Mosqueteiros ou Lei de Gersón?

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Tenho certeza de que há muito D’Artagnan no jornalismo impresso, Aramis em profusão no online, Athos às mancheias no rádio, incontáveis Porthos na tevê. E que pensam no jornalismo em primeiro lugar e estão prontos a agir na base do “um por todos e todos por um” como forma inteligente e necessária para resistir aos tempos difíceis que organizações empresariais e trabalhadores da comunicação estão enfrentando.

Tenho sólidas indicações de que também não são poucos os adeptos da famigerada “Lei de Gérson”. Pra quem não lembra nem quer procurar, trata-se da infeliz participação do Canhotinha de Ouro da Seleção Brasileira em um comercial do cigarro Vila Rica (1976). Não creio que ele tivesse tal intenção, mas grudou a imagem de ação egoísta caracterizada pela tal lei não escrita decorrente desta fala testemunhal: “Por que pagar mais caro se o Vila me dá tudo aquilo de um bom cigarro? Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também, leve Vila Rica!”.

A questão é se vamos optar, massivamente, por formas colaborativas do exercício da profissão, ou vamos embarcar na canoa furada do “cada um por si e seja o que deus quiser”. Na primeira opção, ganha que integra a audiência, seja em que plataforma estiver; na segunda, bateu o desespero e, o pior, estão abertas as portas para todo tipo de ação que violadora das mais singelas – nem por isso menos profundas –  normas da ética profissional.

Falta de coleguismo e de respeito com o leitor, o ouvinte, o telespectador, o internauta até pode garantir mais um tempinho no mercado se o dono do campinho e da bola também não estiver nem aí para a função social do jornalismo. A justiça tarda, mas chega. Antes dela, porém, afundam a autoestima e a imagem de isenção construída com tanto esforço. Vale a pena?

Penso que está mais do que na hora de nos mirarmos na obra de Alexandre Dumas, ainda mais pela gênese jornalística: a história foi publicada originalmente na forma de folhetim no jornal francês Le Siècle, entre março e julho de 1844. A publicação existiu entre 1º de julho de 1836 e 28 de junho de 1932. Em 1939 tinha 30 mil assinantes… (Obrigado, Dona Wikypedia, é sua a responsabilidade por estas preciosas informações.)

Nesta época de instabilidade extrema, de corte$ individuais e pa$$aralho$ coletivos, parece-me adequado preservar o bom relacionamento com os colegas em todas redações, independentemente do tamanho e formato que apresentem tais espaços de atuação. É preciso acreditar que o mérito vá, sempre, prevalecer e preserve lugares. Ou, pelo menos, que abra outros quando alguma porta se fechar. É um tempo em que a solidariedade com quem for dispensado/a) é vital e o estímulo a quem empreende nutre que se aventura em meio às incertezas naturais do novo desafio.

É um tempo de buscar apoio nas entidades. O Sindicato dos Jornalistas do RS realizou assembleia para autorizar a venda da sede de Passo Fundo e está enxugando despesas para enfrentar legislação trabalhista que bota o garrão no pescoço do trabalhador. Precisamos preservar a instituição e combater de dentro o que não concordamos como orientação sindical, política ou administrativa.

A Associação Riograndense de Imprensa e a UNISC programaram para 25 e 26 de maio próximo a primeira edição dos Diálogos ARI de Jornalismo – Experiências e Inovações. Tal interação entre a octogenária entidade e a academia (professores e estudantes), aberta a toda a categoria profissional, é um desafio ao marasmo, ao derrotismo, ao interesse de quem quer apenas o jornalismo amestrado e laudatório que se confunde com a má propaganda e o mau uso das relações públicas.

Nas redações de quem nos emprega, nas nossas redações, nas salas de aula, no Sindjor e na ARI, as palavras de ordem são ética, solidariedade, integração e coragem. É pedir demais?