De Cannes para o mundo

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A Detour Film, produtora brasileira sediada em Porto Alegre, está fazendo sua expansão internacional. A convite da Prefeitura de Cannes, a empresa está com um braço na França no formato de uma startup dentro de uma incubadora chamada CréACannes, com mais outras 14 empresas iniciantes. O ousado projeto da Prefeitura de Cannes, chamado de Technopôle de l’Image Bastide Rouge, é de posicionar a Cote D ´Azur como o principal pólo da indústria audiovisual na Europa nos próximos anos. O projeto é de mais de 100 milhões de Euros de investimento. “Não é uma filial, mas é uma extensão do projeto de internacionalizar a Detour”, explica Alvaro Beck, que está morando em Cannes juntamente com a sócia e esposa Patrícia de Gomensoro.

A Detour é a única produtora estrangeira dentro da incubadora que fica no bairro La Bocca. Com foco em moda, beleza e luxo, o diferencial da Detour é fazer a entrega completa. No mesmo local, estão sendo construídos um hotel para abrigar as startups que saem da incubadora depois de um período inicial, um campus da Universidade Côte d’Azur com capacidade para abrigar até 1.000 estudantes e com cursos voltados para a Indústria Criativa, incluindo as áreas de Cinema, Novas Mídias, Games, Artes etc, e um Multiplex com 12 salas de exibição super modernas e com capacidade para 2.400 assentos.

Durante o encontro VivaTech realizado em Paris, no ano passado, dedicado a empreendedores e novas tecnologias, o presidente Emmanuel Macron afirmou querer fazer da França “o país das startups”.

União dos concorrentes
As fronteiras entre as diferentes disciplinas do marketing estão cada vez menores. Uma prova disso é que o case vencedor da categoria “impresso” do Prêmio Desafio Estadão Cannes foi para campanha “Integrando para Potencializar”, criada pelo GAD, uma das mais importantes consultorias de Branding e Design do país. “Parece estranho ganhar um prêmio de mídia sendo uma consultoria de marca. Ao mesmo tempo estamos felizes por estarmos no meio de grandes agências. É um case robusto que tivemos a oportunidade de fazer tudo desde o planejamento até a campanha, baseado na estratégia. O cliente também aceitou o risco de fazer algo complemente inusitado, juntar duas marcas antagônicas. A ação teve alto impacto e gerou buzz”, comemora Luciano Deos, presidente do GAD.

A campanha foi para o lançamento da marca B3, resultante da fusão entre duas rivais BM&FBovespa e Cetip. A ação, além de valorizar a credibilidade do meio jornal também fez uso criativo da mídia e ainda surpreendeu pelo ineditismo. No dia do lançamento da nova marca B3, entregou jornais concorrentes Folha de S.Paulo e Estadão juntos para assinantes da Grande São Paulo. “O meio jornal é um dos meios que gera mais confiança para o público. Seriedade e caráter documental eram importantes o lançamento da nova marca”, destaca Deos.

O GAD disputou o troféu com AlmappBBDO, com o case Gol “Novos Tempos no Ar”, e J. Walter Thompson com o case Ford “Novo Ecosport Transforme sua imaginação em ação”. O prêmio são três passagens, inscrições e hospedagens em Cannes.

A pauta é INOVAÇÃO
O colombiano Juan Pablo Boeira, atualmente Gerente Geral de Marketing do Bourbon, acaba de lançar seu livro Branding por Meio da Gestão pela Inovação.  Depois de aplicar uma metodologia própria, chamada JPB, em mais de 300 projetos, o autor ensina o passo a passo para que empresas de qualquer setor possam dar a virada e ganhar competitividade.

Com formação em Inovação pela Harvard e Dinâmica dos Negócios pelo MIT, Juan Pablo já comandou áreas de marketing de multinacionais como Johnson & Johnson, Vonpar/Coca-Cola, Red Bull.

Invenção é diferente de inovação. Na sua definição, qual é o conceito de inovação?
Têm vários. Depende se é por um cunho mais cientifico, mais empresarial ou mais prático. Eu gosto muito de atrelar o conceito de inovação a algo que gera dinheiro novo. Ou seja, a medida que aplica um processo para geração de um produto, ou serviço, ou processo novo que não existia no mercado que está atuando e que gera algum tipo de resultado novo. Não adianta fazer uma melancia quadrada. É algo novo, mas que não vai dar resultado. É preciso gerar um resultado financeiro, social ou ambiental. Se faz tudo isso e só gera algo diferente é uma “legalzice” ou invenção.

Todas as empresas são capazes de inovar?
Não só podem como devem. Inovação não é um meio. É uma atitude, uma cultura. As empresas precisam implementar uma cultura de gestão voltada para inovação.

Já evoluímos da revolução industrial para três novas revoluções que estão acontecendo ao mesmo tempo: a revolução da informação, a revolução tecnológica e a revolução social. Ou seja, isso esculhambou a dinâmica de mercado que estamos inseridos.  Não conseguimos mais entender exatamente os movimentos mercadológicos que vão acontecer porque há muito mais dados e informações que vão impactar nos nossos negócios e que, eventualmente, nem conseguimos ter acesso. Então, a maneira mais robusta e eficaz hoje de qualquer negócio, de qualquer tamanho, em qualquer lugar do planeta, de se manter competitivo para os próximos anos é implementando uma gestão voltada par inovação.

Qual é o teu case mais inovador e que mais deu resultado?
O que eu considero muito inovador é da época que eu estava na Vonpar/Coca-Cola, quando fizemos o reposicionamento da marca Mumu. Tenho muito orgulho porque já vi, de cara, que a metodologia funcionava bem. Saímos de um Market share de 0,1% e, em menos de um ano, assumimos a liderança na categoria de leite. Quando fizemos a Cow Parade quebramos todos os recordes do varejo no Rio Grande do Sul e foi uma das campanhas mais premiadas da história da propaganda brasileira com quase 30 prêmios num único ano. É um exemplo marcante e está latente. Depois disso, mais de 300 empresas já usaram esta metodologia.