, o perfil do veículo. As pessoas identificam: o Jornal do Comércio tem uma linha de trabalho, a Zero Hora tem outra, o Correio tem outra. É legal porque nessas horas percebe-se que as pessoas estão atentas a isso.

Uma das críticas que, geralmente, se faz no jornalismo online é a questão do imediatismo. Haveria uma necessidade de dar a notícia com rapidez e às vezes isso acaba prejudicando a checagem de informação. Como vê essa dicotomia entre agilidade para publicação e a checagem?
Mas o que é o jornalismo digital? Não é diferente do que fazer apuração e produzir o conteúdo que vai estar no jornal, que vai estar na TV. Jornalismo é jornalismo. Isso eu já tinha muita clareza. Quando começou a internet eu via como um meio, hoje ele não é só um meio, ele é o grande ator. A qualidade do conteúdo precisa ter o mesmo padrão que o impresso. Sobre essa questão da agilidade, antigamente tinha aquela coisa assim: a Zero Hora deu tal informação, e os caras iam lá e chupavam, copiavam o texto. Eu acho isso inadmissível. Não poder fazer isso, porque não tem a checagem. Para mim, a primeira coisa é isso: o trabalho do jornalista é feito de checagem, de apuração. E, outra, dessa forma não se dá nem o crédito. Então, se é pra citar, então, vai citar, “segundo a Rádio Gaúcha”. Aqui não temos nenhuma ordem que diga que não se pode citar. A gente fala no Globo, na Folha… Eu acho que nós jornalistas somos apuração. Essa é a nossa necessidade diária. Tem que checar sempre. Eu falo sempre para o pessoal que trabalha comigo: liga de novo. Eu tenho feito mais edição agora como subeditora, o que é ruim para mim, porque eu gosto de apurar. Já em relação aos releases, a gente recebe muita coisa. E onde que as assessorias vão colocar informação se não for no online. Não tem mais espaço. Os jornais estão cada vez mais restritos. Obviamente, tem que ficar claro, citar na matéria “segundo a empresa tal”, mas eu acho que não é o ideal. Acho que cada história dessas poderia render uma matéria legal junto com outras coisas, mas a gente com o tempo vai tentando fazer um ajuste.

Até a década de 1970 as redações eram eminentemente masculinas. Depois disso, as mulheres começaram a, devagarinho, assumir espaços e hoje a gente percebe que, em algumas redações, elas são a maioria. Tu sofreste alguma restrição na tua carreira por ser mulher?
Eu nunca sofri qualquer assédio ou restrição. Só que também eu posso nunca saber disso, se o motivo de alguma decisão que me restringiu no passado foi tomada por essa razão. No geral, sempre tive boas oportunidades, não porque sou mulher, mas pelo meu trabalho. Acho legal esse reconhecimento. A gente foi crescendo, ganhando espaço, por uma série de fatores. Estamos brigando nesse mercado por competência.

Pode-se perceber quando um texto é feito por uma mulher e quando é feito por um homem?
Alguns acho que sim. Empiricamente, acho que as mulheres têm cuidado com algumas coisas, embora tenha aquelas que são mais objetivas. Tanto que, em algumas pautas, geralmente as mulheres são as escolhidas para fazer. Eu lembro na Zero Hora tinha muito isso. Histórias que lidam mais com drama, sofrimento, saúde, era sempre uma repórter mulher que fazia. Será que eles escolhiam porque elas tinham facilidade de contar essas histórias?

O que ainda tem pretensão de fazer no jornalismo ou na comunicação?
Televisão é uma coisa que eu nunca fiz. Na faculdade, eu cheguei a participar daquele “Caras Novas”, da RBS. Mas eu acabei saindo antes de terminar e tal. Acho que ali talvez tivesse mudado a minha história. Creio que eu ia me dar bem com televisão. Hoje faço muitos vídeos para o site do Jornal do Comércio. Mas, não tenho nenhuma técnica, foi algo que comecei a fazer por que queria. E edito no celular. Quando se tem uma história que merece ser contada em vídeo, a oportunidade não pode ser perdida. Só que a televisão hoje não é essa que a gente está vendo agora, é a televisão para esse mundo de internet, youtube, etc. Tem os vídeos 360 graus, o vídeo imersivo, a história da realidade aumentada ou virtual, vai ter muita coisa legal nessa área. Se eu pudesse escolher, iria com tudo para fazer conteúdos nessa área.

O que é essencial para um bom jornalista?
Ter formação e ética.Tem que entender um pouco do mundo. As universidades têm que oferecer mais opções ou os caras têm que buscar mais opções. Daqui a pouco, antes de fazer jornalismo, teria que se exigir fazer um ou dois anos de outros conteúdos, como tecnologia, sociologia, ou outras coisas. O jornalista tem que ter bagagem, porque para entrevistar ou fazer matéria sobre um economista, como o Thomas Piketty, sobre uma palestra dele, não é só pegar e repetir frases que ele deu lá. Tem que entender um pouco dos temas que ele aborda, como o que é tributação, como funciona a  distribuição de renda… Em relação à ética, tem uma frase que eu sempre lembro, do Cláudio Abramo, que ele diz que a ética do jornalista é a ética do marceneiro. Para mim, isso ficou para a vida toda, ele matou a charada. Não é preciso inventar uma ética especial para o jornalista, basta ter boa conduta, ter honestidade no que faz.

Como tu vês a economia do Brasil para 2018?
É um ano que, teoricamente, deve ter uma estabilizada básica na economia, será o começo de tudo que perdemos nas últimas crises. Mas não dá para ter grandes ilusões. E há a questão política, que vai mexer nas expectativas dos caras que estão decidindo os planos agora. Por exemplo, quantas empresas vão querer investir? A capacidade do governo de investir é reduzida, e isso afeta na questão de grandes obras. A gente não vai ter isso. Mas por enquanto, para mim, em relação a 2018, qualquer coisa é chute.

Tu tens fama de workaholic: trabalha para o Jornal do Comércio, para o Simers, fazes freelas, estás cursando uma faculdade de Ciências Sociais, uma pós-graduação, és síndica do teu prédio… Com é que tu lidas com tudo isso ao mesmo tempo?
Bem, a faculdade eu já terminei. Só falta acabar o TCC. Claro que o TCC é uma parte mais complicada. Tem uma amiga, que é jornalista, que diz “a Patrícia é um X-Men”. É que, às vezes, fazer tantas coisas quer dizer que vocês faz as coisas bem feitas, e as pessoas confiam em ti para fazê-las. Mas são poucos os jornalistas que conseguem viver com um único salário, um único emprego, e essa é a nossa realidade. Meu sonho seria trabalhar só em um lugar, poder fazer vários projetos, inclusive, criar mais, desenvolver coisas que podem render possibilidade de receita. No online a gente tem uma cabeça que é desenvolver coisas que possam gerar novas frentes de negócios. Há muitas possibilidades nessa área, e vai ter cada vez mais. Eu faço várias coisas ao mesmo tempo, mas é meu jeito.

Entrevista: Julio Ribeiro e Marcelo Beledeli
Fotos: Fredy Vieira