E seguem as histórias interioranas radiofônicas…

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Uma cobertura eleitoral sempre mexe com todas as paixões de um radialista, permitindo loucuras inimagináveis para informar ao seu público. É uma espécie de Copa do Mundo. Outubro de 2010, eleição para Presidente da República, em segundo turno. Coordenava a cobertura da Rádio ABC, e uma eleição nacional exige uma grande logística e equipe, ou não… O enfrentamento era entre Dilma Roussef e José Serra, e tínhamos que contar todos os detalhes possíveis. Mas como, se uma candidata votava em Porto Alegre, o outro em São Paulo e o resultado seria divulgado com a virtual vencedora na capital federal?

Na noite do sábado, 30 de outubro, parti para São Paulo. Cedo, na manhã de domingo, já estava nas ruas da capital paulista. Enquanto isso, o repórter João Paulo Gusmão acompanhava ao vivo o voto de Dilma, na capital gaúcha. Ouvindo as rádios e lendo os jornais paulistas, descobri onde Serra votaria. Também descobri onde morava e para lá me toquei, ficando de plantão junto com a imprensa de todo o Brasil. Acompanhei o voto do candidato, além de ouvir diversos políticos e outras personalidades. Até Ronaldo Fenômeno falou ao vivo na ABC, além de Jô Soares e Silvio Santos.

Voto de Serra descrito, segunda etapa do desafio cumprido, depois da fala de Dilma, direto do RS. E como fazer o registro do vencedor, sem simplesmente apenas pegar o áudio da TV? Queríamos mais. Enquanto a equipe segurava a transmissão, em Novo Hamburgo, ouvindo políticos e analistas, peguei um avião no início da tarde, para Brasília. Apostei minhas fichas na vitória petista, fazendo a análise crítica do quadro eleitoral, o que se confirmou com vantagem de mais de 12 milhões de votos.

Missão: ouvir Dilma Roussef. Detalhe: sem uma credencial! Cheguei ao final da tarde e de táxi comecei a buscar informações de onde encontrar a cúpula petista. Circulamos na região dos ministérios, palácios, até descobrir, via Jovem Pan, o hotel onde estaria a presidente eleita. Tive que descer várias quadras antes e com a mochila às costas, caminhar apressadamente. Possível imaginar a confusão na ante-sala do auditório de onde a já anunciada vencedora da eleição falaria. Confusão essa que acabou me beneficiando, pois profissionais com credencial ou sem, estavam em igual condição. Um cinegrafista japonês me atingiu com sua câmara, na briga por espaço e cortei a cabeça. Sangue. Um italiano falava alto e dizia que tinha que entrar e assim como a maioria dos europeus se dizia perplexo com a confusão. Andar de metrô no fim de tarde paulista ou carioca era semelhante, com a diferença que os passageiros em questão tinham todos seus equipamentos.

Até hoje não sei como, mas entrei e registrei com som e imagem o discurso da primeira presidente mulher eleita na história do Brasil. Fato histórico inquestionável, independente das conseqüências políticas posteriores. Ela falou na ABC 900 ao mesmo tempo em que falava para todo o Brasil. Eu suava,mas suava muito ! Fazia muito calor no pequeno e lotado auditório. Estava de terno e gravata, com fome e sede, passava da meia noite,  havia começado o dia em São Paulo e terminado em Brasilia, mas por dentro a sensação rara de felicidade. Público informado e dever cumprido ! A ABC havia vencido aquela eleição, junto ao seu ouvinte.

Detalhe: não votei, pois passei o dia inteiro longe da minha Novo Hamburgo, ou seja, não elegi alguém e nem fui derrotado. Cabia, apenas, informar!

Hora de rir... história retirada do livro Rádio Caxias 70 anos Voz e Identidade, de Marcos Fernando Kirst

História contada pelo radialista Leonel Lahm de Castilhos, que ingressou na Rádio Caxias em 1957, como operador de som. Logo passou a integrar o elenco de atores das radionovelas, grande sucesso na época. Em determinado período, era encenada a peça “Irati, a última bugra”, de autoria do Padre Ângelo Costa, com a irradiação se dando a partir das 21h30min, nos estúdios instalados na então sede da emissora, em um andar inteiro do Edifício Kalil Sehbe (hoje City Hotel), no centro da cidade.

Em certa ocasião, o Padre Ângelo levou ao estúdio algumas escopetas, a fim de incrementar e conferir maior veracidade a cena de um combate que iria ao ar naquela noite. Ao chegar a hora da “batalha” as janelas do estúdio foram abertas e o som dos “tiros” ecoaram por todo o prédio, apavorando os hóspedes do hotel, que não sabiam da encenação radiofônica. A polícia foi chamada e acorreu aos estúdios da emissora, sendo tudo rapidamente resolvido pelas explicações do Padre Ângelo. Pronto, falatórios em Caxias por semanas sobre o episódio e uma certeza… audiência ainda maior para a Rádio Caxias e suas novelas…