Mais cuidado com os suínos

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As melhorias nos tratos dos animais geram impactos econômicos na cadeia da carne suína, a mais consumida do mundo. De acordo com informações da Embrapa Suínos e Aves, as perdas causadas por problemas relacionados ao bem-estar animal chegam a 1% dos animais desembarcados nos frigoríficos.

O índice pode parecer pequeno, mas como a cadeia tem proporções gigantescas (o Brasil é o quarto maior produtor mundial de carne suína), esse percentual representa perdas anuais de cerca de R$ 30 milhões. Apenas no ano passado, o País produziu 3,76 milhões de toneladas de carne suína, um mercado de grande relevância econômica sujeito a perdas que podem ser evitadas. Os especialistas ressaltam que animais machucados podem provocar perdas na produção e suínos sob estresse geram carne com qualidade inferior.

Uma equipe de pesquisadores da Embrapa identificou os principais fatores de riscos para as ocorrências de fraturas ou hematomas, principais causas de condenação de carcaças nos frigoríficos. São cerca de 22 fatores, número elevado que evidencia, ainda, a complexidade das causas ligadas às perdas.

Para essa análise, foram estudados os eventos que ocorrem nas 24 horas que antecedem o abate dos animais nos frigoríficos. Parece pouco tempo, mas não é. “A maneira como os animais são tratados nesse período influencia, inclusive, a qualidade da carne que é colocada na mesa”, enfatiza Osmar Dalla Costa, da Embrapa.

Conforme o pesquisador, os animais que chegam até a indústria devem estar limpos, saudáveis, sem hematomas nem machucados, não estressados, aptos ao manejo, com adequado desenvolvimento muscular e capacidade motora. O trabalho de pesquisa levou em conta 96 variáveis relacionadas ao ambiente, às instalações e ao manejo dos animais na granja, no embarque, no transporte, no desembarque e no período de descanso no frigorífico, e à tipificação das carcaças.

No transporte, já houve avanços. Os caminhões se modernizaram e as carrocerias ganharam itens tecnológicos. “Antigamente, eram três andares com baias de 80 centímetros. Hoje são plataformas móveis e hidráulicas, capazes de reduzir o ângulo de inclinação e facilitar também o acesso dos funcionários”, explica Dalla Costa.

Além das perdas quantitativas, o quadro de estresse apresentado pelos suínos tem impacto também sobre a qualidade da carne. Os animais submetidos a estresse crônico terão suas reservas de glicogênio, principal fonte energética nas células animais, precocemente esgotadas, produzindo pouco ácido láctico e insuficiente acidificação pós-abate, o que provoca uma carne classificada como DFD (do inglês “escura, firme e seca”).