Luciano Hang: “Eu quero ajudar o Brasil a mudar tudo aquilo que foi feito de errado nos últimos anos.”

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Nas últimas duas décadas, quem viaja por Santa Catarina e Paraná acostumou-se a ver, em alguns pontos de estradas, réplicas da Estátua da Liberdade em frente de lojas ao estilo Casa Branca. Essa é a loja de departamentos Havan.

O cenário da loja era tão incomum que diversos rumores surgiram, dizendo que a rede pertencia a coreanos, chineses, norte-americanos e até ao bispo Edir Macedo, da Igreja Universal. Em 2016, começou um boato de que a Havan pertencia a um dos filhos do ex-presidente Lula. Foi nesse momento que Luciano Hang se apresentou ao Brasil. Pela primeira vez, o empresário fundador da rede virou garoto propaganda da empresa, através da campanha “Quem é o dono da Havan”. A ação publicitária, que ganharia o prêmio ADVB Top de Marketing, colocou em evidência para todo o Brasil um empresário cheio de opiniões e sem medo de expressar suas ideias. Hang nunca mais sairia dos holofotes da opinião pública nacional.

Nascido em 11 de outubro de 1962, em Brusque (SC), Luciano Hang é filho de operários da indústria têxtil. Disléxico, durante a idade escolar procurou superar a dificuldade de aprendizado com muita leitura de livros e gibis.

 Sua vocação empreendedora despertou cedo. Aos nove anos, passou a comprar balas e biscoitos no comércio para revender aos alunos de sua escola. Aos 17, foi começou a trabalhar na fábrica de tecidos Carlos Renaux, em Brusque. Já os 21 anos, comprou uma empresa, a Tecelagem Santa Cruz, à qual passou a se dedicar e expandir, paralelamente à carreira na Renaux.

 Em 1986, aos 24 anos, percebendo que Brusque ganhava um novo impulso econômico baseado no turismo de compras, Hang não perdeu tempo. Junto com um sócio, abriu uma pequena loja de 45 metros quadrados para vender tecidos. Da junção dos nomes Hang e Vanderlei (o sócio), surgiria a marca Havan.

Durante os anos 1990, a empresa expandiu-se com a abertura comercial para produtos estrangeiros. Foi nessa época que os prédios das lojas começaram a adotar os contornos estilizados da Casa Branca, de Washington, e a réplica da Estátua da Liberdade. Para Hang, a liberdade comercial e empresarial dos Estados Unidos sempre foi um modelo a ser seguido.

Nos últimos 20 anos, a empresa se transformou em loja de departamentos e realizou novo processo de expansão, saindo dos estados de Santa Catarina e Paraná, que concentravam a operação. Hoje, já existem mais 121 unidades em 17 estados. Os planos de Hang é alcançar 200 lojas até 2022.

As negociações para instalações de unidades da rede geraram polêmicas em alguns lugares, como foi o caso do Rio Grande do Sul, devido às exigências para liberar entraves burocráticos que prejudicaram os empreendimentos em anos anteriores. Entre eles, altos impostos e impedimentos trabalhistas para abrir as lojas em sábados, domingos e feriados. Hoje, no Rio Grande do Sul, a Havan já possui uma loja em Passo Fundo. Caxias do Sul e Rio Grande também deverão abrir em breve unidades. O objetivo da empresa é de, até o fim do ano, estar presente em 10 cidades gaúchas.

No entanto, mais do que o sucesso empresarial, Luciano Hang tornou-se famoso no País por suas opiniões políticas. Um dos maiores representantes da nova direita brasileira, o empresário defende, ferrenhamente, o “antiesquerdismo”. Foi um dos principais “cabos eleitorais” de Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral. O Ministério Público do Trabalho (MPT) chegou a denunciá-lo por, supostamente, coagir funcionários a votarem no candidato do PSL. No entanto, o episódio só fez crescer sua “audiência”.

Hoje, Luciano Hang possui mais de 3,6 milhões de seguidores na sua página no Facebook. É um dos empresários mais procurados no País para palestras e entrevistas, por não ter medo de expressar suas ideia livremente. Para a revista Press, Hang fala sobre política brasileira, sobre a cultura “anti-empreendedora” do País e as expectativas com o novo governo, entre outros temas.

Tu és um cara otimista, senão não terias a trajetória que tens, o sucesso que obteveste como empreendedor. Com a eleição de Bolsonaro, que se propõe a diminuir o tamanho do Estado, reduzir impostos, diminuir os entraves para o empreendimento no Brasil, tu estás ainda mais otimista?
Eu estou cada vez mais otimista. Nós elegemos um presidente não só para melhorar a nossa economia, mas elegemos um presidente para mudar o Brasil. Pior do que a economia são os nossos costumes. Durante os últimos 30, 40 anos, as universidades foram alinhadas ao marxismo cultural, ao gramscismo, e deterioraram toda a nossa sociedade. Então, o Jair Bolsonaro não está só tentando revolucionar a nossa economia, mas bate muito na parte de costumes, que para mim é o pior problema que temos. Um país, uma empresa, que não tiver uma cultura boa, uma boa ideologia, nunca vai ter boas metas e nunca vai chegar a lugar nenhum.

Um governo consegue mudar isso em apenas quatro anos?
Não, mas temos que começar. Na hora que você detecta os problemas, é preciso ter coragem para tomar as decisões e fazer as mudanças. Alguém que assume como presidente tem que ser um líder que coloque para a sociedade os problemas e as soluções. No Rio Grande do Sul, por exemplo, existem muitas universidades federais. Estados que tem mais universidades federais estão tendo mais problemas. Isso porque se difundiu nas universidades federais não o empreendedorismo, mas sim o estado gordo e ineficiente, querendo colocar na cabeça dos alunos o marxismo cultural, o gramscismo e, principalmente, que seus alunos fossem todos para o Estado e defendessem as causas da esquerda. Daí vem os ecochatos, os burocratas, que usam o governo para estar em cima do cidadão, para que o cidadão pense tudo pelo Estado, e que o Estado seja a mãe e o pai da burocracia. Isso faz com que os estados fiquem gordos, ineficientes e prejudiquem todo o povo. Então, eu digo com toda a clareza: cidades que têm universidade federal não têm uma benção, mas um problema.

Teu pensamento é bem claro de direita. Isso se refletiu nos teus negócios?
O jeito que eu toco meu negócio, que é um grande sucesso, nada mais é do que a forma que eu penso. Se eu sou um liberal, que aceito que as pessoas cresçam na nossa empresa com a meritocracia, e que a empresa seja organizada, disciplinada, comprometida, voltada para as práticas mundiais de eficiência, é por isso que ela vai bem. Do outro lado, vejo um Estado falido, baseado no pensamento contrário. Ele não tem meritocracia, não tem boas práticas, não tem redução da máquina. O Brasil é fruto do que foi plantado nos últimos 40 anos. Vi um vídeo, recentemente, sobre um personagem do Chico Anysio, o Washington, de mais de 30 anos atrás, que era um universitário de esquerda que defendia o sindicalismo, tudo o que vemos hoje, e o Brasil só piorou de lá para cá. Essa situação foi criada lá atrás. Somos os frutos de tudo errado que nós fizemos, que foi implantado nas universidades e escolas brasileiras. Temos pessoas pichando muros, precisamos controlar velocidades através de radares, de lombadas, de tachões, temos que contratar mais garis para limpar as ruas, por que não tivemos educação. E educação é algo que custa mais caro, por que demora mais tempo para ser colocada na cabeça das pessoas. Mas, se não educarmos as pessoas por meritocracia, e com conteúdo relevante, e não ideologias, jamais teremos uma grande nação.

São apenas os partidos políticos, os parlamentares, que são contra essas ideias? O Judiciário, também, não é contra esses ventos de mudança?
Mas onde eles se educaram? Nas universidades. Eu tenho a escola do lado contrário, a escola ensinando o errado. No Brasil o médico é comunista, o repórter é comunista, o advogado é comunista, a grande maioria das pessoas que passam por universidades, principalmente as federais, vira tudo comunista. Eu comentei sobre universidades nas minhas redes sociais, tem lá uma mãe que disse “meu filho foi para uma universidade federal e voltou comunista, vermelho, contra tudo e contra todos. Eu me arrependi de tê-lo mandado para uma universidade federal”. E isso basta falar com todos que você vê. E não só nas humanas. A maioria dos esquerdistas vai para as humanas porque você só fica falando de filosofia e não precisa provar nada. Nas exatas é mais difícil, um mais um é igual a dois. Mas nas humanas eles ficam filosofando e nunca dá certo.

Mas não é um comunismo até a “terceira página”, porque eles usufruem do melhor que o capitalismo pode oferecer?
Não sei se são idiotas de nascença ou fazem isso para tomar o poder. Você sabe que quem está no poder nunca vai passar mal. A esquerda adora uma teta. Como eles não são pela meritocracia, não gostam de empresas nem de empresários. Eles gostam de ir para o governo onde, com um concurso público — que é o que pregam nas universidades federais — eles têm a garantia de emprego, trabalham pouco, se aposentam cedo e ganham muito. Uma tara de grande parte dos jovens brasileiros é trabalhar no serviço público. E se todo mundo vai trabalhar no governo, quem vai pagar a conta? O Brasil precisa ser um país de empreendedores, de empresários.

O que é preciso para alcançar isso?
Reduzir o tamanho do Estado. Vender todas as empresas estatais, que não passam de cabides de empregos para políticos.

Nos últimos anos não houve um conúbio entre parte do empresariado e estamentos do governo em relação à corrupção? As grandes empreiteiras tinham departamentos estruturados de propina. Isso não é só o governo, tem também no lado empresarial.
O que acaba com a corrupção é o liberalismo econômico. Por que há tanta corrupção no Brasil? Porque tudo você depende de um burocrata, de um tecnocrata, de um ecochato, e eles estão no governo e dificultam as leis. Aliás, o Brasil deve ser o país campeão de leis idiotas, que são feitas para corromper o cidadão e, principalmente, os empresários. Nenhum empresário gosta de pagar propina. Mas, às vezes, você começa um empreendimento, é travado, não dão licença, alvará, ou pior ainda, param a sua obra. E ficam ali de boca aberta, como um sabiá no ninho, esperando que você dê uma gorjeta. Quanto maior o Estado, maior a burocracia e maior a corrupção. Quando você reduz o Estado ao mínimo, tudo acontece com celeridade, ainda mais com a ajuda da tecnologia. Há um exemplo no Rio Grande do Sul agora. Os Bombeiros passaram a responsabilidade do Habite-se para o projetista. Então, se você faz um projeto para um estabelecimento, está tudo em ordem, você assume a responsabilidade junto com o proprietário. E aí não tem ninguém para te pedir gorjeta, propina. A burocracia serve para corromper o cidadão.

A Havan está presente em quantos estados?
Estamos em 17 estados, e devemos inaugurar em alguns novos estados neste ano.

Percebes diferenças burocráticas de estado para estado?
Eu noto diferença até por cidade, além dos estados. Vamos pegar o exemplo de Santa Catarina. É um estado onde as coisas andam mais rápido. Já o Rio Grande do Sul teve muitos governadores de esquerda, que liquidaram com o estado gaúcho, aumentaram a carga tributária. Em Santa Catarina o ICMS é 17%, no Rio Grande do Sul é 18%, e no Rio de Janeiro é 20%. No Rio alegaram uma maior taxa de pobreza, mas esse dinheiro ficou com Sérgio Cabral, com o Luiz Fernando Pezão, com esse pessoal. Não se aumenta imposto para melhorar serviço público, mas para roubar mais. No caso do Rio Grande do Sul, a população paga o preço dos votos errados que fizeram nos últimos 30 anos. É o berço do PT e da esquerda, um estado que tem PCdoB, Psol, Rede. Os gaúchos hoje são fruto do que votaram no passado. Mas, eu noto, pelas cidades que eu ando, que ninguém aguenta mais a esquerda. Todo mundo abriu os olhos e estão cientes de que hoje estão sofrendo as consequências de terem votado errado lá atrás.

Antigamente poucas pessoas assumiam ser de direita, parecia ser vexatório. Hoje tem muita gente que assume essa posição, especialmente um número grande de jovens…
Estive já em congressos do MBL (Movimento Brasil Livre), vi jovens de 12, 13 anos lá. O jovem hoje tem vergonha de sair na rua com a camiseta do Che Guevara. Hoje o jovem brasileiro quer ser um Bill Gates, um Warren Buffett, quer ser alguém que deu certo na vida através do seu trabalho. Não adianta estudar, fazer uma faculdade e não ter emprego. É o que acontece no Rio Grande do Sul. Se pegar os líderes gaúchos da esquerda, Paulo Pimenta, Tarso Genro, vieram da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Os gaúchos têm ícones que acabaram com o estado. Olívio Dutra mandou a Ford embora. Na gestão do prefeito Raul Pont, ali por 1999, 2000, nós íamos colocar a loja em Porto Alegre, mas não podíamos apresentar o projeto com a Estátua da Liberdade em frente. O secretário de Desenvolvimento Econômico da época disse que se não tirássemos a Estátua da Liberdade o projeto não seria visto nunca pela equipe, porque odiavam os Estados Unidos.

E o que a estátua simboliza para ti?
Ela, como o nome diz, é o símbolo da liberdade, o maior sentimento que uma pessoa tem que ter. A liberdade de poder ir e vir, de abrir o seu negócio.

Como sua filosofia se reflete nos negócios, no trabalho na empresa?
A Havan abre das 09h às 22h, sábados, domingos e feriados. Temos um estilo fantástico de tocar a empresa. Estamos crescendo, no primeiro trimestre deste ano, 65%. Crescemos, no ano passado, 45%. E isso é baseado na ideia de que fazer o certo dá certo. Por outro lado, fazer o errado, dá errado. Na vida da gente, na empresa, num governo, tem que ter lógica. O que falta na cabeça dos esquerdopatas é lógica. Eles não têm lógica nenhuma, e por isso não existe um esquerdopata que seja bem sucedido na vida. São todos uns idiotas que vivem às custas dos outros.

Além de comandar uma grande empresa, tu achas tempo para as redes sociais. Como é teu dia?
Durmo umas seis horas por dia. Trabalho 18 horas (risos). Quando não trabalho mais. E sonho as outras seis com a Havan (risos). E é um prazer enorme. Quando temos visitas na empresa, as pessoas saem encantadas pela simplicidade, pelo tamanho, pela alegria de nossos colaboradores. É uma empresa única, mas por quê? Porque fazemos as coisas certas. E o Brasil pode ser igual. Que a Havan sirva de exemplo para o país.

Pagas salários iguais para homens e mulheres?
Claro, isso é discurso da esquerda. Eu não conheço empresa que tenha a mesma função com salários diferentes. Isso é feminismo puro. Hoje, na nossa empresa, 85% dos colaboradores são mulheres. E a maioria dos gerentes são mulheres. Elas têm bom gosto, trabalham mais. Então isso é discurso das feministas, que são de esquerda. Mulher que tem competência não precisa de discurso para defendê-la, ela se defende sozinha.

O Bolsonaro é uma “bala de prata” da direita? Se não der certo, abre espaço para a esquerda voltar?
Acho que não. Ando pelo Brasil todo, e todos com quem falo estão felizes da vida, otimistas, confiantes. Quem tomou veneno uma vez não toma a segunda. Vimos a Venezuela, que é o exemplo disso. Tem a Nicarágua, Cuba, Coreia do Norte… dá pra contar em uma mão os países que ainda tem esse tipo de esquerda. Aliás, a esquerda brasileira é a pior que existe. Ela tem como guru Antonio Gramsci. Gostaria que as pessoas lessem sobre ele, é a destruição da moral, da ética, da família, dos valores, da Igreja, de tudo. Eles tomam o Estado pelo caos. E é o que o PT fez no Brasil.

Chegaste a fazer uma promoção de passagem só de ida para a Venezuela. Alguém comprou?
Não apareceu um (risos). Prova de que o que eles falam não querem fazer. Já viu algum petista tirar férias em Cuba, na Venezuela, Nicarágua, Coreia do Norte? Eles pregam da boca para fora a fim de tomar o poder, para enganar o povo. Eles são o que existe de pior na sociedade. Eles não ajudam o Brasil, eles destroem o Brasil.

E qual tua missão ao divulgar os teus posicionamentos?
Eu quero ajudar o Brasil a mudar tudo aquilo que foi feito de errado nos últimos anos. E isso através das redes sociais, e através da boa imprensa. Estamos vendo uma nova imprensa, novos políticos, novos cidadãos, novos brasileiros, que não têm mais vergonha de dizer “eu apoio as mudanças, eu apoio o que é certo”. Hoje, olhando para trás, eu apoio o governo militar. São coisas que foram colocadas nos livros de história como se fossem do mal, mas foi necessário para que não nos tornássemos uma Venezuela, uma Cuba desde 1964.

Hoje no Brasil tu és o principal empresário em termos de ousadia em falar o que pensa. Com isso, conquistaste até uma liderança nas redes sociais. Tens algum plano de entrar para a política?
Não vejo isso nos próximos anos. A Havan está num crescimento forte, estou acelerando, acreditando na empresa. Não tenho espaço na minha agenda e na minha cabeça para ser um político. O que preciso é de bons políticos. Escolhi o Bolsonaro por isso. Não vivemos só um problema econômico, vivemos um problema ideológico, cultural. O Brasil está sem metas, virado de cabeça para baixo, e para virar de cabeça para cima ainda vão alguns anos. Nós temos que perseverar, dar apoio, mostrar o que está errado e a maneira que podemos fazer o certo. Nosso futuro é grandioso. O Brasil pode ser uma das maiores nações do mundo. Não temos terremoto, neve, furacão, não temos problemas de religião. O que falta para nós é um líder que mostre o caminho certo. Às vezes, o caminho certo não é o caminho mais curto, talvez seja o mais longo, mas é o caminho da educação. Tem que mostrar que pichar está errado, ganhar as coisas de graça está errado, viver de Bolsa Família não está certo. Para ter emprego, precisamos de empresas. Para ter empresas, precisamos de empreendedores e não — como as universidades, principalmente as federais, fizeram nos últimos 40 anos — pregar o ódio na sociedade, dividir por classes, por sexos, por cor. Isso é o que foi pregado na cabeça das pessoas que estão no comando da nação, em vários setores, lamentavelmente.