Exportação e plantio em alta

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Até a metade deste ano, a pauta de exportações do agronegócio registrou forte alta dos produtos florestais no comércio internacional – eles estão na segunda posição entre os principais segmentos da balança comercial. O volume exportado alcançou US$ 5,75 bilhões no período, alta de 30,5% em relação ao mesmo período de 2017. À frente, apenas as vendas do complexo soja e, na terceira posição, a exportação de carnes.

As vendas de madeiras aumentaram 16,3%, atingindo US$ 1,44 bilhão e as de papel chegaram a US$ 803,34 milhões. O principal produto florestal é a celulose, com valor recorde de US$ 3,51 bilhões. A quantidade exportada também foi recorde: 6,5 milhões de toneladas (+14%) e o preço médio de exportação subiu (alta de 28,5%).

Com 13% do mercado mundial, o Brasil é o terceiro maior exportador de celulose do mundo – cerca de 70% da produção nacional tem como destino a exportação. Atualmente, as florestas plantadas ocupam 10 milhões de hectares, o que corresponde a 1% da área agricultável do País.

Para o engenheiro agrônomo João Salomão, coordenador geral de florestas e assuntos da pecuária do Ministério da Agricultura, diversos fatores devem ser analisados. “O clima, o solo e a tecnologia que dispomos no País permitiram que atingíssemos as maiores produtividades médias por ano do mundo”, relata.

Em 2016, o Brasil liderou o ranking global de produtividade florestal, com média de 35,7 metros cúbicos por hectare/ano no plantio de eucalipto, e de 30,5 metros cúbicos por hectare/ano no plantio de pinus, de acordo com dados da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ). Em segundo lugar vêm os chineses, com 29 metros cúbicos por hectare/ano (eucalipto) e 20 metros cúbicos por hectare/ano (pinus).

Segundo Salomão, além de a produtividade brasileira ser maior que a dos concorrentes, o País consegue oferecer preços mais competitivos no mercado mundial. “Devemos isso, claro, ao desempenho das empresas brasileiras com âmbito internacional de atuação, bem relacionadas no mercado exterior, o que nos garantiu que alcançássemos números de produção e exportação bastante expressivos”.

Também aumentou a área de plantio. A velocidade de crescimento é de 100 a 200 mil hectares/ano, variação que depende da demanda dos consumidores internacionais e das condições econômicas. O Plano Nacional de Desenvolvimento de Florestas Plantadas prevê incremento de 2 milhões de hectares de florestas plantadas até 2030.

A questão da sustentabilidade
Segundo o Salomão, mesmo com o uso de novas tecnologias, das pesquisas e do grande potencial de crescimento, o setor ainda enfrenta críticas à cultura de árvores para produção de celulose – a atividade é vista como poluidora.

O efeito é inverso na opinião do engenheiro agrônomo. “Na verdade, todos os compromissos brasileiros relacionados às mudanças do clima – como o Acordo de Paris, por exemplo – sugerem que devemos aumentar as áreas de florestas plantadas. As pesquisas comprovam que as florestas plantadas são importantes para a conservação do meio ambiente, benéficas para a fixação de carbono e a retenção de água no solo”, diz.

Outro ponto a ser considerado e que é benéfico para o meio ambiente: somente a área agricultável de 1% com florestas plantadas atende a 90% da demanda de produtos florestais para a indústria brasileiras. “Se estamos consumindo florestas plantadas, significa que preservamos as florestas primárias”, avisa.

Algumas barreiras que bloqueiam o aumento da produção de florestas plantadas estão relacionadas ao crédito e à logística. “Falta crédito adequado à característica de longo prazo do setor, que demanda de 12 a 15 anos para a colheita, como é o caso de pinus. As nossas linhas de financiamento precisam estar ajustadas a esses prazos. A logística é também importante. A floresta não se transporta por longas distâncias. Precisamos de logística adequada, acessível para escoamento da produção”, avalia. No Plano Agrícola 2018-2019, há linha de crédito de até R$ 5 milhões por projeto.

Na pesquisa, o setor teve grande impulso a partir dos anos 1980, com a reintrodução de espécies de eucalipto no Brasil – isso serviu de base para os programas de melhoramento genético das empresas. Conforme a Embrapa Florestas (criada também naquela década), a partir disso, foi possível determinar o zoneamento para plantios florestais com eucaliptos. Além disso, os pesquisadores conseguiram identificar as espécies tolerantes e resistentes à geada e à seca.

Outro resultado relevante diz respeito às pragas florestais. Também no fim da década de 1980, surgiu a vespa-da-madeira, praga que poderia causar sérios prejuízos e até inviabilizar a produção de pinus no Brasil. Para isso, a Embrapa Florestas estabeleceu um trabalho de manejo integrado de pragas (MIP), com estratégias florestais e controle biológico da praga.

A política nacional de florestas plantadas tem quase 50 anos – começou a ser implementada na década de 1970, baseada em incentivo fiscal para plantações de maciços florestais, sob administração do IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal.

Em agosto de 2008, foi criada no Ministério da Agricultura a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Silvicultura. Hoje, é tarefa integral do ministério o setor de florestas plantadas, incluindo a política e seus instrumentos.