As Copas na Imprensa

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“A Pátria de Chuteiras”. A definição da Seleção Brasileira de Futebol feita por Nelson Rodrigues já virou um chavão, e muitos acreditam que o brasileiro já não dá, ao time brasileiro, a mesma importância dedicada em outros tempos mais gloriosos.

No entanto, a falta de conquistas da Seleção não tem reduzido o interesse do público pela Copa do Mundo. Segundo pesquisa do Ibope, 72% dos entrevistados pretendia assistir a jogos da Copa da Rússia. E a imprensa busca alimentar esse interesse do público. Seja com as glórias do escrete nacional, ou com as mais agoniantes derrotas, os veículos de comunicação sempre procuraram traduzir a emoção dos torcedores com o principal campeonato do esporte que ainda é o preferido dos brasileiros.

Na primeira Copa do Mundo, a do Uruguai, em 1930, os torcedores no Brasil precisavam aguardar as manchetes dos jornais para saber os resultados dos jogos. O mesmo aconteceu na Copa da Itália de 1934. O país só pôde acompanhar uma partida do Mundial pela rádio em 1938, na primeira Copa da França. Nessa época, os torcedores ainda podiam conferir os melhores momentos dos jogos nas telas de cinema alguns dias depois.

Com a Segunda Guerra Mundial, as competições de 1942 e 1946 foram canceladas. O Brasil foi o único candidato oficial para sediar a quarta edição do Mundial, em 1950. Dessa vez, a imprensa e os torcedores no país puderam ver de perto os jogos. A derrota na final para o Uruguai, por 2×1, seria um trauma nacional, uma das maiores decepções da história do futebol brasileiro (até ser substituída no imaginário coletivo pelo 7×1 sofrido contra a Alemanha em 2014).

No começo da década de 1950, chegaram os primeiros televisores no país. De 1954 a 1966, a transmissão dos jogos era acompanhada de narração nos moldes radiofônicos: os canais exibiam uma fotografia da seleção brasileira, enquanto o locutor irradiava a partida. Foi dessa forma que os brasileiros acompanharam as primeiras vitórias da Seleção Brasileira, a de 1958, na Suécia, e a de 1962, no Chile.

Na Copa do Mundo da Inglaterra, em 1966, ainda não era possível transmitir ao vivo as partidas para o Brasil, e as imagens eram exibidas com mais de um dia de atraso. A transmissão ao vivo das partidas para o Brasil só aconteceu em 1970, na Copa do México. Já a primeira transmissão a cores só aconteceria em 1974, na Alemanha.

A TV dominaria a transmissão de notícias da Copa pelas décadas seguintes. Mas, depois da conquista do tetracampeonato nos EUA, em 1994, um novo meio surgiu para desafiar a hegemonia televisiva: a internet. A fatídica Copa da França, em 1998, em que o Brasil perdeu na final para os donos da casa, foi a primeira a ser noticiada pela internet. Na época, usando conexão por telefone fixo, apenas 0,67% da população tinha acesso à web. Em 2018, segundo o IBGE, mais de 65% dos brasileiros estão online.

Nas primeiras transmissões realizadas pelas emissoras de TV na Europa, a competição atingia “apenas” 1,6 milhões de telespectadores. Hoje, pelas últimas pesquisas, acredita-se que 3,4 bilhões de pessoas viram ao menos uma partida da Copa da Rússia. Enquanto o Mundial continuar sendo um espetáculo que encante o público de todo o planeta, a imprensa seguirá acompanhando e informando sua evolução.