Aftosa: certificado para a pecuária brasileira

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Em maio, depois de 50 anos trabalhando para erradicar a febre aftosa, o Brasil recebeu a certificação de país livre da doença com vacinação, da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). As ações, compartilhadas entre os governos federal e estaduais e o setor privado, incluem a vacinação nos pastos, a vigilância nas fronteiras e a estruturação da rede laboratorial do país. A cerimônia ocorreu em Paris.

Conforme o Ministério da Agricultura, a maioria dos estados brasileiros já tinha o reconhecimento de zona livre da aftosa com vacinação. Agora, a comercialização de carnes e animais vivos será facilitada tanto dentro quanto fora do Brasil. “Isso mostra que o país, com um dos maiores rebanhos do mundo, tem se preocupado com as questões sanitárias. Isso passa mais credibilidade a compradores”, relata Bruno Lucchi, superintendente técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Criação de gado – Foto: Fernando Dias/seapi

A certificação é essencial por que pode abrir mercados também para a suinocultura. “Não temos o mesmo risco de outros países onde o vírus da febre aftosa circula. Assim, há mercados que pagam bem melhor. Temos o ganho direto e o indireto”, explica. Mercados que pagam melhor pela proteína suína, como Estados Unidos, União Europeia, Chile e Japão, adquirem o produto apenas de regiões sem vacinação – caso de Santa Catarina.

O Brasil iniciou o combate à febre aftosa ainda na década de 1960, por meio de campanhas de vacinação. Naquela época, a doença se manifestava de forma endêmica, com milhares de focos por ano. Analistas lembram que era um “caos sanitário”.

Mais recentemente, a partir dos anos 1990, as estratégias de combate à doença passaram do controle para a erradicação, com a implantação do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (Pnefa), que previu a ampla participação do setor privado e a regionalização no combate a doenças, entre outras ações.

A última ocorrência de febre aftosa no Brasil foi em 2006, no Paraná e em Mato Grosso do Sul, na região de fronteira com o Paraguai. No Rio Grande do Sul, em 2001, mais de 11 mil animais foram sacrificados após o grande surto de aftosa no município de Joia – os prejuízos foram imensos.

Em 2007, Santa Catarina recebeu o reconhecimento da OIE como livre de febre aftosa sem vacinação. Esse é o próximo status a ser buscado pelo país: gradativamente, retirar a vacinação do rebanho até 2023, para que, até 2026, haja a certificação internacional pela OIE, de país livre de aftosa sem vacinação.

O vírus da febre aftosa é altamente contagioso. O animal afetado apresenta febre alta, que diminui depois de dois ou três dias. Em seguida, aparecem pequenas bolhas que se rompem, causando ferimentos. O animal deixa de andar e comer e, no caso de bezerros e animais mais novos, pode até morrer.

A transmissão pode ocorrer por contato direto com outros animais infectados ou por alimentos e objetos contaminados. Calçados, roupas e mãos das pessoas que lidaram com animais doentes também podem transmitir o vírus, que é capaz de sobreviver durante meses em carcaças congeladas.