Dois mercados, duas realidades

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Mesmo com os percalços da Operação Carne Fraca atingindo o setor – parte dos frigoríficos flagrados processavam derivados de porco – as exportações de carne suína terminaram ano passado em alta e continuam, em 2017, de vento em popa. Conforme a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), até maio, o volume é 29% superior aos cinco primeiros meses do ano passado devido ao câmbio favorável.

Ao todo, os resultados chegam a US$ 658,7 milhões neste ano, frente a US$ 510,9 milhões em 2016. O levantamento inclui desde carne in natura a alimentos processados. Maior importador de carne suína do Brasil (com 40,3% do total), a Rússia foi destino de 111,1 mil toneladas entre janeiro e maio deste ano, volume 10% superior ao obtido no mesmo período do ano passado.

Em segundo lugar, Hong Kong comprou 58,2 mil toneladas no mesmo período (21,1% do total), volume 22% inferior ao realizado nos cinco primeiros meses de 2016.   Para a China (3° maior importador) foram embarcadas 22,3 mil toneladas (8,1% do total), volume também 22% menor em relação ao ano anterior.

Consolidada na quarta posição, para a Argentina foram embarcadas 14,8 mil toneladas (5,4% do total), volume 80% superior na comparação com o ano passado. “Com crescimento expressivo desde meados de 2016, as exportações para a Argentina agora assumiram um papel estratégico nas vendas internacionais brasileiras, passando a liderar as vendas do setor de suínos na América do Sul”, ressalta Ricardo Santin, vice-presidente de mercados da ABPA.

Santa Catarina, maior estado exportador de carne suína do Brasil, embarcou entre janeiro e maio o total de 113,3 mil toneladas, volume 8% maior em relação ao mesmo período do ano passado.  Em segundo lugar, o Rio Grande do Sul foi responsável pelos embarques de 78,8 mil toneladas no período (-10%).  Paraná, com 37,9 mil toneladas (+4%), Mato Grosso, com 17,2 mil toneladas (-13%) e Goiás, com 14,7 mil toneladas (-39%) completam a lista dos cinco maiores estados exportadores.

No mercado interno, entretanto, o cenário é diferente. Levantamento da Associação de Criadores de Suínos do RS (ACSURS) mostrou que, em junho, houve redução de R$ 0,10 no preço pago pelo quilo do suíno vivo ao produtor independente do Estado – ficando em R$ 3,46 (anterior R$ 3,56).

Os custos, por outro lado, também reduziram. O valor da saca de 60 quilos do milho baixou alguns centavos, ficando em R$ 26,33 (anterior R$ 26,62). O preço do farelo de soja também caiu, ficando em R$ 1.005,00 no pagamento à vista (anterior R$ 1.025,00) e em R$ 1.025,00 no pagamento com 30 dias de prazo (anterior R$ 1.045,00).