Mindset colaborativo

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Os novos formatos de comunicação impõem pensar em diferentes formatos de atuação. Ninguém vai inovar de verdade operando sob modelos que funcionavam há 20, 10 ou mesmo 5 anos atrás. É preciso se reinventar para acompanhar a velocidade das mudanças do mercado. A Ideiaologia, consultoria de imersão fundada pelo criativo Charles Cruz e pelo planejador Alessandro Jacoby, não é uma agência de propaganda como antigamente. Alinhada com a volatilidade do mercado, onde as mudanças são cada vez mais rápidas, funciona como uma assessoria de marca que acredita em branding como princípio orientador. Está posicionada como uma parceira estratégica do anunciante.

“Tudo muda muito rápido, mas nosso ofício sempre exigirá estar alinhado com o próprio tempo. Particularmente, decidi abraçar a mudança constante através de um mindset colaborativo, onde me vejo mais como um facilitador das ideias do que dono delas”, conta Charles.

A Ideiaologia atua na construção e comunicação de marcas com propósito. É fundamental que a marca tenha um propósito claro, único e relevante. Segundo o sócio, encontrar o propósito da marca é a forma mais inteligente de torná-la única. “Para ganhar clientes num mundo hiper-conectado e dispersivo, ganhe primeiro o coração deles. Trabalhamos para isso, colaborativamente, num alto grau de envolvimento com os clientes”, opina.

Pós-Cannes Lions: a polêmica reformulação do festival

A jornalista Claudia Penteado, que cobre há mais de 20 anos o Cannes Lions, opina sobre a última edição do mais importante Festival de Publicidade do mundo. Claudia é colaboradora do PropMark e da revista Propaganda, colunista do portal Época Negócios e da rádio Band News FM Rio.

Dentro deste novo formato mais enxuto do Festival, implementado em 2018, o que mais lhe chamou atenção? O que foi mais interessante no seu ponto de vista?
R: O Cannes Lions deste ano foi o pior da história em resultados financeiros e – segundo a organização – o melhor de todos na avaliação dos participantes. Faz tempo havia necessidade de mudar, adaptando-se não só a novas demandas de temas, discussões, abordagens e categorias de premiação, como também em estrutura de custos, uma vez que a indústria vive uma crise de modelo de negócio e, em diversas partes do mundo, uma crise econômica. O festival ficou mais enxuto  em número de dias e criou algumas categorias de inscrições mais baratas, como a de startups, o que possibilitou a um novo público se aproximar do evento, ampliando a diversidade. Ponto pra eles. O volume de conteúdo de boa qualidade e concentrado tornou a concorrência entre as ofertas mais cruel: escolhas de sofia tinham que ser feitas o tempo todo, pois além das opções interessantes nos tradicionais auditórios (Debussy e Grand Audi), havia excelentes conteúdos pipocando nos palcos “off”- do Palais II e inclusive fora do Palais des Festivals, em espaços patrocinados por empresas na praia ou em hotéis. Em conteúdo interessante e diversificado, abordando inúmeros temas relevantes para a indústria, tendo a criatividade no seu centro nervoso, levou o evento a marcar muitos pontos.

No mais, creio que merece destaque o desempenho do Brasil. Tivemos o melhor resultado da história – levamos pra casa dois Grandes Prêmios, 101 prêmios no total e a posição de terceiro país mais premiado depois de EUA e Reino Unido. Nada mal considerando todo o cenário em que estamos vivendo, não é verdade?

E o que foi pior (que não deu certo)?
Não diria que nada tenha sido “pior”,  ou não dado certo.
Ainda penso que há um número excessivo de categorias na premiação – que se sobrepõem e se confundem.  Muitas delas me parecem inteiramente desnecessárias. Imagino que, com o tempo, o festival buscará um equilíbrio maior entre seus objetivos como negócio, e as reais necessidades do mercado e seus aspectos mais fundamentais.

Acredito que o ritmo de trabalho, para os jornalistas, ficou mais intenso, com mais categorias para serem analisadas em menos tempo, mais coletivas por dia e poucas chances de se concentrar justamente no rico conteúdo ao qual me referi na primeira questão. Pessoalmente para mim, que não gosto de me concentrar apenas na premiação, foi um pouco desanimador – mesmo sabendo que muitas das palestras foram gravadas e estavam acessíveis via Youtube.

Eu diria ainda que os embargos dos resultados para jornalistas continuam polêmicos, pois impedem que, na era das redes sociais, os resultados sejam divulgados oficialmente em tempo real. Enquanto isso, muitos delegados e principalmente premiados têm acesso aos resultados, que acabam na rede de uma maneira ou de outra. Talvez, na visão dos organizadores, o controle pela publicação dos resultados oficiais ajude a manter a “mística” em torno dos Leões. A mim, parece um pouco anacrônico – e um estímulo ao “tráfico” de informações e de influências.

Google Beach: espaço de criatividade

O Google teve um dos espaços mais interessantes e frequentados do Cannes Lions este ano, em plena Croisette, na beira da praia. Lá realizou bate-papos (Google Talks) sobre os mais diversos assuntos, de feminismo a machine learning, de realidade aumentada ao futuro das agências de publicidade. Como o tema era “criatividade”, não escapou nem a placa que indicava os banheiros, onde era tudo junto e misturado mesmo.

Solução econômica para área de eventos

Com expertise em eventos corporativos há 22 anos, a Duetto, de Porto Alegre, lança uma plataforma de eventos pré-planejados chamada de Imagine S/A. O “cardápio” oferece três tipos de eventos temáticos, modulares e com objetivos diferentes voltados para o público interno das empresas. Como já estão pré-planejados e pré-orçados, são de rápida excussão e mais baratos. O cliente final pode ter uma econômica de até 38%. “Produtizamos o nosso serviço de planejamento, criação e produção de eventos. Assim vários clientes podem se beneficiar dos efeitos de eventos voltados ao público interno. E nós ganhamos em escala”, conta Guilherme Rimoli Hillebrand, diretor de Novos Negócios que está a frente do projeto juntamente com Roberto Rímoli e Rosângela Rímoli, diretores da Duetto Eventos.

O pacote oferece três opções: O Carrossel, que proporciona a melhora do clima organizacional, que é uma noite no parque de diversões. O outro evento, com foco em propósito e engajamento, propõe fazer uma caminhada por uma trilha, chamado Travesia S/A. E um programa de auditório, chamado TV Show S/A, com foco no desenvolvimento e criatividade e trabalho em equipe.  Até o final do ano, a Duetto quer chegar a, pelo menos, nove opções de eventos.

“A proposta é entregar uma experiência marcante e inesquecível. Nas mãos de profissionais de RH pode ser uma ferramenta de desenvolvimento organizacional”, complementa Hillebrand.

A pauta é Liderança Feminina
Com apenas 36 anos, Marcia Esteves é uma das poucas, se não a única, mulher a liderar uma grande agência no Brasil. A publicitária é presidente da Grey Brasil e é a primeira mulher a assumir tal posição na história da Grey América Latina.

Você é a primeira mulher a ser presidente na Grey Brasil e a única, no momento, na rede Grey na América Latina. Como é ser a única mulher presidente?
Isso tem despertado muita atenção e a gente tem mesmo que falar sobre este tema até para que mais mulheres ocupem mais cargos de liderança pois ainda somos poucas. Entendo isso como um fato histórico porque as mulheres ingressaram bem mais tarde no mercado de trabalho do que os homens e logo estão tardando mais para conquistar altos cargos, porém cada dia que passa tem mais mulheres em cargos de comando.

Quanto ao fato de eu ser jovem, tenho realmente uma certeza: eu tive muita sorte e tive oportunidade de começar muito cedo. Comecei a viajar bem cedo, morei em alguns países como Austrália, Europa e EUA o que me deu oportunidade de conhecer outras culturas e aprender muito com isso. Também comecei a trabalhar precocemente. Tive muitas oportunidades e isso me deu rodagem e continua me inspirando. Meu desafio é fazer com que a agencia prospere e que as pessoas tenham condições de se desenvolver.  Se eu fui a mais jovem a assumir este cargo que eu seja uma das mais longas no cargo também. Eu não formo equipes, eu formo líderes. Este é o meu papel.

Você repudia o rótulo de ser a primeira mulher presidente. Quer mudar o estereótipo?
Eu cheguei aonde estou com muito trabalho e ainda tenho muito o que aprender. Devo o meu sucesso a uma equipe brilhante.

A sociedade gosta e vem cobrando mais mulheres em cargos de liderança, mas acredito que ninguém se sustenta em um cargo de tanta responsabilidade por pura ou mera pressão. É muita responsabilidade. Precisa ser muito competente.

A meta da Grey é estar no Top 10 até 2020. Como alcançar este desafio?
É um projeto que começamos em 2016 e não pára. É um trabalho de continuidade. Estabelecemos um olhar importante para as pessoas. Parece meio obvio mas o nosso mercado é feito de pessoas para pessoas. Fizemos um trabalho com uma consultoria que definiu a missão, os valores, o caminho e o futuro da agência. A partir de então foi um processo natural e de conquistas. Expandimos serviços. Em 2017 tivemos o melhor ano da Grey no Brasil. Conquistamos 15 novas marcas, fomos a 6ª agência mais premiada e nossos clientes atingiram recorde histórico de resultados. Acho que até 2020 chegamos lá.  Sempre focados em pessoas. A tecnologia mudou a forma como as pessoas vivem, automaticamente a comunicação mudou e continua mudando. A gente tem que entender como as pessoas estão usando a tecnologia. Nós abraçamos cada mudança. Todos os dias tem coisa nova para apreender.

Como você enxerga o futuro das agencias com tantas transições? Como ser relevante?
Comunicação sempre será relevante. É o que torna os seres humanos, humanos. Em todos os dados de pesquisa, as pessoas reforçam o poder da marca em qualquer situação de consumo que elas tenham. Isso posto, o trabalho futuro das agências é relevante. A cada novidade muda a forma de conversar com as pessoas e as agências precisam se transformar continuamente. Quanto mais opções de comunicação para levar a marca para a vida das pessoas tivermos mais legal fica o trabalho e mais relevante se torna o papel das agências que consigam cruzar esta ponte, abraçar as mudanças.

O que é o melhor da profissão de publicitária?
Amo essa profissão. Sou absolutamente apaixonada. O melhor são as pessoas, temos uma informalidade que nos permite conhecer as pessoas, estar perto, se torna uma grande família no sentido de todos juntos em busca de um proposito comum.