Manejo do trigo pós-colheita

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A pós-colheita é um momento decisivo na comercialização de uma cultura. No caso do trigo, recentemente, diversas cooperativas e a Embrapa se uniram para trocar experiências sobre a tomada de decisão após a colheita.

A participação de técnicos que atuam em moinhos é uma oportunidade para o intercâmbio informações e principalmente para o entendimento de como o segmento vem trabalhando questões relacionadas à qualidade, segregação e pós colheita. Levantamento da Embrapa Trigo indica que cooperativas participantes de capacitações em convênio com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) respondem por 60% da produção de trigo do Brasil e congregam 85% dos produtores do cereal.

Na Cooperativa Agrícola de Campo Mourão (Coamo), a estimativa para 2018 é de receber 540 mil toneladas de trigo, o que representa aproximadamente 11% da produção nacional. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta que o Brasil irá produzir 4 milhões e 900 mil toneladas na safra atual.  Na cooperativa, a qualidade do trigo é avaliada no recebimento e depois no beneficiamento, etapa em que são realizados diversos testes que analisam desde força de glúten à proteína.

Já a Cooperativa Tritícola Sarandi (Cotrisal), tem um moinho pequeno, criado junto com a cooperativa há 61 anos para atender às demandas dos produtores na troca de farinha por trigo.

Em 2017, a Cotrisal recebeu aproximadamente 1,5 milhão de sacas de trigo e, deste total, apenas 40 mil sacas foram destinadas internamente à produção de farinha. O restante foi repassado a grandes moinhos. A ideia da cooperativa, para o futuro, é ampliar a atuação como moinho e transformar a farinha em negócio.

O primeiro passo nesta direção será promover um estudo sobre as variedades de trigo com potencial e qualidade para atender às exigências dos moinhos e assim agregar valor na venda. Na avaliação da Cotrisal, é importante que o produtor possa ser bonificado pela matéria-prima de qualidade que irá entregar para a indústria.

Momento de proteger a lavoura
As condições climáticas no inverno sul-brasileiro podem favorecer a presença de fungos no ambiente, ocasionando doenças em cereais como o trigo, a cevada e a aveia, entre outros.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Trigo, Flávio Santana, seguir o calendário para fazer as aplicações de defensivos pode parecer mais fácil ao produtor, mas é preciso lembrar que o clima é variável. “Fazendo a aplicação pelo calendário o produtor pode errar o momento de controle, aplicando antes da doença aparecer, desperdiçando produto, ou após o dano. O momento ideal é controlar a doença no início, logo que aparecem os primeiros sintomas”, avisa Santana.

Um dos problemas mais comuns é o Oídio, que ocorre em todas as partes das plantas, mas é mais comum na folhas e bainhas. A principal medida de controle desta doença é o uso de cultivares resistentes. Em cultivares sensíveis, a Embrapa recomenda o tratamento de sementes com fungicidas específicos e a pulverização na parte aérea.

Já a ferrugem da folha é uma doença que ocorre em praticamente todos os locais onde se cultiva trigo no mundo. No Brasil, o seu agente, o fungo Puccinia triticina, sobrevive durante o período de ausência da cultura em plantas voluntárias. Uma importante medida de controle da ferrugem da folha também é o uso de cultivares resistentes. Por outro lado, a pulverização de fungicidas na parte aérea também tem demonstrado boa eficiência para controlar a doença.

Outro ponto de atenção são as manchas foliares. São três: a mancha marrom, a mancha amarela e a mancha das glumas. As sementes e os restos culturais são os locais mais importantes para sobrevivência dos micróbios causadores das manchas foliares durante a ausência da cultura no campo. As medidas de controle incluem a rotação de culturas, o tratamento de sementes com fungicidas e o uso de sementes sadias.

A cultura do trigo tem perspectiva favorável no Rio Grande do Sul. De acordo com a Emater, o predomínio de frio, a baixa umidade e a boa insolação têm ajudado a cultura – as plantas apresentam um desenvolvimento vigoroso, além de retomar um perfilhamento mais intenso, o que poderá proporcionar boa produtividade final. A expectativa é alcançar 3 toneladas por hectare nesta safra.
Foto/destaque: Eduardo Seidl/Palácio Piratini